quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Governo vai distribuir nas escolas públicas CD-ROM sobre ditadura

O Globo

Publicada em 27/12/2010 às 23h02m

Evandro Éboli

BRASÍLIA - No apagar das luzes da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governo decidiu ensinar aos estudantes de escolas públicas como eram os porões da ditadura, como funcionava a repressão e como se davam as torturas. O conteúdo dessa aula sobre as vítimas da repressão - incluindo a lista e a biografia dos 384 desaparecidos políticos - está reunido no CD-ROM "Direito à memória e à verdade", que será distribuído aos cerca de 7,2 milhões de estudantes de ensino médio das escolas públicas do país. O material foi produzido pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos e pelo Ministério da Educação (MEC).

O documento digital é um dos mais completos arquivos com registros daquele período: são 10.505 imagens e trechos de 380 filmes e documentários. Há até a inclusão de 4.892 canções que marcaram a ditadura, de 1964 a 1985. O CD-ROM mostra o que ocorria nos teatros, na TV e na imprensa do Brasil e do mundo.

"Objetivo é reflexão sobre aquele tempo"

O documento foi encomendado pelo governo ao Projeto República, um centro de documentação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), coordenado pela historiadora Heloísa Starling. Um dos responsáveis pela concepção do CD-ROM, o historiador Augusto Carvalho Borges afirmou que o objetivo é ir além da biografia das vítimas da ditadura.

- O propósito é mostrar as histórias compartilhadas, não só individuais, fragmentadas. Ao registrar o que ocorria ao mesmo tempo no cinema, no teatro, nas artes plásticas, permite-se uma reflexão sobre aquele tempo. É um tema delicado, sabemos, mas que exige ser amplamente visitado - disse Augusto Borges.

Os alunos terão acesso a imagens de tortura, de militantes de esquerda mortos e de manifestações e a trechos de documentários, muitos desconhecidos no país. É o caso de uma cena do ex-delegado do Dops Sérgio Fleury sendo condecorado por militares. A imagem faz parte do filme "Você também pode dar um presunto legal", de Sérgio Muniz, realizado durante a ditadura e concluído no exílio.

Material digital quer dar visibilidade ao passado

O CD-ROM inclui parte do conteúdo do livro "Direito à memória e à verdade", lançado pela Secretaria de Direitos Humanos em 2007 e que causou polêmica nas Forças Armadas

Os ministros Fernando Haddad (Educação) e Paulo Vannuchi (Direitos Humanos), autores do projeto, afirmaram na apresentação do CD-ROM que o livro foi "mais um passo no reconhecimento, pelo Estado brasileiro, de sua responsabilidade nas graves violações aos direitos humanos ocorridas durante os anos do regime militar". Sobre o CD, os ministros disseram: "Estamos, ambos ministros, convencidos de que somente dando visibilidade aos fatos ocorridos em nosso passado recente poderemos ajudar na construção da memória nacional e contribuir ativamente na construção de nosso futuro".

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Os telegramas do Wikileaks, a mídia e o MST

23 de dezembro de 2010

Por Igor Fuser - Jornalista e professor*
Especial para a Página do MST


Os jornais brasileiros divulgaram na semana passada referências ao MST feitas em telegramas sigilosos enviados nos últimos anos por diplomatas estadunidenses no Brasil aos seus superiores em Washington e revelados pela rede Wikileaks. Algumas reflexões podem ser feitas a partir da leitura desse material.

1. A imprensa empresarial brasileira manteve nesse episódio sua habitual postura de hostilidade sistemática ao MST, apresentado sempre por um viés negativo, e sem direito a apresentar o seu ponto de vista. Para os jornais das grandes famílias que controlam a informação no país, como os Marinho e os Frias, o acesso a vazamentos da correspondência diplomática representou a chance de lançar um novo ataque à imagem do MST, sob o disfarce da objetividade jornalística. Afinal, para todos os efeitos, não seriam eles, os jornalistas, os responsáveis pelo conteúdo veiculado, e sim os autores dos telegramas.

Desrespeitou-se assim, mais uma vez, um princípio elementar da ética jornalística, que obriga os veículos de comunicação a conceder espaço a todas as partes envolvidas sempre que estão em jogo acusações ou temas controvertidos. Uma postura jornalística honesta, voltada para a busca da verdade, exigiria que O Globo, a Folha e o Estadão mobilizassem seus repórteres para investigar as acusações que diplomatas dos EUA no Brasil transmitiram aos seus superiores. Em certos casos, nem seria necessário deslocar um repórter até o local dos fatos. Nem mesmo dar um telefonema ou sequer pesquisar os arquivos. Qualquer jornalista minimamente informado sobre os conflitos agrários está careca de saber que os assentados no Pontal do Paranapanema mencionados em um dos telegramas não possuem qualquer vínculo com o MST. Ou seja, os jornais que escreveram sobre o assunto estão perfeitamente informados de que o grupo ao qual um diplomata estadunidense atribui o aluguel de lotes de assentamento para o agronegócio não é o MST. O diplomata está enganado ou agiu de má fé. E os jornais foram desonestos ao omitirem essa informação essencial.

Esse é apenas um exemplo, revelador da postura antiética da imprensa em todo o episódio. Se os vazamentos do Wikileaks mencionassem algum grande empresário brasileiro, ele seria, evidentemente, consultado pela imprensa, antes da publicação, e sua versão ganharia grande destaque. Já com o MST os jornais deixam de lado qualquer consideração ética.

2. A cobertura da mídia ignora o que os telegramas revelam de mais relevante: a preocupação das autoridades estadunidenses com os movimentos sociais no Brasil (e, por extensão, na América Latina como um todo). Os diplomatas gringos se comportam, no Brasil do século XXI, do mesmo modo que os agentes coloniais do finado Império Britânico, sempre alertas perante o menor sinal de rebeldia dos “nativos” nos territórios sob o seu domínio. Nas referidas mensagens, os funcionários se mostram muitos incomodados com a força dos movimentos sociais, e tratam de avaliar seus avanços e recuos, ainda que, muitas vezes, de forma equivocada. O “abril vermelho”, em especial, provoca uma reação de medo entre os agentes de Washington. Talvez por causa da cor... A pergunta é: por que tanta preocupação do império estadunidense com questões que, supostamente, deveriam interessar apenas aos brasileiros?

3. O fato é que o imperialismo estadunidense é, sim, uma parte envolvida nos conflitos agrários no Brasil. Essa constatação emerge, irrefutável, no telegrama que trata da ocupação de uma fazenda registrada em nome de proprietários estadunidenses em Unaí, Minas Gerais, em 2005. Pouco importa o tamanho da propriedade (70 mil hectares, segundo o embaixador, ou 44 mil, segundo o Incra). O fundamental é que está em curso uma ocupação silenciosa do território rural brasileiro por empresas estrangeiras. Milhões de hectares de terra fértil – segundo alguns cálculos, 3% do território nacional – já estão em mãos de estrangeiros. O empenho do embaixador John Danilovich no caso de Unaí sinaliza a importância desse tema.

4. Em todas as referências a atores sociais brasileiros, os telegramas deixam muito claro o alinhamento dos EUA com os interesses mais conservadores – os grandes fazendeiros, os grandes empresários dos municípios onde se instalam assentamentos, os juízes mais predispostos a assinarem as ordens de reintegração de posse.

5. Por fim, o material veiculado pelo Wikileaks fornece pistas sobre o alcance da atuação da embaixada e dos órgãos consulares dos EUA como órgãos de coleta de informações políticas. Evidentemente, essas informações fazem parte do dia-a-dia da atividade diplomática em qualquer lugar no mundo. Mas a história do século XX mostra que, quando se trata dos EUA, a diplomacia muitas vezes funciona apenas como uma fachada para a espionagem e a interferência em assuntos internos de outros países. Aqui mesmo, no Brasil, fomos vítimas dessa postura com o envolvimento de agentes dos EUA (inclusive diplomatas) nos preparativos do golpe militar de 1964. À luz desses antecedentes, notícias como a de que o consulado estadunidense em São Paulo enviou um “assessor econômico” ao interior paulista para investigar a situação dos assentamentos de sem-terra constituem motivos de preocupação. Será essa a conduta correta de um diplomata estrangeiro em um país soberano?

