segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Chuvas de janeiro: o homem versus a natureza?

Em artigo escrito anteriormente, tratei tal qual o Frei Betto (texto anexado abaixo), da questão das tragédias no Rio e também outros Estados que estão sofrendo com o impacto das chuvas deste ano (MG, SP e SC, principalmente) como resultado da falta de planejamento e políticas públicas de fato eficazes para enfrentar a questão.

A minha concepção , como também acredito que a do próprio Frei Betto, não releva o poder da Natureza e a capacidade de destruição dos fenômenos naturais, pelo contrário, parte disto, pois historicamente, a pelo menos milhares de anos, se tem notícia que o homem sofre com fatos semelhantes. Assim, sabendo da capacidade da natureza, entendendo que cabe ao homem dentro da sua organização sócioespacial. No caso brasileiro: sociedade estatal dividida em classes socialmente desigual, deve o poder público fazer a política necessária para evitar ao máximo tais tragédias. Para quem pergunta "como?", para começar: reforma urbana, planejamento urbano, reforma agrária etc...


DARWINISMO SOCIAL

Frei Betto
A catástrofe na região serrana do Rio de Janeiro é noticiada com todo alarde, comove corações e mentes, mobiliza governo e solidariedade. No entanto, cala uma pergunta: de quem é a culpa? Quem o responsável pela eliminação de tantas vidas?
Do jeito que o noticiário mostra os efeitos, sem abordar as causas, a impressão que se tem é de que a culpa é do acaso. Ou se quiser, de São Pedro. A cidade de São Paulo transbordou e o prefeito em nenhum momento fez autocrítica de sua administração. Apenas culpou o excesso de água caída do céu. O mesmo cinismo se repetiu em vários municípios brasileiros que ficaram sob as águas.
Ora, nada é por acaso. Em 2008, o furacão Ike atravessou Cuba de Sul a Norte, derrubou 400 mil casas, deu um prejuízo de US$ 4 bilhões. Morreram 7 pessoas. Por que o número de mortos não foi maior? Porque em Cuba funciona o sistema de prevenção de catástrofes naturais. No Brasil, o governo promete instalar um sistema de alerta... em 2015!
O ecocídio da região serrana fluminense tem culpados. O principal deles é o poder público, que jamais promoveu reforma agrária no Brasil. Nossas vastas extensões de terra estão tomadas pelo latifúndio ou pela especulação fundiária. Assim, o desenvolvimento brasileiro se deu pelo modelo saci, de uma perna só, a urbana.
Na zona rural faltam estradas, energia (o Luz para Todos chegou com Lula!), escolas de qualidade e, sobretudo, empregos. Para escapar da miséria e do atraso, o brasileiro migra do campo para a cidade. Assim, hoje mais de 80% de nossa população entope as cidades.
Nos países desenvolvidos, como a França e a Itália, morar fora das metrópoles é desfrutar de melhor qualidade de vida. Aqui, basta deixar o perímetro urbano para se deparar com ruas sem asfalto, casebres em ruínas, pessoas que estampam no rosto a pobreza a que estão condenadas.
Nossos municípios não têm plano diretor, planejamento urbano, controle sobre a especulação imobiliária. Matas ciliares são invadidas, rios e lagoas contaminados, morros desmatados, áreas de preservação ambiental ocupadas. E ainda há quem insista em flexibilizar o Código Florestal!
Darwin ensinou que, na natureza, sobrevivem os mais aptos. E o sistema capitalista criou estruturas para promover a seleção social, de modo que os miseráveis encontrem a morte o quanto antes.
Nas guerras são os pobres e os filhos dos pobres os destacados para as frentes de combate. Ingressar nos EUA e obter documentos legais para ali viver é uma epopeia que exige truques e riscos. Mas qualquer jovem latino-americano disposto a alistar-se em suas Forças Armadas encontrará as portas escancaradas.
Os pobres não sofrem morte súbita (aliás, na Bélgica se fabrica uma cerveja com este nome, Mort Subite). A seleção social não se dá com a rapidez com que as câmaras de gás de Hitler matavam judeus, comunistas, ciganos e homossexuais. É mais atroz, mais lenta, como uma tortura que se prolonga dia a dia, através da falta de dinheiro, de emprego, de escola, de atendimento médico etc.
Expulsos do campo pelo gado que invade até a Amazônia, pelos canaviais colhidos por trabalho semiescravo, pelo cultivo da soja ou pelas imensas extensões de terras ociosas à espera de maior valorização, famílias brasileiras tomam o rumo da cidade na esperança de uma vida melhor.
Não há quem as receba, quem procure orientá-las, quem tome ciência das suas condições de saúde, aptidão profissional e escolaridade das crianças. Recebida por um parente ou amigo, a família se instala como pode: ocupa o morro, ergue um barraco na periferia, amplia a favela.
E tudo é muito difícil para ela: alistar-se no Bolsa Família, conseguir escola para os filhos, merecer atendimento de saúde. Premida pela sobrevivência, busca a economia informal, uma ocupação qualquer e, por vezes, a contravenção, a criminalidade, o tráfico de drogas.
É esse darwinismo social, que tanto favorece a acumulação de muita riqueza em poucas mãos (65% da riqueza do Brasil estão em mãos de apenas 20% da população), que faz dos pobres vítimas do descaso do governo, da falta de planejamento e do rigor da lei sobre aqueles que, ansiosos por multiplicar seu capital, ignoram os marcos regulatórios e anabolizam a especulação imobiliária. E ainda querem flexibilizar o Código Florestal, repito!

