domingo, 24 de janeiro de 2010

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Eu estou entre aqueles que gostaram deste novo filme de ficção científica. Entre os debates que se colocam está a não neutralidade da ciência, o uso da ciência para fins militares e para a exploração desmedida da natureza, a colonização e o ataque a culturas não capitalistas, a força da natureza etc...

Roberto Robaina e Inácio de Araújo são dois outros blogueiros que gostaram do filme.

Vá assistir e aproveite este bom filme!

domingo, 17 de janeiro de 2010

X Encontro de Folia de Reis do Distrito Federal

O décimo encontro de Folia de Reis do Distrito Federal terá a presença de cerca de 30 grupos de pelo menos seis estados entre eles, Santa Catarina, Baiha e Tocantins. A novidade deste ano é a presença de um grupo de foliões que usam o pífano como instrumento na Folia e um grupo de Folia feminino.

*LOCAL: Parque de Exposiçoes da Granja do Torto, Brasília Distrito Federal

VEJA PROGRAMAÇÃO:*
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X ENCONTRO DE FOLIA DE REIS
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*PROGRAMAÇÃO *

*QUINTA-FEIRA - DIA 28/01/2010
*9h – Roda de Prosa – Giro cultural
12h – Galpão: Almoço dos Foliões
14h – Giro Cultural pela Esplanada dos Ministérios
19h – Abertura: - Representação da Chegada dos Três Reis Magos – Encontro das Bandeiras
19h30 – Palco: Apresentação do Canto de Chegada
21h – Palco: Abertura Oficial (autoridades políticas e eclesiásticas)
22h – Palco: SHOW – ZÉ MULATO E CASSIANO(DF) RENATO TEIXEIRA(SP)
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SEXTA-FEIRA - DIA 29/01/2010
*9h – Roda de Prosa - '10 Anos do Encontro de Folia de Reis do DF: Experiências e Perspectivas'
9h – Oficinas: Danças (Catira, Lundu e Curraleira); Construção de Instrumentos de Folia; Brinquedos, Brincadeiras e Jogos Roceiros.
12h – Galpão: Almoço dos Foliões – SHOW:APARICIO RIBEIRO (DF) e músicos foliões (P. ALTER.)
14h – 9h – Oficinas: Danças (Catira, Lundu e Curraleira); Construção de Instrumentos de Folia; Brinquedos, Brincadeiras e Jogos Roceiros.
19h – Galpão: Jantar dos foliões – Seguido do Canto de Agradecimento (Bendito de Mesa)
19h - Apresentação de Folias e Danças Populares
21h30 - Palco: SHOW – GALVAN E GALVÃOZINHO (GO)
22 h - Palco: SHOW – PEREIRA DA VIOLA (MG)
23h – Palco: SHOW – GOIANO E PARANAENSE (SP)
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SÁBADO - DIA 30/01/2010
*9h – Roda de Prosa: 'Políticas Públicas para as Folias de Reis e Manifestações Agregadas'
9h – Oficinas: Danças (Catira, Lundu e Curraleira); Construção de Instrumentos de Folia; Brinquedos, Brincadeiras e Jogos Roceiros.
9h – Praça do Coreto: Apresentações Livres de Folias e Danças
12h – Galpão: Almoço dos Foliões – SHOW: KLEUTON E KAREN (DF)e músicos foliões (P. ALTER.
14h – Oficinas (continuação)
14h – Palco: Apresentação de Folias e Danças Populares
19h – Galpão: Jantar dos foliões – Seguido do Canto de Agradecimento (Bendito de Mesa)
20h – Palco: Apresentação de Folias e Danças Populares
22h – Palco: SHOW – VANDERLEY E VALTECY (DF)
22h40 – Palco: GRUPO VIOLA DE NÓIS (MG)
23h30 - Palco: SHOW – LOURENÇO E LOURIVAL (SP)
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DOMINGO - DIA 31/01/2010
*9h – Oficinas: Danças (Catira, Lundu e Curraleira); Construção de
Instrumentos de Folia; Brinquedos, Brincadeiras e Jogos Roceiros.
9h – Palco: Apresentação de Folias e Danças Populares
12h – Galpão: Almoço dos Foliões – SHOW: MACEDO E MARIANO (DF) e músicos foliões
14h – Palco: Apresentação de Folias e Danças Populares
18h - SAULO LARANJEIRA ( Música regional e humor) (MG)
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ATRAÇÕES DIÁRIAS E VARIEDADES
*Exposições de Instrumentos Musicais Típicos; Painéis 10 anos do Encontro, Painéis 50 anos de cultura popular em Brasília; Rodas de Prosa (com mestres Reiseiros);
Danças típicas: Catira, Lundu, Curralera, São Gonçalo, Sussia, Tambor;
Presépios; comidas típicas, artesanatos e produtos agroindustriais; Fazenda
Modelo e após as modas, arrasta pé com músicos foliões.