*Professor da Faculdade Cásper Líbero, doutorando em Ciência Política na USP e membro do conselho editorial do Brasil de Fato.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

FATOS EM FOCO

A coluna que abomina o peleguismo e apóia a combatividade
dos movimentos sociais e dos sindicatos de trabalhadores.
Leia o jornal
BRASIL DE FATO
FATOS EM FOCO

Hamilton Octavio de Souza

CONDENAÇÃO

A Corte Interamericana da OEA acaba de divulgar o resultado do julgamento no qual o Estado brasileiro é responsabilizado pela morte de 70 militantes do PCdoB e camponeses durante a Guerrilha do Araguaia. Ao contrário do Supremo Tribunal Federal, que estendeu a lei da anistia aos torturadores e assassinos, a OEA deixou claro que a anistia não vale para quem não foi condenado. O Brasil precisa se explicar!

SEM NATURA

A indústria de cosméticos Natura promove sua imagem como sendo a de uma empresa política e ambientalmente correta, mas na prática não é bem assim: segundo denúncias dos trabalhadores ela demitiu, na última semana de novembro, em Cajamar (SP), 30 empregados com problemas de LER - lesão por esforço repetitivo - e outras doenças ocupacionais. Primeiro provoca a doença, depois manda para a rua! Cadê o Ministério do Trabalho?

MANOBRA JUDICIAL

Conhecido desde os anos 70 como o político mais corrupto do Brasil, o empresário Paulo Maluf foi pego pela Lei da Ficha Limpa no início da campanha eleitoral deste ano, mas ainda pode ter seus votos validados e assumir uma cadeira na Câmara dos Deputados. O Tribunal de Justiça de São Paulo revogou decisão anterior que o condenava. Só falta agora o TSE o inocentar. Será a desmoralização total da Lei da Ficha Limpa!

BOLHA CRESCENTE

Apesar de toda a euforia consumista da “classe média ampliada” e da venda recorde de carros e outros produtos parcelados, o Ibedec e a Serasa-Experian alertam que a inadimplência do consumidor cresceu 3,5% em novembro em relação a outubro, que é a maior alta mensal registrada desde 2005, e que mais de 60% das famílias estão endividadas, sendo que 9% não conseguirão pagar suas dívidas nos próximos meses. Será mesmo?

SAÚDE PRIVATISTA

Setores médicos e da saúde no Estado de São Paulo prometem realizar manifestações até que o Projeto de Lei 45/10 seja rejeitado pela Assembléia Legislativa. Não é para menos, já que o projeto do governador autoriza a venda de serviços públicos do SUS para planos de saúde particulares. É uma forma de aumentar a privatização da saúde utilizando os recursos e os equipamentos públicos. É muita cara de pau!

VIOLÊNCIA URBANA

Milhares de famílias que moram em áreas ocupadas de Belo Horizonte (MG), a maioria há mais de dez anos, estão em pânico com a nova investida da prefeitura e das autoridades estaduais. O risco de despejo é iminente, já que existem interesses poderosos de olho nessas áreas, tanto para especulação imobiliária quanto para a realização de obras relacionadas com a Copa do Mundo de Futebol. Os pobres que se danem!

POSSE IMEDIATA

Dezenas de movimentos sociais e entidades de direitos humanos encaminharam ao governo federal o pedido para que seja expedido imediatamente o Contrato de Concessão do Direito Real de Uso das reservas de Canavieiras (BA), criada em 2006, e do Canto Verde (CE), criada em 2009, para legitimar a posse das comunidades. Sem a conclusão do processo as duas áreas continuam degradadas pelos grupos econômicos.

REPARO HISTÓRICO

Por unanimidade a 7ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo confirmou a aprovação das contas da administração da prefeita Luiza Erundina relativas a 1991, que haviam sido contestadas pelo Tribunal de Contas do Município e pela Câmara Municipal em processo com “procedimento viciado”. Na verdade, Erundina sofreu a mais terrível perseguição política durante anos e só agora a Justiça está sendo restabelecida.

IMPÉRIO VAZADO

Muito do conteúdo existente nos documentos secretos veiculados pelo site WikiLeaks não é novidade e nem surpreende, mas serve para confirmar suspeitas e reafirmar que é sempre prudente desconfiar da atuação do governo e das grandes corporações dos Estados Unidos. O maior exemplo disso veio a público no caso do pré-sal, quando o lobby das petroleiras tentou interferir no sistema brasileiro de exploração. Até quando?

*****

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

RJ: relendo A Flor e a Nausea


A FLOR E A NÁUSEA

Preso à minha classe e a algumas roupas,
vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjôo?
Posso, sem armas, revoltar-me?
Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.
Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.
Uma flor nasceu na rua!
Vomitar esse tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornais
E soletram o mundo, sabendo que o perdem.
Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.
Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.
Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.
Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.


Foto: Urbano Erbiste, do JB

Poesia: Carlos Drummond de Andrade

domingo, 12 de setembro de 2010

Participação eleitoral é participação política de fato?

Em anos eleitorais no Brasil, questionamentos sobre a qualidade dos
políticos sempre vêm à tona. E junto a dúvidas e críticas aos políticos
profissionais, surge a discussão sobre a qualidade da nossa democracia.

O que é democracia, afinal? Sabemos que nosso sistema pouco ou nada tem
a ver com as ideias originais de democracia antiga, mas sociedades
industriais de massa do século 21 em geral não podem, nem devem, se
comparar a democracias diretas de cidades-estado europeias antes de
Cristo. A escala geográfica e populacional dos atuais estados nacionais
não permite que escapemos à representação política, que transforma a
participação em uma atividade indireta, de delegação de poder. E como
delegar implica confiar, temos diante de nós uma crise de relação entre
representantes e representados: como confiar em políticos que não são
dignos de confiança e não inspiram respeito?

Se a representação é inescapável a grandes territórios e populações,
resta qualificar os vínculos dos representados com os políticos,
fortalecendo a sociedade em suas capacidades de se informar, criticar,
fiscalizar e cobrar. No século 19, o pensador liberal John Stuart Mill
já dizia que o representante é consequência do voto dos eleitores, ou
seja, talvez não adiante usar camisetas do tipo “tenho vergonha do
Congresso Nacional”. O Congresso não está separado de nós. Mesmo que
sejamos parte de uma minoria, também integramos a sociedade que
conduziu esses políticos aos cargos. E pagamos os tributos que os
sustentam.

Em uma democracia representativa, ou “poliarquia”, nos termos de Robert
Dahl, a força da base representada começa na fiscalização de mandatos e
na capacidade de interferir nas ações dos políticos durante os mandatos.
Reduzir a própria participação ao momento eleitoral é insuficiente.
Refletindo sobre isso, Albert O. Hirschman, na obra De consumidor a
cidadão, mostra a imagem de um cidadão entre uma urna e uma arma,
observando o poder da universalização do sufrágio como forma de luta,
ou como meio de tornar os cidadãos passivos.

O voto pode ser uma forma de luta? Contemporâneo de Mill, o
revolucionário Karl Marx responderia que sim, desde que o voto
correspondesse a uma lógica de classe, o que raramente acontece no
Brasil. Marx dizia que uma das formas de se enxergar as contradições do
capitalismo e das relações sociais que dele derivam é justamente pela
esfera política. Segundo ele, sociedades capitalistas dividem os
indivíduos em duas lógicas mutuamente excludentes. Uma delas é
solidária e defende a cidadania, unindo todos ao redor do bem-estar
geral da nação. Mas esses mesmos indivíduos, por seu lado, estão
cotidianamente imersos em uma lógica individualista e desagregadora de
mercado, que os incentiva a ser competitivos e enfatiza o “cada um por
si”, como se a vida em sociedade, do ponto de vista econômico, fosse
sempre predatória. Assim, o mesmo sujeito que é companheiro de nação é
também potencial inimigo no mercado de trabalho.

Falando em dicotomias, se voltarmos mais ainda no tempo, Aristóteles,
que nunca analisou sociedades capitalistas de massa como a nossa, mas
já tratava de um ethos republicano que até hoje sobrevive, dizia que a
boa política é impessoal e prioriza o público, e a má política é
personalista e prioriza o privado. Ou seja, a solução estaria em não
deixar a lógica material privada contaminar a esfera política (em
termos concretos, a má política diz respeito a utilizar cargos de
governo em favor de si, enchendo o próprio bolso com verbas públicas e
oferecendo cargos e recursos à família e aos amigos).