Frei Betto é escritor, autor de “A arte de semear estrelas” (Rocco), entre outros livros. www.freibetto.org
> - twitter:@freibetto

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Imagens do ato contra o aumento da passagem em SP

As informações que nos chegam é que a manifestação teve a participação de 4.000 pessoas, um sinal de que a indignação contra o criminoso aumento é geral e que esta está se cristalizando nas ruas!

Próxima manifestação já agendada para o dia 27/01 na frente do Teatro Municipal as 17h.



Mais fotografias:
CMI
Mais informações: MPL-SP e aqui!

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Reforma Agrária, uma bandeira que deve avançar!

Mais uma vez os grandes jornais brasileiros vão como vampiros aos pescoços de lutadores do povo que buscam a Reforma Agrária. Falsas polêmicas e mentiras marcam o que se escreve nestes jornais comprados pela agricultura latifundiária.

O povo brasileiro sabe da importância da agricultura familiar e em especial aquela formada pelos assentamentos rurais. Sabem que é desta agricultura que vem o alimento saudável, sem venenos ou transgênicos. Sabem o milagre econômico e a melhora na qualidade de vida aonde há grandes áreas ou quantidade considerada de assentamentos, onde mais e mais pessoas passam a comer melhor e mais barato, além de impulsionar o comércio local e gerar empregos, um exemplo desta transformação é Teodoro Sampaio em São Paulo.










Enquanto isto, os ricos latifundiários não se conformam em ter somente o controle das exportações de commodities. Eles querem destruir a concorrência econômica e ideológica da produção familiar. Não querem ouvir falar que existe pessoas plantando milho ou feijão crioulo, no lugar do transgênico. Não querem que falem que o grosso da alimentação do brasileiro vem da agricultura familiar. Não querem que se diga que é possível produzir em escala alimento sem veneno com qualidade. Não querem que se denuncie a destruição ambiental dos solos e rios provocadas pela sua monocultura e venenos despejados. Pois eles temem que isto se espalhe e as suas propriedades sejam colocadas a disposição do trabalhador desempregado para produzir comida saudável para o povo brasileiro e para o mundo.

Nós que defendemos a Reforma Agrária, a vemos como um programa que vai além do desenvolvimento capitalista simplista divulgado pela dema Katia Abreu, a reforma agrária deve continuar e se ampliar para garantir direitos e a libertação do trabalhador escravizado, que é violentado diariamente pela miséria social dos latifúndios no campo e das favelas nas nossas cidades. E é exatamente por tudo isto que precisa sim de intensa atuação do Estado com a realização de projetos sociais públicos, visando melhorar tanto a vida do agricultor sem terra, como a de todos os demais brasileiros.



