* ATENÇÃO: PROGRAMAÇÃO SUJEITA A ALTERAÇÕES INFORMAÇÕES: 61 3301 8598 - 3301 5888 -

**www.encontrodefoliadereis.com.br*<http://www.encontrodefoliadereis.com.br/>

Solidariedade ao povo haitiano

Estamos sendo bombardeados de imagens da triste realidade do sofrimento do povo haitiano, aqui não vou repeti-las, quero apenas registrar a minha solidariedade ao povo haitiano, na espera que este supere lamentável situação!

Indico também:

Um sítio com uma proposta concreta para enfrentar esta realidade: transformar que o investimento bélico brasileiro no Haiti em investimento social humanitário.

E também indico duas instituições que arrecadam recursos para serem enviados ao Haiti: Caritas e Conlutas.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Ando Devagar...

Esta é meio velha, batida, tocada demais, usada demais...

Mas também expressa bem um sentimento:

Ando Devagar
Almir Sater

Ando devagar porque já tive pressa,
E levo esse sorriso, porque já chorei demais,
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe,
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei, ou
Nada sei, conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs.
É preciso amor pra puder pulsar, é preciso paz
Pra poder sorrir, é preciso a chuva para florir.

Penso que cumprir a vida, seja simplesmente
Compreender a marcha, ir tocando em frente,
Como um velho boiadeiro, levando a boiada
Eu vou tocando os dias pela longa estrada, eu vou,
Estrada eu sou, conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maças,
É preciso amor pra puder pussar, é preciso paz
Pra poder sorrir, é preciso a chuva para florir

Todo mundo ama um dia, todo mundo chora,
Um dia a gente chega, no outro vai embora,
Cada um de nos compõe a sua história, cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz, e ser feliz,
conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maças,
É preciso amor pra puder pussar, é preciso paz
Pra poder sorrir, é preciso a chuva para florir

Ando devagar porque já tive pressa,
E levo esse sorriso, porque já chorei de mais,
Cada um de nos compõe a sua história, cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz, e ser feliz

ouvir

domingo, 10 de janeiro de 2010

Neste video, um soldado americano faz um depoimento muito forte contra a Guerra e contra os governos americanos que construiram estas guerras, massacrando outros povos e também os seus próprios jovens que são colocados como bucha de canhão nas frentes de batalha.

Clique na imagem! Ou no link abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=hPxTtvr5N58&feature=player_embedded

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Unidos da Lona Preta: batucada do povo brasileiro


"O que esta experiência propicia são novas relações sociais. Sentimentos de pertença e sorrisos infantis que participam e se alegram. Politização pela arte e arte politizada. Expressão cultural e reivindicação expressa de novos tempos. Encontro de pessoas e pessoas que se encontram na própria origem". Por Tiarajú - Mestre de Bateria


Foi Candeia quem avisou: outra escola de samba é possível. Eram meados da década de 1970, e as escolas de samba já haviam entrado no circuito da mercantilização e na ditadura do visual. Processos estes que, com o passar do tempo, viriam a se aprofundar. Candeia, bom sambista que era, não gostou. Fundou ele mesmo uma escola de samba, a G.R.A.N. Quilombo, cujo objetivo principal era defender a participação do povo com suas manifestações culturais dentro das escolas de samba.

Passadas algumas décadas, é da mão daqueles que pensam que outra sociedade é possível, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, que se articula um outro formato de escola de samba: a Unidos da Lona Preta.

Fundada em 2005, a Unidos da Lona Preta surge com o objetivo de congraçamento militante, de festejo compromissado. Num tempo de desesperança, de indivíduos individualizados, percebia-se como o encontro e o fazer coletivo são elementos fundamentais para a construção do reconhecimento de pertença e o auto-reconhecimento enquanto classe. E de fato, o samba desde sempre fundamentou esse reconhecimento. Eis que a Unidos da Lona Preta se consolida. E apesar das dificuldades, existe bravamente.

Em meados do ano de 2008, percebe-se a necessidade de realizar um salto qualitativo no âmbito dessa expressão cultural. Algumas mudanças ocorrem: os ensaios passam a ser realizados na Comuna Urbana Dom Hélder Câmara, em Jandira, que passa a ser a sede e referência da escola; os ensaios de bateria passam a ter regularidade; forma-se uma roda de samba, a Comuna do
samba; inicia-se um processo de formação que envolve samba, literatura e política; buscam-se apoios e fazem-se rifas para a compra de mais instrumentos; envolvem-se jovens de todos os assentamentos e da vizinhança da Comuna Urbana; convidam-se aliados do MST para participar das atividades. Tantas mudanças, somadas à empolgação e ao desejo de concretizar o esforço coletivo culminaram na confecção de um samba-enredo coletivo, o já famoso Avante Juventude, e, por fim, no apoteótico desfile de 20 de fevereiro de 2009, com 500 pessoas tomando festivamente as ruas de Jandira.