Quanto disso é atual ou faz sentido para nós, hoje, no Brasil? Se nos
sentirmos parte da realidade política, sem julgá-la como algo estranho
a nós, é possível que aos poucos nos sintamos mais responsáveis por uma
política que não conduzimos diretamente, mas que integramos e
possibilitamos que exista por meio de votos e pagamento de tributos.

Quando nos sentimos responsáveis por nossos representantes, a qualidade
da democracia representativa se eleva. Atitudes de cidadania como o
ficha limpa começam a surgir, e a legitimação da comissão permanente de
legislação participativa pode tornar os processos mais céleres, desde
que confiemos em nossos representantes congressuais. O que, muitas
vezes, não tem sido o caso, mas é algo que pode mudar.

Paola Novaes Ramos
Professora de teoria política do Instituto de Ciência Política da
Universidade de Brasília

sábado, 11 de setembro de 2010

Militante do MST fala sobre execução em Bragança - PA

Jose Valmeristo Soares, o Caribe, uma das lideranças do acampamento Quintino Lira, foi assassinado na sexta feira dia 03 de setembro. Segundo lideranças do MST no PA, a três anos tanto Caribe, quanto outras lideranças do Acampamento, vinham sofrendo ameaças por parte dos donos da Fazenda Cambárá, Deputado Federal Josué Bengstson (PTB) hoje candidato a Câmara Federal, e seu filho Marcos Bengstson, descrito pelas lideranças do movimento como o “gerente” da fazenda.

O FAOR em Foco conversou com João Batista Galdino – Sobrevivente da execução em Santa Luzia, e transcreve abaixo o seu relato sobre os fatos.

“Nos recebemos uma intimação (trata-se de uma ação que o MST move contra a PM do Pará por um despejo ilegal realizado no acampamento) na quarta feira para comparecer na sexta feira em Santa Luzia (PA) às 09 da manhã. Quando foi na sexta feira nos saímos (Caribe e eu) por volta de 07:30h do “Pau de Remo”. Quando chegamos na Bela vista, o carro do pistoleiro, o carro do Marcos Bengstson tava lá na Bela Vista. Fizeram o retorno e acompanharam a gente. Chegou lá numa ponte, eles tomaram a frente da moto, jogaram a pistola e os 38 em cima da gente. Daí paramos e eles fizeram nós entrar no carro. Nós íamos pra Santa Luzia prestar depoimento. Eles disseram:

“Pode deixar que nós vamos, vai dar tempo de dar o depoimento de vocês lá em Santa Luzia.

Quando chegamos na BR 316, ele desceu pro Cacoal, município de Bragança (PA). Quando chegou em Cacoal ele andou mais uns 8Km e entrou num ramal, ai ele agarrou e perguntou se o “Caribe” era o Zé Inácio.

“Não eu sou o Caribe”.

Daí o sobrinho do Chequetão disse:

“Ah! Safado é tu mesmo que ta me mirando”.

Daí deu três tapas na coxa dele. Dai nos fomos neste ramal. Quando chegou na beira de um lago ele disse:

“Aqui acabou o caminho agora nós vamos conversar para vocês não mexerem mais com quem tem dinheiro”.

Ai o Caribe disse:

“Não Rapaz vamos conversar”.

E ele disse:

“O tempo pra conversar já passou. Agora desce do carro”

Nós descemos do carro, um com dois 38 e o outro com uma pistola. Daí ele mandou nós em uma capoeira. Nós entramos na capoeira, de quatro pés. Abaixados. Daí eu vi um sororocal e eu cai dentro do sororocal correndo e eles atirando. Daí eu cai na água, cai na água descendo por água abaixo. Daí eu subi em uma ribanceira, e quando eu cheguei lá na frente eles deram mais 04 tiros. Daí eu cheguei em uma vilazinha, conversei com o pessoal e foram pra Bragança ligar porque lá não pegava o telefone. Minhas coisas eles levaram tudo. Levaram moto, meus dois celulares, minha mochila. Quando foi de cinco e meia pra seis horas a polícia de Santa Luzia chegou para me pegar. Ai eu disse que era pra nós irmos lá buscar o corpo, pois eu sabia mais ou menos onde estava o corpo do rapaz. O policial perguntou:

“Você tem certeza?”

Eu disse:

“Tenho certeza, pois o cara quando faz assim, ele vem pra matar”.

O Rapaz deu gasolina para a polícia de Santa Luzia e a Polícia de Santa Luzia não foi. A PM.

Daí nós fomos pra Santa Luzia. Chegando lá nós fomos para a delegacia para fazer a ocorrência. Daí eu voltei para a minha casa e liguei para a família do finado. Daí foi que eles disseram que daí a pouco estava chegando. Quando foi umas nove horas da noite chagaram sete motos Daí perguntaram se eu estava preparado para acompanhar eles até o local onde tinha acontecido.

Daí eu disse:

“Tô”.

Daí nos fomos a delegacia e chamemos a polícia, de novo, para acompanhar a gente,para remover o corpo. Ele disse que não (ia) pois eles estavam muito cansados e que não poderiam ir.

Daí nós arrumemos oito motos e nós fomos, até lá no acontecido.

Dez horas da manhã, achamos o corpo dele. Daí o rapaz foi, o sogro dele e disse:

“Olha, é melhor não mexer no corpo dele. O rapaz ta morto é melhor esperar o IML chegar pra remover.”

Daí disseram:

“Aqui não é filho de cachorro não. Nós chamamos muitas vezes a polícia e ela não veio. Vamos botar na garupa da moto e vamos levar. (O corpo de Caribe foi amarrado ao corpo de um motociclista e assim chegou até a cidade.)

Assim nós fizemos, assim nós trouxemos o corpo do rapaz.

E que mandou matar foi o Marcos Bengstson. “


Marquinho Mota
Assessoria de Comunicação - Rede FAOR
(91) 32614334 - FAOR
(91) 8268 4457 - Belém

Pai da Iamã, da Anuã e do Iroy
Assessoria à Rádios Comunitárias
Viva os Nossos Rios, Vivos e sem Barragens!!!

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Encontro Internacional de Mulheres e Povos das Américas contra a Militarização

Comissão Pastoral da Terra

Encontro Internacional de Mulheres e Povos das Américas contra a Militarização

Colômbia, 16 a 23 de agosto de 2010

Convocatória e Declaração das mulheres e dos povos das Américas

A Colômbia se vestiu de rostos de mulher, rostos de meninas e crianças, de rostos de homens; os rostos dos povos, que cheias e cheios de esperanças, sonhos, experiências, luta e resistências, participamos, vindos de países como Argentina, Paraguai, Brasil, Peru, Equador, Venezuela, El Salvador, Honduras, Haiti, Guatemala, Cuba, México, Estados Unidos, Canadá, Espanha, França, Itália, Bélgica, Alemanha; e também de vários cantos da Colômbia, de seus estados e de suas regiões, como Nariño, Cauca, Vale, Huila, Chocou, Antioquia, Tolima, Cundinamarca, Bogotá, Magdalena Medio, Bolívar, Santander, Norte de Santander, Arauca, Atlântico; alegremente do Encontro Internacional de Mulheres e Povos das Américas contra a Militarização, entre os dias 16 e 23 de agosto.

Este encontro vê hoje mais do que nunca, como a ameaça de guerra mundial ressoa e se impõe já em diferentes geografias, e a humanidade no meio da encruzilhada para sua sobrevivência e a de outras formas de vida ainda existentes. Este encontro se realiza em um momento no qual o imperialismo norte-americano está desenhando e executando estratégias agressivas de recolonização, para se reposicionar e tratar de recuperar a grande crise de seu sistema capitalista. O espoliamento das riquezas dos povos e a violação aos direitos humanos, usando mão da militarização, são o caminho que definiram, e para isso utilizam os meios de comunicação em massa como arma ideológica e cultural.