Continuando o debate sobre a importância da agricultura familiar, indico o texto abaixo para leitura:


Agronegócio perde em eficácia para a agricultura familiar

MST


Comissão Patoral da Terra

A Comissão Pastoral da Terra (CPT), Regional Mato Grosso do Sul, no intuito de dar maior visibilidade à luta dos pequenos produtores e à agricultura familiar camponesa, vem resgatando e divulgando importantes dados estatísticos que colocam em xeque justificativas de produtividade e geração de emprego do agronegócio, que não coincidem com a realidade. De acordo com a entidade, no Mato Grosso do Sul (MS), se faz uma apologia ao agronegócio alicerçado no grande capital financeiro.

A profusão da propaganda, segundo a CPT/MS, tem como objetivo convencer a população acerca de sua superioridade econômica e, portanto, da necessidade do Estado continuar protegendo o setor em detrimento da luta camponesa pela reforma agrária, pela produção agroecológica, bem como a luta dos povos indígenas pela restituição de seus territórios tradicionais.

Um destes estudos foi o realizado pela doutora Rosemeire Aparecida de Almeida, da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), tendo como referência os censos agropecuários do IBGE de 1995/96 e 2006. A investigação teve como foco a análise das transformações na agropecuária, no último período censitário, a partir de duas escalas comparativas: a primeira refere-se ao Estado em si, a segunda é a análise comparativa entre amostras regionais, neste caso a região Leste de Mato Grosso do Sul e Norte Central paranaense. O estudo comparativo destas amostrais regionais se justifica pela reconhecida diferença agrária de Mato Grosso do Sul e do Paraná.

O primeiro conjunto de análises revela que em Mato Grosso do Sul, segundo o Censo 2006, a concentração da terra continua sendo realidade, pois as classes de áreas de menos de 50 hectares representam 58,83% dos estabelecimentos e detêm apenas 2,09% daterra, já os estabelecimentos acima de 1000 ha representam 10,18%, mas possuem 76,93% do território.

Uso da Terra: a força da agricultura familiar

Outra observação importante na escala estadual diz respeito ao aumentosignificativo na produção de aves no Censo 2006. Ressalta-se que 71,51% desta produção vêm da pequena unidade (até 200ha). O mesmo ocorre com a produção de suínos que cresceu 69,87%, sendo a pequena unidade responsável por 70% desta produção. Em relação ao leite a pequena unidade teve um aumento na produção de 41,01% em relação ao Censo 1995/96, enquanto a média e a grande unidade reduziram sua produção de leite. Este aumento na produção de leite está nas classes de área de menos de 50 hectares, que representam em grande medida o tamanho das parcelas dos lotes da Reforma Agrária.

Estas classes de área de menos de 50ha, que detém apenas 2,09% da área total, produzem 46,48% do leite no Estado, utilizando parco financiamento.

Segundo os dados fornecidos para a CPT/MS, os pequenos stabelecimentos do Mato Grosso do Sul que produzem arroz e feijão, foram mais eficientes que as propriedades da agricultura de exportação, de acordo com os dados dos dois últimos censos agropecuários (1995/96 e 2006).

Por exemplo, a soja teve um acréscimo de produtividade de apenas 6,77% de quilos por hectare em 2006, comparado aos dados do Censo de 1995/96. Já o arroz registrou um aumento de produtividade de 67,77% em 2006, comparado com os dados do Censo de 1995/96, e o feijão também aumentou a produtividade em 51,19% em relação ao mesmo período. Portanto, apesar destes produtos da agriculturafamiliar ter sofrido uma redução de área colhida em 2006, o volume da produção foi superior ao de 1995/96. A pesquisa ressalta, por exemplo, que a classe de área responsável pela produção de feijão é a pequena unidade com até 200 ha.

Este estrato responde por 64,07% do total da produção. “Apesar de pequeno, estes estabelecimentos têm conseguido se apropriar dos avanços tecnológicos e melhorar sua eficiência produtiva” explica a doutora Rosemeire para a Radioagência NP.

