segunda-feira, 29 de março de 2010

Filosofando no formato de fábulas


Velhas Raposas vestem-se de galinhas, não enganam ninguém, mas seguem levando os ovos do galinheiro, bela herança do Stalinismo!
E o novo é apenas um discurso clichê de promessas vazias nas bocas das mesmas velhas raposas...
E não queira você dar uma de galo, com certeza, elas te papam!

domingo, 28 de março de 2010

Soul Kitchen

Tenho andado meio distante do meu blog, ao mesmo tempo, que o tenho utilizado como um espaço de crítica/propaganda de cinema, mas de fato poucas coisas legais tem me inspirado a escrever, outras coisas não tão legais, acabam se colocando em outros espaços.

Bom, quanto ao filme Soul Kitchen, me diverti muito!! Comédia romântica do turco-alemão Fatih Akin que trata do cotidiano de diferentes personagens com suas diversas culturas no nosso mundo globalizado. Dez para os atores e para a música! Além de rir bastante, possivelmente, no dia seguinte vc procure um fisioterapeuta, ou uma fisioterapeuta!

Crítica do Correio do Brasil

Em Soul Kitchen, identidade cultural é tema de comédia

Por Redação, com Reuters - de São Paulo

No cinema do turco-alemão Fatih Akin, cuja filmografia inclui obras como Contra a Parede e Do Outro Lado, personagens de identidades socioculturais mais variadas tentam encontrar o seu lugar num mundo globalizado, no qual a fronteira entre as nações e as culturas nem sempre é clara.

Na comédia Soul Kitchen, que recebeu o prêmio especial do júri no Festival de Veneza do ano passado, o cineasta mais uma vez coloca em cena pessoas cuja herança cultural pode ser tanto o que os aprisiona quanto os liberta.

O grande diferencial de Soul Kitchen em relação às últimas obras do diretor é o tom de comédia - ácida, negra e pastelão - que acompanha toda a narrativa.

Ao centro está um greco-alemão chamado Zinos (Adam Bousdoukos, Contra a Parede), dono do agonizante restaurante em Hamburgo que dá título ao filme. Ao redor dele, uma família informal, composta por seu irmão, Illias (Moritz Bleibtreu, O Grupo Baader Meinhof), funcionários e agregados do estabelecimento.

Os problemas pessoais de Zinos e os profissionais começam a se confundir, deixando de existir uma linha que separe uns dos outros e transformando a vida do chef num verdadeiro caos. Sua namorada, Nadine (Pheline Roggan), está se transferindo para a China. O irmão, que está preso, consegue o benefício da prisão-albergue, mas isso exige que Zinos lhe dê um emprego de fachada no restaurante.

O restaurante Soul Kitchen também parece ter conhecido dias melhores. A última chance de Zinos está em sua nova contratação, um chef pouco ortodoxo e com uma quedinha para atirar facas na parede, chamado Shayn (Birol Ünel, de Transilvânia).

As novidades que ele traz para o cardápio logo transformam o lugar num grande sucesso, agradando especialmente junto ao público jovem, que começa a lotar o local.

Ainda assim, a vida de Zinos está de cabeça para baixo - especialmente porque sente falta da namorada.

Uma agente do imposto de renda (Catrin Striebeck), outro da fiscalização sanitária (Jan Fedder), e um agente imobiliário (Wotan Wilke Moehring) estão de olho no lugar, o que faz o proprietário deixar o restaurante nas mãos do irmão e viajar para a China para se encontrar com Nadine.

Akin e Bousdoukos, que assinam o roteiro, não seguem caminhos óbvios. Soul Kitchen toma rumos inesperados, com reviravoltas e surpresas e uma dezena de personagens excêntricos - nenhum deles mal construído ou inverossímil.

Dos personagens femininos quem sobressai são a garçonete Lucia (Anna Bederke), que se envolve com Illias, mesmo contra o seu juízo, e a fisioterapeuta Anna (a húngara Dorka Gryllus, de Irina Palm), que tenta ajudar Zinos com o seu mau jeito na coluna - detalhe, aliás, que causa algumas das cenas mais inusitadas do filme.

Ao final, Soul Kitchen é uma carta de amor de Akin e Bousdoukos à sua cidade natal, Hamburgo. É pouco provável que um grupo de personagens tão díspares fosse se encontrar - mas, no restaurante, os mesmos sonhos e anseios são o que os une. As culturas diferentes não são causa de choques, mas de complemento. Assim, cada um deles procura o seu lugar num mundo globalizado, sem perder sua identidade cultural própria. Como o cinema de Akin.