A Colômbia é um extenso território com riquezas minerais, petróleo, fontes de energia, água, biodiversidade, flora, fauna, saber tradicional e ancestral dos povos indígenas, negros e camponeses; hoje, é muito cobiçado e explorado pelas empresas transnacionais que só se interessam por seus vergonhosos e inumanos ganhos, para o qual encorajam e fortalecem estes processos de militarização, guerra, desenraizamento, usurpação e morte, daninhos aos povos e seus territórios; esta lógica dominante está sendo estendida e aplicada em toda nossa a América.

O país é formado por uma grande diversidade de povos indígenas, afrodescendentes, mestiços, comunidades camponesas e povoações urbanas, cansadas da guerra e da violência que afeta o país há mais de 50 anos, e que causou quatro milhões e meio de desalojadas e desalojados, e milhares de pessoas assassinadas, desaparecidas e presas. Estas comunidades e povos resistem de maneira valente e criativa, através de processos de soberania de corpos, territórios e alimentos; afirmando-se nas suas próprias e diversas identidades organizativas, culturais, espirituais e de cosmovisão; propondo como eixo a unidade e a busca de implementação da vida digna, de autonomia, autodeterminação e soberania.

As mulheres, protagonistas destes processos, foram e seguem sendo a fortaleza de seus povos, apesar de seguir recebendo o impacto direto da violência, da pobreza, da exclusão e da discriminação, que no caso dos conflitos sociais, políticos, econômicos e armados significa exploração, miséria, violações sexuais, violação à sua liberdade sexual, e a outros direitos humanos básicos, implementando, também, o desenraizamento, a perseguição e a morte.

O encontro possibilitou que se organizassem missões humanitárias de solidariedade para diferentes regiões do país, que permitiram o intercâmbio de experiências, vivências e reflexões entre os participantes e as mulheres, os povos, as comunidades rurais e urbanas colombianas. Nestas visitas se pôde não só entender a realidade concreta, mas dar-lhe rosto e nomes, conhecer aqueles e aquelas que enfrentaram o projeto da militarização e a resistência nos seus territórios e vidas cotidianas, e também os interesses econômicos e geoestratégicos que defendem. Esta oportunidade permite à comunidade internacional continuar denunciando a terrível violação aos direitos humanos, que na Colômbia adquire níveis de perversão em práticas como os falsos positivos, que são vinculações de pessoas inocentes com elementos que justifiquem o assassinato e carceragem, o desaparecimento forçado, e o deslocamento. Com esses fatos, o que se demonstra é que neste país não se está vivendo o pós-conflito, como hoje o assegura o governo.

Durante dois dias foram trocadas experiências de resistência das mulheres e dos povos da Colômbia e do continente; se denunciou o impacto da militarização; se reafirmou a convicção de que estamos cansadas e cansados da opressão, da exploração e da cultura de morte do capitalismo patriarcal e racista.

A partir deste Encontro, com o ânimo coletivo de justiça, respeito e solidariedade continental, falamos ao mundo para reiterar nosso compromisso como mulheres e povos contra a militarização, e nos posicionamos para:

- Lutar por justiça para as mulheres e que se pare a violência, a intimidação, o controle e a utilização das mulheres como bota de guerra.
- Rejeitar com energia a estratégia imperialista dos Estados Unidos para militarizar as vidas, territórios e desejos, na busca por controlar as riquezas dos países e as consciências. Dizemos Fora Bases Militares ianques da América Latina e do Caribe.
- Rejeitar a presença de bases norte-americanas em nossos países e territórios exigindo sua retirada imediata.
- Lutar contra a ingerência de exércitos de ocupação, como a MINUSTAH em Haiti.
- Lutar pelo fechamento das bases militares em toda nossa Abya Ialá, contra os mega projetos de energia, exploração petroleira, mineraria, privatização da água, e a usurpação de territórios que favorecem hoje as grandes empresas transnacionais.
- Rejeitar a ameaça iminente de intervenção militar na Costa Rica, com mais de 7000 efetivos militares e 46 navios de guerra dos Estados Unidos.
- Rejeitar as tentativas de desestabilizar o governo legítimo e as provocações reiteradas contra o povo da República Bolivariana da Venezuela.
- Reiterar nossa solidariedade com a resistência nacional de Honduras, aglutinada no FNRP, que empregam sua política e ação para o projeto de refundação nacional, e na imediata convocação da Assembleia Nacional Constituinte Popular e Democrática. Para isso chamamos, também, os governos, estados e povos do mundo a não reconhecer o regime de Porfírio Lobo, que é o mantenedor do golpe de estado e das políticas de violação aos direitos humanos contra o povo hondurenho, que se mantém em luta.
- Repudiar a criminalização da luta dos povos, que significa morte e repressão contra mulheres e homens e seus processos organizativos.
- Rejeitar a política anti-imigrante que hoje se impõe nos Estados Unidos, fortalecendo a luta contra o muro.
- Rejeitar a nomeação de Álvaro Uribe Vélez para a comissão de inquérito pelo crime cometido com as brigadas de solidariedade com o povo palestino pelo governo israelense.
- Continuar na luta pela liberação dos cinco irmãos cubanos, hoje presos injustamente em prisões dos Estados Unidos.
- Respaldar a ação na República do Congo, da Marcha Mundial de Mulheres para o dia 17 de outubro.
- Acolher o dia 10 de dezembro, como o dia de luta continental contra as bases militares estrangeiras.
-Acolher a Declaração da Assembleia dos Movimentos Sociais, no IV Fórum Social das Américas realizado no Paraguai. Igualmente, a Declaração do I e II Encontros Hemisféricos contra a Militarização de Chiapas e Honduras.
- Nos comprometemos a dinamizar e impulsionar o IV Encontro continental hemisférico contra a militarização.
- Nos vinculamos à Campanha contra a militarização que se articula continentalmente.

Para o caso colombiano chamamos e propomos ao continente e já ao mundo:
- Manter firme a proposta de solução política e negociada ao conflito social e armado interno que possui a Colômbia.
- Fortalecer e reconstruir os movimentos sociais como sujeitos políticos fundamentais para a paz
- Impulsionar, dinamizar e apoiar a organização das mulheres e dos povos, desde o local, regional, nacional e internacional, na recuperação da memória pela verdade, pela justiça, pela reparação e pela não repetição.
- Incentivar a unidade, o fortalecimento da consciência, a organização, a comunicação alternativa e a mobilização como elementos importantes de autonomia luta e resistência.
- Participar e acompanhar a realização do Congresso dos Povos, convocado desde o Mutirão Nacional de Resistência Social e Comunitária, para os dias 8 a12 de outubro de 2010.

Hoje reafirmamos nosso compromisso pela vida digna, a defesa de nossos territórios, da soberania, autonomia, autodeterminação, cultura e ancestralidade. Como movimentos sociais entendemos que a luta contra a militarização e as bases militares é um pilar fundamental para a paz.

Meu corpo é minha casa
Minha casa é meu território
Meu território é minha pátria
Minha pátria é meu continente.

Colômbia, Barrancabermeja - 23 de agosto de 2010.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Em defesa do MIS Campinas

Um projeto em andamento pretende transferir o Museu da Imagem e do Som de Campinas de sua atual sede, no Palácio dos Azulejos, para transformá-lo em sala de visitas do poder executivo. O prédio faz parte do patrimônio histórico da cidade e graças a reinvindicações da sociedade civil, o MIS ali se instalou e, para além da noção comum de Museu, não conta somente com um rico acervo, mas desenvolve diversas atividades junto a comunidade. É uma lástima perder esse espaço público e deixar pra trás tantas conquistas.

Contra essa atitude de descaso do poder público e essa frágil política cultural, esta rodando a seguinte Petição:
http://www.miscampinas.com.br/peticao_online.php

Se simpatizarem com a causa, por favor, assinem! Se possível, divulguem!


Para saber mais: http://cultcps.blogspot.com/2010/08/em-defesa-do-mis-campinas.html

terça-feira, 17 de agosto de 2010

E sobre o Urânio produzido no Brasil?

Nos últimos anos, muito se discutiu sobre as intenções da produção de Urânio no Irã e o papel do Brasil na solução do embate. Fiquei curioso e fiz uma pesquisa sobre a produção de Urânio no Brasil e recebi alguns materiais de amigos baianos e resolvi denunciar.