Geração de Empregos no Campo: as pequenas unidades empregam mais

A referida pesquisa mostra que a geração de ocupações nos menores estratos de área é também significativa, pois, segundo o Censo 2006/MS, o aumento no número de pessoal ocupado ocorreu nas classes de área de menos de 50 ha, ela sozinha representa 44,18% do total do pessoal ocupado no Estado (93.311). Cruzando as ocupações com o tamanho da terra, a classe de área de menos de 50 ha gera umaocupação a cada 6,7 ha, enquanto a classe de área acima de 1000ha gera uma ocupação a cada 411,56ha.

Valor da produção e Financiamento: o mito do agronegócio

Quando o assunto é financiamento, a pesquisa aponta uma interessante contradição no MS. Os 1.231 estabelecimentos com mais de 1.000ha acessaram 78,97% do valor total dos financiamentos em 2006 e responderam por 51,17% do valor total da produção agropecuária em 2006. Os 4.269 estabelecimentos das classes de área de menos de 50 hectares acessaram 2,45% dos financiamentos em 2006 e responderam por 12,19% do valor total da produção agropecuária.

Ou seja, proporcionalmente a pequena unidade (menos 50 ha) é quase dez vezes mais eficiente do que a grande unidade, porque acessou R$ 45.606.000 (2,45%) de recursos públicos e respondeu por R$ 434.460.000 (12,19%) do valor de produção agropecuária. Enquanto que a grande unidade que acessou R$ 1.472.448.000,00 (78,97%) respondeu por 1.823.344.000,00 (51,17%). É mais um dado do IBGE a confirmar a eficiência da pequena unidade de produção.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Manifestação contra o aumento da Passagem


A Luta Contínua: R$3,00 não dá, Passe Livre Já!

Mais informações: MPL-SP e aqui!

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Terror Policial reprime manifestação pacífica em SP

No vídeo de Carlos Latuff, abaixo, cenas de barbárie da polícia paulista contra estudantes e trabalhadores que exerciam o seu livre direito de manifestar-se contra o criminoso aumento dos preços das passagens de ônibus promovido pelo senhor Gilberto Kassab, Prefeito de São Paulo.

Mas a luta continua...




mais informações: Passa Palavra! e aqui!

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Chuvas torrenciais: catastrofe social, desigual e combinada

Neste período de chuvas torrenciais, de ano em ano, ficamos todos boquiabertos, assustados, apavorados, arrebentados e destruídos com os tristes resultados causados pelas catástrofes: enchentes, desmoronamentos, mortes, desabrigados, perdas materiais... As imagens tão divulgadas pelos meios de comunicação ou vivenciadas no dia-a-dia são lamentáveis.

Num esforço de entender porque se repete anualmente esta lamentável situação, parei para pensar como melhor qualificar a palavra catástrofe, utilizada acima no texto. Afirmo que de forma alguma, este texto se propõe a tratar do assunto com tom irônico ou de forma distante da dureza sofrida por aqueles que vivem na pele esta realidade, mas comprometido por uma reflexão que busque respostas, caminhos e sugestões para a mudança de tais calamidades.

Assim, não acredito que o melhor adjetivo a ser usado ao lado da palavra "catástrofe" seja o "natural", ou seja, que a potencialidade destrutiva dos fenômenos climáticos ocorridos são superiores à capacidade de reação e previsão pelos administradores públicos, tornando os impossibilitados de evitar tamanhas tragédias. Também não acredito que somente "Deus" seria capaz de prever tais catástrofes ou que estas não são mais do que castigo divino a desordem humana.

Também, não pretendo adentrar nas questões polêmicas que afirmam que tais mudanças climáticas são ou não provocadas pela ação humana, não pela discordância ou pelo desprezo ao tema, mas sim pela falta de capacidade técnica para aprofundar a questão como também pela opção por outro caminho.