Mas o carnaval, como sempre, passou… todos e todas dormiram depois da festa, e ao acordar, o mundo seguia igual, com suas mazelas, injustiças e misérias. O sucesso do processo coletivo até o carnaval e do próprio desfile eram irrefutáveis. Mas era necessário ir mais além. A Unidos da
Lona Preta passa a pensar o mundo e a pensar-se com mais rigor. Era necessário entender esse estar no mundo. Dúvidas surgem, dilemas se colocam. O próprio processo nos perguntava para onde caminhar. Como o samba, com muitos instrumentos, mas sem ser instrumentalizado, ensaia a bateria e o processo de transformação social? Como a arte se coloca no mundo, questionando-o para além do simbolismo estético? Seria possível aliar poesia e porrada?

Tantas perguntas oriundas de tanto fazer… e as respostas vão se apresentando aos poucos, como as rimas perfeitas para o desenlace das estrofes.

A Unidos da Lona Preta não faz samba-festinha, faz samba-luta. Arte popular não é indústria cultural assim como cuíca não é teclado. Nosso grupamento carnavalesco é uma escola de samba, e não um bloco. Mas então - perguntaram-nos alguns - para ser escola de samba terão que
ter dinheiro, brilho e mulher pelada? A resposta foi rápida e simples: quem disse que escola de samba é somente o pastiche visual vendido pela transmissão da televisão? E quem disse que as escolas de samba sempre foram entremeadas por financiamentos e hierarquias? Hoje as escolas de samba têm um formato que de fato não é o que mais propicia a participação popular. É uma totalidade contraditória assim como nossa sociedade. Mas quando a Unidos da Lona Preta deixa de se pensar como escola de samba é porque aceita que só existe o formato hegemônico atual para essa expressão cultural. Então vamos disputar o conceito sim, porque a Unidos da Lona
Preta ensina samba, então é escola de samba. E ponto final.

Nosso samba é resistência, mas não fica nesse reducionismo romântico. O samba é ataque e contra-ataque também. Tabelinha bem feita na entrada da área e chute certeiro no ângulo. Olhem a proliferação de amantes do gênero. Percebam a existência de rodas de samba nos quatro cantos e quatro ventos. Verifiquem a quantidade de comunidades do samba que surgiram nos últimos anos em toda São Paulo, fenômeno social derivado justamente da mercantilização das escolas de samba. Percebam que mesmo mercantilizadas, industrializadas e financeirizadas, as escolas de samba seguem lotadas e mantendo comunidades próprias (apesar da TV e das modelos…). Quadro complexo companheiros… samba não quer compadecimento de ninguém porque, concretamente, não precisa.

Para o carnaval de 2010, a Unidos da Lona Preta afinou ainda mais seus instrumentos político-percussivos. Uma série de debates com batucadas sobre a denominada Questão Urbana será o manancial fértil para a composição coletiva do samba enredo. A idéia é que todos e todas as
participantes se apropriem do tema a ser cantado e contado. Este processo visa fazer diferente do processo de confecção do desfile das escolas de samba atuais, que é alienado e alienante uma vez que não permite que o seu produtor, ou seja, o compositor, o ritmista e o folião, se aproprie do produto final de sua própria produção cultural. Hoje em dia, o participante de uma escola de samba executa um projeto por outro construído, ou seja, alheio a si mesmo, e sendo apenas parte de um todo que este produtor não tem possibilidade de entender e acessar. Todo esse processo descrito vincula-se também à própria profissionalização do carnaval e ao caráter competitivo do mesmo, o que se desdobra na dependência das escolas com relação às ligas e aos patrocínios que
condicionam o fazer artístico. Na tentativa de defender a liberdade de expressão e manifestação artística, a Unidos da Lona Preta optou também por não participar de concursos nem fazer parte de ligas de escolas de samba. Pois é compas, como podem notar, fazer samba-militante é cansativo, exige decisões, escolhas, mas é mais gratificante também.

No fundo, o que esta experiência propicia são novas relações sociais. Sentimentos de pertença e sorrisos infantis que participam e se alegram. Politização pela arte e arte politizada. Expressão cultural e reivindicação expressa de novos tempos. Encontro de pessoas e pessoas que se encontram na própria origem. Candeia já tinha avisado: um povo sem passado é um povo sem futuro. E nós, humildemente, mas convictos, vamos fazendo nossa parte.

Unidos da Lona Preta, a luta fazendo o samba; o samba fazendo a Luta.