Protesto de moradores das comunidades próximas à usina de extração de urânio em Caetité, onde nove poços foram lacrados

MARTA SALOMON
ENVIADA ESPECIAL A CAETITÉ (BA) - Folha de São Paulo, 07/02/2010

De seu quintal, Tiago
Alves dos Santos, 60, avista a única mina de urânio em atividade no país, origem da matéria-prima para o combustível das usinas nucleares de Angra dos Reis.
Ao alcance de
sua vista também está o resultado de dez dias de falta d"água na região.

O papel no poço lacrado informa: "contaminação por urânio acima dos limites permitidos pelo Ministério da Saúde".

Desde a interdição do poço, a prefeitura distribui água apenas para beber e cozinhar.

"Os bezerros não podem beber, não posso molhar os pés de planta", diz Tiago, um dos cerca de 3.000 moradores da área de influência da mina de urânio.

Em três meses, nove poços próximos à unidade da estatal INB (Indústrias Nucleares do Brasil) em Caetité, sertão da Bahia, foram fechados por causa do alto índice de radioatividade, até 47 vezes o limite legal.

Os laudos que apontam contaminação por urânio são do órgão estadual Ingá (Instituto de Gestão das Águas e Clima). Num raio de 20 km da mina, os poços começaram a ser pesquisados no final de 2008, quando um deles foi fechado.

Desde então, Caetité vive uma guerra de informação, que prejudica produtores, atemoriza parte da população de 46 mil habitantes e põe em xeque a retomada do programa nuclear brasileiro pelo governo federal.

"Tecnicamente, [os dados] estão errados", afirma Odair Gonçalves, presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear, órgão federal responsável pela fiscalização do setor.

Ele diz que amostras de água chegaram ao Ipen (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares) sem identificação de origem e podem ter sido manipuladas. "Vamos refazer a análise nos mesmos poços."

O exame periódico do nível de radiação da água é obrigação da INB. Até hoje, em dez anos de funcionamento da mina de Caetité, a estatal nuclear afirma não ter detectado resultados acima dos limites legais.

Documento da INB de 2004 admite que a água da região pode apresentar índices elevados de urânio, mas alega que seria sinal da presença natural e inofensiva do metal -e não resultado da atividade mineradora.

O instituto do governo baiano não culpa diretamente a estatal, por ora. Informa que somente no segundo semestre será possível aferir a origem do urânio encontrado na água.

Caso o urânio tenha vazado da mina, a atividade da unidade de Caetité poderá ser suspensa. De lá saem 400 toneladas por ano de concentrado de urânio, conhecido como "yellow cake".

"A água era bem clarinha; podia estar bebendo veneno sem saber", diz Raimar Alves, presidente da associação de Barreiro, um dos povoados afetados, em meio a um ato contra a contaminação, na quarta passada.

A estatal nuclear e a comissão de energia nuclear insistem em que a exposição ao urânio natural não fazem mal. "Dois anos de trabalho na mina equivalem à radiação de um raio-X dentário", afirma Hilton Mantovani, gerente da unidade.

Estudo contratado pela própria INB, porém, cita a ocorrência de tumores e malformações congênitas como doenças "que podem ser relacionadas com a exposição à radioatividade". A avaliação dos impactos da mineração na saúde da população de Caetité levará cinco anos para ser concluída.

Impressões
"Existem casos de câncer, mas não posso dizer que seja diferente de outras áreas nem que não há risco", afirma a secretária de Saúde local, Cyntia Marq
ues. Para a superintendente de vigilância e proteção à Saúde do governo da Bahia, Lorene Louise Pinto, vale a precaução: "Pelo risco potencial, a tolerância tem de ser zero".

As neoplasias são a segunda causa de morte no país, atrás das doenças do aparelho circulatório. Nos registros de Caetité, uma a cada três mortes ocorre por "mal desconhecido".

"Tem pessoas que a gente percebe que poderiam ter câncer, mas o atestado dá causa desconhecida", diz Ademário da Silva, morador de Maniaçu, a 12 km da mina. Na quarta, ele engrossou protesto no fórum de Caetité, onde corre processo por calúnia aberto pela INB contra o padre da cidade, Osvaldino Alves Barbosa.

A estatal considerou ofensivos comentários do padre na divulgação, em 2008, de um relatório da ONG Greenpeace, o primeiro documento a falar em contaminação na região. A INB quer que o padre se retrate. Ele se recusa e cobra que a saúde da população seja monitorada.

Mais informações: Ciclo do Perigo

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

DESIGUALDADE SOCIAL NO BRASIL

Frei Betto

Relatório da ONU (Pnud), divulgado em julho, aponta o Brasil como o terceiro pior índice de desigualdade no mundo. Quanto à distância entre pobres e ricos, nosso país empata com o Equador e só fica atrás de Bolívia, Haiti, Madagáscar, Camarões, Tailândia e África do Sul.

Aqui temos uma das piores distribuições de renda do planeta. Entre os 15 países com maior diferença entre ricos e pobres, 10 se encontram na América Latina e Caribe. Mulheres (que recebem salários menores que os homens), negros e indígenas são os mais afetados pela desigualdade social. No Brasil, apenas 5,1% dos brancos sobrevivem com o equivalente a 30 dólares por mês (cerca de R$ 54) O percentual sobe para 10,6% em relação a índios e negros.

Na América Latina, há menos desigualdade na Costa Rica, Argentina, Venezuela e Uruguai. A ONU aponta como principais causas da disparidade social a falta de acesso à educação, a política fiscal injusta, os baixos salários e a dificuldade de dispor de serviços básicos, como saúde, saneamento e transporte.

É verdade que nos últimos dez anos o governo brasileiro investiu na redução da miséria. Nem por isso se conseguiu evitar que a desigualdade se propague entre as futuras gerações. Segundo a ONU, 58% da população brasileira mantém o mesmo perfil social de pobreza entre duas gerações. No Canadá e países escandinavos este índice é de 19%.

O que permite a redução da desigualdade é, em especial, o acesso à educação de qualidade. No
Brasil, em cada grupo de 100 habitantes, apenas 9 possuem diploma universitário. Basta dizer que, a cada ano, 130 mil jovens, em todo o Brasil, ingressam nos cursos de engenharia. Sobram 50 mil vagas... E apenas 30 mil chegam a se formar. Os demais desistem por falta de capacidade para prosseguir os estudos, de recursos para pagar a mensalidade ou necessidade de abandonar o curso para garantir um lugar no mercado de trabalho.

Nas eleições deste ano votarão 135 milhões de brasileiros. Dos quais, 53% não terminaram o ensino fundamental. Que futuro terá este país se a sangria da desescolaridade não for estancada?

Há, sim, melhoras em nosso país. Entre 2001 e 2008, a renda dos 10% mais pobres cresceu seis vezes mais rapidamente que a dos 10% mais ricos. A dos ricos cresceu 11,2%; a dos pobres, 72%. No entanto, há 25 anos, de acordo com dados do IPEA, este índice não muda: metade da renda total do Brasil está em mãos dos 10% mais ricos do país. E os 50% mais pobres dividem entre si apenas 10% da riqueza nacional.

Para operar uma drástica redução na desigualdade imperante em nosso país é urgente promover a reforma agrária e multiplicar os mecanismos de transferência de renda, como a Previdência Social. Hoje, 81,2 milhões de brasileiros são beneficiados pelo sistema previdenciário, que promove de fato distribuição de renda.

Mais da metade da população do Brasil detém menos de 3% das propriedades rurais. E apenas 46 mil proprietários são donos de metade das terras. Nossa estrutura fundiária é a mesma desde o Brasil império! E quem dá emprego no campo não é o latifúndio nem o agronegócio, é a agricultura familiar, que ocupa apenas 24% das terras mas emprega 75% dos trabalhadores rurais.

Hoje, os programas de transferência de renda do governo - incluindo assistência social, Bolsa Família e aposentadorias - representam 20% do total da renda das famílias brasileiras. Em 2008, 18,7 milhões de pessoas viviam com menos de π do salário mínimo. Se não fossem as políticas de transferência, seriam 40,5 milhões. Isso significa que, nesses últimos anos, o governo Lula tirou da miséria 21,8 milhões de pessoas. Em 1978, apenas 8,3% das famílias brasileiras recebiam transferência de renda. Em 2008 eram 58,3%.