Mas caminhando em sentido paralelo a este último negado, eu penso que estas catástrofes têm forte origem social. Fruto da catástrofe do planejamento urbano, da vulnerabilidade social que vivem as pessoas que geralmente são expostas aos desastres ambientais provocados pelo clima e, portanto, ampliadas pelas condições sociais e estruturais de nossa sociedade.


Um exemplo inicial do resultado da falta de política de planejamento urbano é o abandono de políticas básicas de conservação dos equipamentos públicos e ou a construção de novos equipamentos mais eficazes para diminuir o impacto por exemplo das enchentes: como a limpeza de córregos, de piscinões, de galerias, política efetiva de coleta de lixo e educação ambiental para diminuir o descarte de resíduos em vias públicas etc.

Pensando sobre as áreas de moradia que sofrem com desmoronamentos e enchentes, a maioria das pessoas que moram em torno das áreas de riscos ambientais como encostas, morros, perto de erosões, sobre antigos depósitos de entulhos e lixos, na margem de rios e riachos, sobre terrenos desgastados pelo desmatamento ou pelo mal-uso do solo, são pessoas que vivem também em insegurança a outros diversos direitos sociais como alimentação, emprego, segurança pública, saneamento e saúde publica, entre outros.


Também, muitas vezes, vivem em moradias precárias, construídas com o esforço de uma vida, mas com as limitações econômicas, seja pelo uso improvisado ou pela compra de materiais de construção de baixa qualidade, não adaptados e preparados para responder a carga destrutiva das intempéries naturais.

A desigualdade social e geográfica na distribuição da riqueza em nosso país, leva a uma ocupação desordenada do território. Atraídos pelo emprego ou políticas públicas como educação e saúde ou colocados a margem devido às condições impostas pelo desemprego, morte de chefes de famílias, uso de narcóticos etc., muitos brasileiros se deslocam e se abrigam no entorno dos grandes centros, em situações de extrema vulnerabilidade. Aqui o substantivo ganha mais um duro adjetivo: desigualdade.

Finalmente, tem que ser afirmado que o capital: que constrói na mente das pessoas necessidades e prioridades por um consumo desenfreado por mercadorias descartáveis e globalizadas e esconde na neblina da alienação sentimentos e valores como solidariedade e mobilização social; que na sua anarquia liberal diferencia as pessoas pelo poder econômico, por exemplo, permitindo qualidade de materiais de construção para uns e para outros o risco ambiental; também, é o capital que se retroalimenta com as re-construções das comunidades e bairros destruídos pela natureza e pela falta de planejamento. Ou seja, aqueles que vivem em luxuosos palacetes ou em paraísos naturais acabam lucrando mais e mais com tudo isto. Assim a Catástrofe é social, desigual e combinada.

Neste sentido, tais catástrofes somente serão evitadas em uma sociedade livre da desigualdade social e pautada por um replanejamento do território, onde seja garantida as fundamentais e necessárias condições dignas de moradia a todos. Da mesma forma, também, é necessário a reorientação do trabalho humano, que de forma auto-organizado, possa atender as necessidades básicas, existenciais e práticas de todos como a construção de boas casas, com bom materiais, em áreas agradáveis de se viver, com estrutura sanitárias e de saúde, boas escolas, etc.

O ser humano sabe o que precisa ser feito. Mas antes sera preciso que homens e mulheres agarrem o seu futuro com as suas próprias mãos, fortaleçam as lutas sociais , elevem a rebeldia contra as absurdas injustiças e promovam a organização popular. Caminho árduo e continuo para construir uma sociedade realmente transformada. Enfim, mesmo que árduo, acredito que tamanho sofrimento e silêncio têm prazo de validade.

sábado, 8 de janeiro de 2011

As ruas gritam NÃO contra o aumento do preço do busão!

Mais uma vez várias Prefeituras Municipais aproveitam o período de féria escolar para aumentar o preço da passagem do busão. Mais uma vez aqueles que andam de carro blindado, helicóptero, jatinho ferem o direito de ir e vir de dezenas de milhões de brasileiros que precisam do busão. Mais uma vez aquele que é explorado na fábrica, oprimido nas ruas, abandonados nas escolas públicas sucateadas é colocado a pagar mais para poder ter acesso ao seu próprio trabalho, escolas, bibliotecas, parques, centros, supermercados, locais de lazer etc.