É uma falácia dizer que, ao promover transferência de renda, o governo está “sustentando vagabundos”. O governo sustenta vagabundos quando não pune os corruptos, o nepotismo, as licitações fajutas, a malversação de dinheiro público. Transferir renda aos mais pobres é dever, em especial num país em que o governo irriga o mercado financeiro engordando a fortuna dos especuladores que nada produzem. A questão reside em ensinar a pescar, em vez de dar o peixe. Entenda-se: encontrar a porta de saída do Bolsa Família.

Todas as pesquisas comprovam que os mais pobres, ao obterem um pouco mais de renda, investem em qualidade de vida, como saúde, educação e moradia.

O Brasil é rico, mas não é justo.

Frei Betto é escritor, autor de “Cartas da Prisão” (Agir), entre outros livros. www.freibetto.org -Twitter:@freibetto

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Venezuela negocia plano de paz e acusa EUA de insuflar guerra

Carta Maior

O chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, esteve reunido com o presidente Lula segunda-feira (26), durante breve viagem ao Brasil. O seu roteiro, que inclui paradas no Paraguai, Uruguai e Argentina, faz parte de uma iniciativa da Venezuela de articular um plano de paz permanente com a Colombia. Em entrevista ao site Opera Mundi, Maduro reiterou que seu governo deseja ter as melhores relações com o governo colombiano e acusou os Estados Unidos de serem o “pano de fundo” da crise.

O chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, esteve reunido com o presidente Lula na noite desta segunda-feira (26/7), durante breve viagem ao Brasil. Antes de continuar seu roteiro, que inclui paradas no Paraguai, Uruguai e Argentina, concedeu entrevista exclusiva ao Opera Mundi. Revelou a intenção de seu governo em articular um “plano de paz permanente com a Colombia” e analisou a escalada da crise entre as duas nações andinas.

Maduro reiterou que seu governo “deseja ter as melhores relações com o governo colombiano”. Mas foi contundente ao afirmar que, diante de qualquer ação agressiva da administração Uribe, a Venezuela irá responder com “medidas extremas de proteção”. Também acusou os Estados Unidos de serem o “pano de fundo” da crise e repetiu o alerta do presidente Chávez, de que o fornecimento de petróleo e derivados será suspenso em caso de qualquer ataque colombiano. Confira, a seguir, a íntegra da entrevista.

Qual o objetivo da sua visita ao Brasil?

Foi uma visita relâmpago, para trazer uma mensagem pessoal do presidente Chávez ao governo brasileiro, além de oferecermos mais informações sobre as ameaças do governo colombiano contra a Venezuela. O presidente Lula teve o gesto honroso de nos receber. Apresentamos os esboços do plano que vamos levar à Unasul (União das Nações Sul-Americanas), que se reúne na próxima quinta-feira em Quito, focado na necessidade de plano de paz permanente para a região. A guerra civil na Colômbia extravasou suas fronteiras e ameaça a segurança das nações andinas.

Mas quais são as propostas centrais desse plano?

Estamos em processo de consultas. Vamos apresentá-lo formalmente na quinta-feira. Não queremos adiantar os detalhes neste momento porque acreditamos que deve ser muito discutido previamente à sua apresentação na quinta-feira, para que ganhe viabilidade. Mas temos insistido que a corrida armamentista que está acontecendo na Colômbia há varias décadas, particularmente a partir do Plano Colômbia, e agora com as bases militares norte-americanas, leva a um transbordamento da violência daquele país na direção dos países vizinhos. Queremos encerrar essa situação com um plano de paz que possa superar a guerra na Colômbia, que já causou um ataque, em março de 2008, ao território do Equador e que representa uma ameaça permanente à revolução democrática na Venezuela.

O senhor avalia que a crise entre os dois países pode levar a um conflito militar?

É isso que queremos evitar. Já estamos em conflito político e diplomático contra uma doutrina que causou os ataques ao Equador. Uma doutrina que viola o direito internacional em relação à soberania e à inviolabilidade territorial dos países. Faremos todos os esforços para impedir seu desdobramento militar. Mas repudiamos a agressão diplomática do governo colombiano e defenderemos nosso território diante de qualquer tentativa de violação.

Após a eleição de Juan Manuel Santos para presidir a Colômbia, parecia que as relações com a Venezuela poderiam entrar em distensão. A que o senhor atribui a súbita mudança de situação?

Temos que relembrar que o presidente Chávez, no dia 14 de julho, anunciou o desejo de normalizar relações diplomáticas com a Colômbia, determinando que eu procurasse a futura chanceler do país vizinho para tratarmos dos termos de reaproximação. No dia seguinte apareceram notícias, na imprensa colombiana, de que o presidente Uribe apresentaria provas contundentes de presença guerrilheira em território venezuelano. A partir daí foi deslanchada campanha intensa contra nosso governo, repercutindo também na mídia internacional, por meio da CNN e outras empresas de comunicação. Uma semana depois o embaixador colombiano foi à OEA (Organização dos Estados Americanos) e passou horas ofendendo o presidente Chávez e nossas instituições democráticas. Mostrou umas fotos e simplesmente afirmou que guerrilheiros estavam escondidos na Venezuela, sem provar nada. O presidente Uribe parece movido pelo interesse de manter seu espaço como chefe dos grupos mais conservadores e belicistas de seu país. Não tivemos outra opção que não o rompimento das relações diplomáticas.

Mas o próprio presidente Chávez disse que os grupos paramilitares e guerrilheiros de fato cruzam as fronteiras venezuelanas.

Nós somos vítimas da guerra colombiana há 60 anos. Temos quatro milhões de colombianos vivendo na Venezuela, foragidos de guerra. E por que não voltam para a Colômbia? Porque se sentem inseguros, enquanto na Venezuela, a partir do governo Chávez, reconhecemos seus direitos ao trabalho e à seguridade social, ao progresso e à proteção do Estado. Nessas décadas todas fomos constantemente invadidos por guerrilheiros, paramilitares e narcotraficantes, que se apropriaram de terras nossas. Mas usamos nossas formas armadas e policiais, comandadas pelo presidente Chávez, e hoje todos os 2,3 mil quilômetros que temos de fronteira com a Colômbia estão livres da produção de drogas ou laboratórios de processamento. Foi um esforço que fizemos no combate também aos grupos armados. Mas esses quilômetros de fronteiras estão abandonados pela Colômbia. É muito difícil que não soframos mais risco de invasões enquanto não acabar a guerra na Colômbia.

O presidente Chávez anunciou que, se houver agressão militar da Colômbia contra a Venezuela, haverá medidas contra os EUA.

O presidente Chávez há muito tempo denuncia a agressiva movimentação norte-americana contra a Venezuela, com o apoio da Colômbia. As sete bases instaladas na Colômbia estão estrategicamente voltadas contra nosso território, para não falar na reativação da 4ª Frota e outras medidas. Não temos dúvidas de que existe uma estratégia elaborada pelo Pentágono e pelo Departamento de Estado norte-americano para recuperar a hegemonia política que os EUA perderam na região por conta do avanço das correntes progressitas. Todas essas provocações da Colômbia e todas essas intenções agressivas têm, como pano de fundo, esse plano norte-americano. Se a Venezuela for agredida, tomaremos medidas de proteção, a começar pelo cancelamento do comércio de petróleo e derivados com os EUA.

O senhor não acha que a postura de seu governo pode aprofundar a tensão?

Nós queremos ter as melhores relações com o governo da Colômbia e estamos trabalhando nesse sentido. Mas não se pode continuar essa campanha permanente contra o chefe de estado, as instituições e a democracia venezuelana. A revolução bolivariana tem de ser respeitada assim como o governo da Colômbia. Queremos voltar a desenvolver o comércio, os investimentos conjuntos, o intercâmbio em todas as áreas -- cultural, energética etc. Mas a partir de uma retificação profunda, do respeito mútuo e absoluto. Se isso não existir, não temos como fazer o diálogo avançar.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Vale ameaça e comunidade pede socorro

Moradores da "Chapada do A", município de Anchieta (ES) não lutam contra o Progresso, mas pelos seus direitos!