Mas o mesmo ferro que queima, também é o que faz renovar o sentimento de mobilização de milhares de jovens e trabalhadores que sentem na pele o alto preço da passagem. Mais uma vez um movimento que esteve no submundo, agindo por baixo da cortina de fumaça construídas pelas instituições de poder de nossa sociedade, se prepara para gritar: nãããããããããão!


Mais uma vez seja bem vin
do e valeu por existir MPL- Movimento pelo Passe Livre!



Para quem está chegando, a luta pelo passe-livre é uma luta por um transporte público que seja promotor do deslocamento do ser humano, garantia do ir e vir, do ir e vir para educação, para a saúde, para o lazer, para o trabalho, para a cultura, ao convívio, ao uso do centro, de menor impacto ao meio ambiente. Por outro lado, o custo e o alto custo das passagens são inibidores destes direitos, além de uma máquina de fazer dinheiro para poucas famílias, muito estimulado pelo poder público.




PRÓXIMAS ATIVIDADES DO MOVIMENTO PASSE LIVRE DE SÃO PAULO
- Em janeiro/2011:
O Movimento Passe Livre de São Paulo convida a todos para as manifestações contra o aumento das passagens:

13/01, quinta-feira, 17 horas
Onde? Concentração no Teatro Municipal
(próximo ao metrô Anhagabaú)

No dia 15/01, sábado às 15h haverá um debate no espaço ay carmela (rua das carmelitas, 140): por que lutar por um transporte público?.


Sites abaixo falam sobre as manifestações:
http://saopaulo.mpl.org.br/
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http://saopaulo.mpl.org.br/index.php?/ongoing/agenda/
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http://cegeusp.blogspot.com/2011/01/manifestacao-contra-o-aumento-da.html
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http://passapalavra.info/?p=33848

A Rede Contra o Aumento da Tarifa foi criada com o intuito de barrar o aumento dos transportes públicos em São Paulo.
A rede (que estruturalmente é como uma rede de pesca) é formada por coletivos e indivíduos (os nós), que se interligam entre si de diversas formas. Cada um (dos nós) tem autonomia de realizar ações em prol do objetivo da rede, não havendo organização centralizada ou coordenação.




R$ 3,00 não dá,
Passe-Livre já!!!

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

“Caso” Battisti: Eis por que estamos com Lula

Um grupo de intelectuais italianos radicados na França lançou na última terça-feira (4) documento apoiando a decisão do Brasil de não extraditar o ex-ativista Cesare Battisti e desmascarando os argumentos do governo ditreitista de Sílvio Berlusconi. A mídia italiana e alguns políticos que conforme a ocasião se apresentam como de “esquerda” são aqui submetidos a severa crítica.

Somos um certo número de italianos residentes no exterior, onde trabalhamos no ensino e na pesquisa, estupefatos com a postura da mídia e da “opinião pública” do nosso país diante do “caso” Cesare Battisti. A jornalista Anais Ginori, em La Reppublica de 2 de janeiro, parece por exemplo estigmatizar o “júbilo dos intelectuais franceses” (arbitrariamente identificados com Bernard-Henri Lévy e Fred Vargas) diante da recusa de extraditar Battisti, decidida pelo presidente brasileiro Lula da Silva.

Quanto à força de oposição ao atual governo Berlusconi, estamos particularmente surpresos ao constatar como alguns parlamentares do PD se recordam repentinamente de sua matriz ideológica, apelando inesperadamente ao presidente Lula enquanto “homem de esquerda”, com o único propósito de questionar seu gesto de precaução em relação aos direitos de um preso.

Contrariamente ao que se tem escrito e dito, nós acreditamos que a decisão de competência do presidente brasileiro não é resultado de um juízo superficial e apressado sobre nosso país, mas resultado de uma avaliação aprofundada e pertinente da situação política e judiciária italiana. O Brasil é o último de uma longa lista de países, após Grécia, Suíça, França, Grã Bretanha, Canadá, Argentina, Nicarágua, que se recusaram a colaborar com a justiça italiana. Será um acaso?