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Danilo Augusto,
de São Paulo, da Radioagência NP,

Os moradores da comunidade Chapada do A, localizada no município de Anchieta (ES), estão sofrendo pressão da mineradora Vale. A empresa pretende retirar da região 65 famílias que moram na comunidade. O objetivo da companhia (privatizada no ano de 1997) é construir no local a Companhia Siderúrgica de Ubu (CSU), que deve produzir cinco milhões de toneladas de ferro por ano.

A Vale pretendia comprar as propriedades das famílias, mas em um plebiscito, os moradores votaram contra a proposta de venda de suas propriedades. Muitas famílias são descendentes de indígenas e vivem no local há mais de 80 anos. O presidente da associação Chapada do A, Jozias Pereira, relata a atual situação vivida pelos moradores:

“Aqui todo mundo tem seu terreno, sua propriedade e eles querem deslocar a gente para outro bairro. Dizem que vão dar uma casa para morarmos, mas o pessoal não aceita e tem toda a razão. Estamos com medo, pois todos sabem que a Vale é muito grande e uma comunidade com 60, 70 famílias perto da Vale, é coisa pequena. Estamos em uma situação muito difícil aqui e precisamos de ajuda. As terras dos quatro lados da nossa comunidade já pertencem à empresa.”

Ainda segundo Josias, a Vale já instalou dentro da comunidade um escritório. Segundo ele, os moradores estão sendo pressionados com visitas de funcionários da empresa que dizem que os moradores devem sair ou serão expulsos pelo empreendimento.

A Vale já é proprietária de uma área de mais de 78km² no município. Segundo o líder comunitário, muitas famílias de comunidades vizinhas não resistiram à pressão e já venderam suas terras.

Com informações do site Século Diário




Produtos da Reforma Agrária em SP

O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), por meio do assentamento Irmã Alberta, de Perus, na Grande São Paulo, estará no Ay Carmela vendendo produtos que foram produzidos no assentamento, no próximo domingo (25/7).

Serão verduras, legumes, frutas entre outros produtos que, além de serem fruto da luta pela terra, possuem qualidade (são orgânicos e cultivados sem agrotóxicos) e ótimos preços. Ou seja, você poderá comprar produtos saudáveis, baratos e contribuir com a luta popular brasileira.

Além disso, essa “mini-feira” de produtos do MST acontecerá no mesmo dia do tradicional almoço do Ay Carmela. Os interessados poderão aproveitar também para almoçar no espaço, que oferece comida vegetariana ao preço de R$ 10,00 por pessoa (almoço com salada e suco incluídos).

Não deixe de contribuir!

Mini-Feira de Produtos do MST (Assentamento Irmã Alberta)
Domingo: 25/07/2010
Horário de venda dos produtos: das 10h às 14h (o almoço é às 13h)
Local: Ay Carmela (Rua das Carmelitas 140 – próximo ao metrô Sé, São
Paulo. Contatos: tel. 11 31044330 Call e e-mail ay-carmela@riseup.net).

Realização: Organização Popular Aymberê (OPA)
www.opaymbere.wordpress.com

quarta-feira, 21 de julho de 2010

DF: A terra é pública, deveria ser nossa


Hoje, 20 de Julho de 2010, confirmaram-se os boatos que ontem fizeram com que nos movêsse-mos até a sede administrativa da Terracap: O despejo veio.

Veio com a truculência de quem não quer conversa, de quem não se importa, de quem não dá a mínima para o fato de serem famílias inteiras de seres humanos e não animais os que ocupavam a área que agora está de novo livre para não servir pra nada, livre para não produzir nada.

Não apenas um despejo, um outro se seguiu. O que nos retirou do prédio da Terracap onde manifestávamos nossa revolta pacificamente e onde buscávamos uma alternativa diferente de apenas ser lançado no olho da rua.

Novamente a truculência foi a linguagem que substitui qualquer negociação decente.

Centenas de famílias agora caminham, enquanto escrevemos este comunicado, algumas apenas com a roupa do corpo – tudo o que o tempo concedido pela polícia lhes permitiu retirar de seus barracos. Caminham rumo ao edifício do Ministério das Cidades. Carregam, no entanto, essas famílias, o que de mais valioso possuíam, carregam a dignidade de quem ousa, a coragem de quem não apenas espera e a força de quem luta e constrói com a força dos próprios braços, somados a outros de irmãos e irmãs, o dia que vem.

“Não haverá negociação enquanto estiverem no terreno!” dizia o engodo do Sr Rogério Rosso, governador. Agora também o engodo está provado, não há negociação alguma, alternativa alguma, solução alguma.

Há policiais a nos rodear, há famílias sem suas coisas e coisas por aí, jogadas como lixo sem seus donos.

Mas há também nossa perspectiva, isso há. Nos manteremos aqui enquanto pudermos, exigiremos tudo deste governo que não concede nada. Concessão, não! A terra é pública, deveria ser nossa.

Por ela lutaremos e esperamos, aqui, diante deste edifício, a solidariedade de todos e, se preciso for, a coragem de todos para o confronto que poderá vir, não por vontade nossa; se vier será pela absoluta e completa falta de alternativa. A culpa e a responsabilidade pelo que pode vir a acontecer está nas mãos dos senhores do poder, do governo federal, do Sr. Rogério Rosso, governador e do Sr. Dalmo, presidente da Terracap.

Edson (61) 8195-6510

Zezito (61) 8198-7078

Praça Médici nunca mais


A universidade, como espaço de livre pensamento, sempre foi um foco de construção democrática e de fomento de uma nova realidade, pautada na liberdade e na justiça. Por meio da ação de diversos de seus atores – e nem sempre institucionalmente – tem cumprido ao longo da história um importante papel na defesa das liberdades civis e dos Direitos Humanos, em sua resistência contra a opressão e à violência. Logo, é absurdo constatar que uma praça no principal campus da Pontifícia Universidade Católica de Campinas eternize a memória do general Emilio Garrastazu Médici, o general dos anos de chumbo da ditadura militar, responsável pelo endurecimento das perseguições políticas e pela efetiva implementação do nefasto Ato Institucional n°5 (AI 5), responsável por mortes, desaparecimentos forçados e torturas de presos políticos. Assim, dentro dos preceitos da Justiça de Transição, e em reconhecimento à resistência de diversos integrantes da Igreja que esta universidade representa, entendemos ser de plena justiça a homenagem à Frei Tito de Alencar Lima, histórico lutador e consequente vítima do regime ditatorial, cujas torturas o levaram ao suicídio. Leia integralmente e assine aqui a petição em linha Praça Médici nunca mais.
Enviado por Maria Carolina Bissoto. Charge de Carlos Latuff. A propósito, confira a nova página de charges de nosso site dedicada ao Latuff.

Xingu, o sangue da nossa sobrevivência

Companheiros e companheiras.

O Movimento dos Atingidos por Barragens historicamente tem resistido contra a construção de barragens e lutado pela garantia dos direitos dos atingidos.

Com a ameaça de Belo Monte, mais uma vez se faz necessário e urgente denunciar que a água e a energia não são mercadorias e que a vida do povo e do meio ambiente deve ser respeitada.

Neste sentido, produzimos o vídeo: “Xingu, o sangue da nossa sobrevivência”, que retrata a luta e a resistência dos povos do Xingu contra Belo Monte. O vídeo foi dirigido e editado pelo cineasta italiano Andrea Rossi, diretor do filme “O Chamado do Madeira”.

O lançamento será no Rio de Janeiro, às 20 horas do dia 22 de julho (Escola de Educação Física, UFRJ – Ilha do Fundão). Convidamos a todos e a todas para que participem de mais este ato de manifestação pública contra Belo Monte.

O vídeo pode ser acessado pelos links abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=jgEcU5N_VSk I Parte
http://www.youtube.com/watch?v=3ENk1q5g6gg II Parte
http://www.youtube.com/watch?v=Eog_SjVHql4 III Parte
http://www.youtube.com/watch?v=LPmVic8yxiQ IV Parte final

Em defesa da Amazônia, não à Belo Monte!
Águas para vida, não para morte!