Na verdade, a fúria do governo italiano em pedir a extradição de Battisti se configura hoje mais como a vontade de exorcizar um inimigo vencido (quase uma obsessão de eliminar), do que como uma sóbria, autêntica exigência de justiça. Surpreendente, em particular, uma tal perseverança “justiceira” da parte de um executivo tragicamente incapaz de lançar luz sobre a carnificina dos anos sessenta e setenta, unanimimente considerada pelos historiadores como a “mãe” de todo o terrorismo.

Recordemos como em seu favor o “zero responsáveis” sobre o atentado da Praça Fontana em Milão e da Praça de Loggia em Brescia tem sido permanentemente consagrado, respectivamente pela Suprema Corte em 3 de maio de 2005 e, mais recentemente, pela Corte de Inquérito em 16 de novembro de 2010. Ou uma magistratura severa que garante a imparcialidade do Estado, como sugerido recentemente por Alberto Asor Rosa[1] em uma de suas freqüentes colunas no Manifesto!

Uma tal diferença de tratamento em investigar a responsabilidade, que não tem como não saltar aos olhos da opinião pública internacional, não é apenas o efeito de uma permanência endêmica, na Itália, de uma classe corrupta no governo ou mesmo para-fascista (de Alemanno, ex-membro de esquadra fascista, prefeito de Roma, ao insolente ex-MSI [2] La Russa, Ministro da Defesa). Não, essa tara originária é antes de tudo fruto da política de emergência que tem sido o leitmotiv da política italiana do pós-guerra e na qual a esquerda se deixa seduzir, até a morte rápida como uma fatalidade, quando não tranqüilamente acomodada, por uma consolidada incapacidade de propor uma alternativa global a uma ordem capitalista tardia.

Essa “emergência” prolongada foi a base da participação de setores inteiros do Estado nas atrocidades criminais que ensanguentaram o passado recente da história nacional, impedindo a emancipação social e debilitando antropologicamente, molecularmente, a cotidianidade. Fato altamente significativo, a classe política atualmente no comando na Itália é herdeira direta desses poderes um dia ocultos (“Piano solo”, “Gládio”, “P2” [3]), mas agora definitivamente desembaraçada e bem decidida a ocupar o terreno político e midiático, para defender seu próprio interesse vital ameaçado: aquele de uma vida reduzida a uma pura, absurda axiomática empresarial.

A “anomalia italiana” não é senão o resultado dessa sistemática subordinação dos órgãos garantidores do direito à “exceção” do comando político e ao seu diktat selvagem sobre a consciência. Basta pensar que um dos mais altos postos da República, abaixo apenas do presidente Giorgio Napolitano, é hoje confiado a um “magnata” da mídia cuja “acumulação primitiva”, no curso dos anos sessenta e setenta, tem sido caracterizada por aqueles que a definiram eufemisticamente como “ilegalmente comprovada”.

Portanto, acreditamos que o forte envolvimento do Estado italiano na guerra civil “guerreada” que teve lugar na Itália nos anos setenta, paralelamente ao conflito (não somente e nem sempre “frio”) encenado pelos dois blocos internacionais opostos e parcialmente especulares, torna impossível desatar o nó histórico emerso com o “caso” Battisti no quadro das instituições e das leis atualmente vigentes na Itália. Somente uma medida que reconheça a enorme responsabilidade do Estado na degeneração do embate político entre os anos sessenta e oitenta, e não a grotesca exibição de orgulho nacional a que estamos assistindo nesses dias, pode permitir à Itália sair do “déficit” de credibilidade internacional que danifica fatalmente sua imagem. Enquanto tal medida não se concretizar, justiça não poderá ser feita e o pedido de extradição de ex-terroristas aparecerá fatalmente como atalhos vexatórios, quando não como tentativas mentirosas de reescrever a história.


Saverio Ansaldi – Universidade de Montpellier III
Carlo Arcuri – Universidade de Amiens
Giorgio Passerone – Universidade de Lille III
Luca Salza– Universidade de Lille III.

Notas
[1] Alberto Asor Rosa é um intelectual conhecido na esquerda italiana desde os anos sessenta. No final dos anos setenta, como quadro do Partido Comunista Italiano, defendia posições teóricas que buscavam se contrapor ao protagonismo nas lutas sociais dos sujeitos políticos dos quais Cesare Battisti fazia parte. Vide sua teoria da “primeira” e “segunda sociedade”. (N. do T.)
[2] Partido formado no pós-guerra por aderentes do fascismo. Foi na prática o partido fascista italiano até sua dissolução na Aliança Nacional em 1995. (N. do T.).
[3] Gladio era o nome de uma operação clandestina da Otan no pós-guerra, com objetivos anti-comunistas. Entre suas ações estavam atentados como a chamada “bandeira trocada”. P2 era uma loja maçônica, envolvida com a Operação Gladio, com a máfia e em escândalos financeiros. O ‘Piano solo’ foi um plano no qual a Gladio esteve envolvida e que conseguiu tirar do governo italiano os ministros socialistas, em 1964. (N. do T.).

Fonte: Uninomade.org
Traduzido do italiano

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011


Em Salvador, estudantes começam a mobilizar-se contra o aumento de tarifas autorizado pela Prefeitura para o dia 01 de janeiro de 2001. A tarifa saiu de R$ 2,30 para R$ 2,50. Estes R$ 0,20 representam 8,69% na passagem; desta vez, o aumento é maior que a inflação acumulada em 2010 (5,78% pelo IPCA), que o aumento do salário mínimo (5,08%) e mais que o dobro do último aumento (de R$ 2,20 para R$ 2.30, representando 4,1% de aumento). Uma pessoa que pega 48 transportes por mês para ir ao trabalho (um para ida e outro para volta) passa a gastar R$ 120,00 mensais com transporte (antes gastava R$ 110,40); uma pessoa que pega 96 transportes por mês para ir ao trabalho (dois para ida e dois para volta) passa a gastar R$ 240,00 com transporte (antes gastava R$ 220,80).

Os protestos contra mais este abuso da Prefeitura devem começar no dia 03/01 às 15h na Rótula do Abacaxi. Para maiores informações, acesse:

http://www.youtube.com/watch?v=YFAMl_bi4jM
http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=109878255
#revoltabuzu2011
http://twitter.com/#!/RevoltaBuzu2011
http://www.facebook.com/photo.php?fbid=1624136054356&set=a.1289413406499.2040209.1565144690

DIVULGUE E PARTICIPE!!!!!!!

Não às pressões do governo Berlusconi para sua extradição à Italia

No último dia como presidente, Lula tomou a decisão de negar a extradição do Cessare Battisti que procurava o governo do Berlusconi. Detento no 2006 em Brasil, país no qual pediu direito de asilo, Cesare Battisti foi condenado à cadeia perpétua pelo governo italiano acusando o de ter participado de ações armadas. A correta medida adotada por Lula levou a que o governo reacionário do Berlusconi ameace com a ruptura de relações. Os partidos da direita brasileira fazem também sua parte apoiando a que Battisti seja entregue a Itália. Tal medida seria uma grave violação ao direito de asilo que sustenta o Brasil e os países Latinoamericanos e um grave precedente de ceder às pressões estrangeiras, vindas neste caso de um governo que pretende fazer deste caso uma forma de pôr uma cortina de fumaça a sua política semifacista e anti operário.

A solidariedade com o Battisti e o respeito às medidas tomadas pelo governo brasileiro não só é uma causa das organizações populares e democráticas brasileiras, mas também das latino-americanas. Repudiar o intento de extradição do Berlusconi é uma forma também enfrentar e denunciar a política de intromissão das potências imperialistas em nosso continente. De ai também a necessidade de somar todos os pronunciamentos possíveis de solidariedade com as medidas tomadas pelo Brasil rechaçando e repudiando ao mesmo tempo a política do governo Berlusconi.


Pedro Fuentes