Setor de Comunicação
Movimento dos Atingidos por Barragens

terça-feira, 20 de julho de 2010

I Feira de Troca de Saberes da Economia Solidária e Agricultura Familiar do DF


Dias: 31 de julho e 01 de agosto de 2010. - Sábado e Domingo
Local: Clube da imprensa
SCEN Trecho 01 lote 01 - (Atrás da Vila Planalto) - Brasília - DF


A feira, expõe:

- Artesanato,
- Alimentos orgânicos
- Produtos da agricultura familiar,

além de propostas de materiais reciclados, roupas e acessórios.

O intuito é trocar saberes através de oficinas, palestras e shows compreendendo uma diversidade de práticas econômicas e sociais.

A feira estará aberta das 14h à 00h no sábado, com oficinas culturais, massagens, dança e festa de encerramento.

No dia seguinte, 1. de agosto, o dia começa com a familiar e tradicional feira de domingo com produtos da economia solidária e agricultura familiar do DF

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Ocupação MTST - Movimento dos Trabalhadores sem Teto - Brazlândia

Por Camila Hemétrio Valadares

Aos 16 de julho de 2010, por volta das 22:00, foi iniciada em Brazlândia-DF, uma operação de ocupação de terra, liderada pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto. A reivindicação do Movimento é por moradia e a área ocupada é pública e possui histórico de grilagem por parte de uma empresa de transporte.

Os moradores de Brazlândia reivindicam a referida área pelo fato de que a maioria deles está vivendo em condições precárias, pagando aluguéis caríssimos ou morando de favor; além disso, a especulação imobiliária é altíssima e não existem políticas públicas habitacionais de encontro às suas demandas.

A ocupação veio num momento oportuno, em pleno período de campanha eleitoral; também atualmente se discute a questão do limite da propriedade de terras no Brasil; e existem outras causas importantes a serem relembradas, como a grave situação dos índios do Setor Noroeste diante das grandes construtoras invadindo seus espaços, e o agravamento da situação dos indígenas acampados na Esplanada dos Ministérios, exigindo a revogação do Decreto 7.056/09, que extingue vários postos e administrações regionais da Funai - Fundação Nacional do Índio e a exoneração imediata de Márcio Meira, seu atual Presidente.

Diante do descaso do Governo em relação a uma discussão sobre políticas habitacionais para a população em situação de vulnerabilidade social, é relevante viabilizar a abertura de espaços para o tratamento e ecaminhamento das questões de moradia e renda para a população, em caráter emergencial.

O Movimento reivindica a utilização da área para habitações de interesse social, possibilitando o atendimento aos Trabalhadores Sem Teto da cidade de Brazlândia.

O Movimento agradece a presença das seguintes entidades e apoiadores da causa: Partido PSTU através de Rodrigo Dantas, candidato a Governador do Distrito Federal e Robson Raymundo, candidato a Senador; Sindicato Sindmetrô, através do diretor Solano Teodoro, Sindicato Sindáguas, Movimento Conlutas, MTD - Movimento dos Trabalhadores Desempregados, Assembléia Popular, Associação Viver e estudantes.

Acompanhe o Blog do Movimento dos Trabalhadores sem Teto do Distrito Federal: http://mtstdf.blogspot.com/

Prorrogada as Inscrições para a 3ª Mosta Luta!

INSCRIÇÕES PRORROGADAS ATÉ 20/08

A Mostra Luta! é uma mostra nacional de vídeos, fotografias, poemas e quadrinhos que exibe e debate as lutas travadas contra a exploraçãoe a opressão capitalista. Organizada pelo Coletivo de Comunicadores Populares, a 3ª Mostra Luta! ocorrerá em Campinas, e de forma itinerante em outras cidades do Brasil, abrindo novamente espaço para a expressão de todas e todos que não têm acesso aos meios de difusão de suas lutas e ideais. A Mostra Luta! é mais um instrumento para romper o silêncio imposto pela grande mídia, concentrada nas mãos de uma minoria, e para difundir aquilo que não passa na TV, nos jornais, nas revistas: nossas lutas contra a exploração, a miséria, a concentração de renda e terra, contra todas as formas de opressão, contra o monopólio dos meios de comunicação e a mercantilização da cultura e da arte, contra a progressiva perda de direitos e a criminalização dos que buscam lutar por esses direitos.

Inscrições abertas de 17 de maio a 20 de agosto.

Para se inscrever acesse: http://mostraluta.org
Venha mostrar sua luta!

Chávez quer isentar empresas comunitárias de impostos

JC Online

A Assembleia Nacional venezuelana deve aprovar nesta terça-feira (29) o projeto de lei do Sistema Econômico Comunitário, que prevê a isenção de impostos e prioridade em licitações a empresas comunitárias. A medida é criticada pela oposição, já que a economia do país enfrenta uma fase de queda de arrecadação.

O governo de Hugo Chávez tenta estruturar um modelo socialista de Estado no qual os meios de produção ficarão nas mãos do Poder Popular e serão isentas de encargos fiscais. De acordo com o projeto, os lucros dessas empresas devem ser reinvestidos na comunidade “para continuar cumprindo com o processo produtivo”.

A empresa comunitária é diferente de uma cooperativa, considerada pelo governo chavista uma instituição capitalista. As organizações comunitárias são formadas por assembleias de cidadãos e o Estado lhes dá suporte para o sistema de produção.

A aprovação final do projeto deve sair em agosto. Com o fortalecimento do setor, o governo tenta enfraquecer o setor privado antes das eleições legislativas de setembro. A votação é fundamental para que o presidente mantenha a capacidade de aprovar leis que consolidem o que ele chama de “socialismo do século 21”.

Fonte: Agência Estado

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Juíz pede 1 milhão para Usina Catende


É preocupante e lamentável que o Juíz Silvio Romero Beltrão, responsável direto pela Massa Falida da Usina Catende, queira tirar vantagem de um momento tão sofrrido e tõa grave para as pessoas e famílias da Mata sul de Pernambuco, por ocasião da grande enchente de junho passado. Esta situação não pode servir de pé de cabra para abrir janelas e portas do tesouro nacional em benefício dos usineiros do Norte e Nordeste. Muito menos para receber o dinheiro das 4.300 famílias assentadas no Assentamento Governador Miguel Arraes, que é um projeto coletivo e o maior e mais produtivo do Estado . Seria bom e necessário esclarecer primeiro, onde foram aplicados os R$ 9 milhões que sacou da 7ª Vara da Justiça Federal ano passado e porque não devolveu na safra 2009/2010 como havia divulgado. E ainda esclarecer o não pagamento dos R$ 13 milhões de cana moida dos assentados e da Coperativa Catende Hrmonia e que em decorrência disso, 982 famílias assentadas estão no SPC, por não terem recebido o dinheiro do seu produto, cana de açúca, moída na usina catende, com o qual pagariam R$ 7 milhões do Pronaf A/C de custeio, ao Banco do Brasil.

Seria bom esclarecer também, a quebra na produção e produtividade da cana dos assentados em mais de 40% para a próxima safra, por falta de tratos culturais, adubação e replantio. Como não pagaram o custeio de 2009, tornaram-se inadimplentes, depois de 8 safras consecutivas pagando Pronaf em dia. Desta forma, não puderam renovar os créditos de custeio e a administração judicial da Massa Falida de Catende apropriou-se indevidamente do dinheiro dos assentados, que são os mesmos credores históricos demitidos em 1993 e os mesmos que pediram a falência da usina com o objetivo resolver os seus problemas trabalhistas e construir vidas dignas nas terras

desapropriadas da Massa Falida da Usina Catende em 2006, para fins de Reforma Agrária. Desde a desapropriação das terras que os trabalhadores pedem o fim da falência. Afinal de contas, são 15 anos de lutas, espera e sofrimento. O juíz da falência não deveria transformar os credores históricos da falência de Catende em trabalhadores devedores e pendurados no SPC.
Entendo que nenhum trabalhador de Catende quer se aproveitar da enchente para levar vantagem, pois em agosto de 2000 enfrentaram uma cheia de proporção quase igual a essa. em 2002 enfrentaram um incêndio terrível e conseguiram sobreviver e estavam se recuperando e recuperando a produção e a produtivividade agricola e industrial. Catende poderá ter vida longa e dígna, se trilhar pela autogestão e pela economia solidária.

Sr Jamildo, jornalista e editor deste blog, peço que divulgue este comentário. Se possível, na íntegra.