terça-feira, 24 de novembro de 2009

Ética e política

A “ética” neoliberal se reduz às virtudes privadas dos indivíduos. Ignora a visão de institucionalidade ética. Assim, reforça a atitude paralisante do moralismo, que reduz a ética a uma ilusória perfeição individual. Ora, se a sociedade é estruturada, a ética é imprescindível para configurarmos o mundo histórico. Portanto, a ética exige uma teoria política normativa das instituições que regem a sociedade. Como acentua Marilena Chauí, não basta falar em ética na política. A crítica às instituições geradoras de injustiças e negadoras de direitos exige uma ética da política. Criar espaços de criação de novos direitos. As instituições devem garantir a toda a sociedade a justiça distributiva - a partilha dos bens a que todos têm direito -, e a justiça participativa, a presença de todos – democracia – no poder que decide os rumos da sociedade.


O grande desafio ético hoje é como criar instituições capazes de assegurar direitos universais. Isso supõe uma ruptura com a atual visão pós-moderna, neoliberal, de fragmentação do mundo e exacerbação egolátrica, individualista. Ainda que o ser humano tenha defeito de fabricação, o que o Gênesis chama de “pecado original”, há que se criar uma institucionalidade político-social capaz de assegurar direitos e impedir ameaças à liberdade e à natureza. Isso implica suscitar uma nova cultura inibidora dessas ameaças, assim como ocorre em relação ao incesto, outrora praticado no Egito, sem faltar os exemplos bíblicos.

De onde tirar os valores éticos universalmente aceitos? Como levar as pessoas a se perguntarem por critérios e valores? Hans Küng sugere que uma base ética mínima deve ser buscada nas grandes tradições religiosas. Seria o modo de passarmos das éticas regionais a uma ética planetária. Mas como aplicá-la ao terreno político? Mudar primeiro a sociedade ou as pessoas? O ovo ou a galinha?

Inútil dar um passo atrás e fixar-se na utopia do controle do Estado como precondição para transformar a sociedade. É preciso, antes, transformar a sociedade através de conquistas dos movimentos sociais, e de gestos e símbolos que acentuem as raízes antipopulares do modelo neoliberal. Combinar as contradições de práticas cotidianas (empobrecimento progressivo da classe média, desemprego, disseminação das drogas, degradação do meio ambiente, preconceitos e discriminações) com grandes estratégias políticas.

É concessão à lógica burguesa admitir que o Estado seja o único lugar onde reside o poder. Este se alarga pela sociedade civil, os movimentos populares, as ONGs, a esfera da arte e da cultura, que incutem novos modos de pensar, de sentir e de agir, e modificam valores e representações ideológicas, inclusive religiosas.

"Não queremos conquistar o mundo, mas torná-lo novo", proclamam os zapatistas. Hoje, a luta não é de uma classe contra a outra, mas de toda a sociedade contra um modelo perverso que faz da acumulação da riqueza a única razão de viver. A luta é da humanização contra a desumanização, da solidariedade contra a alienação, da vida contra a morte.

A crise da esquerda não resulta apenas da queda do Muro de Berlim. É também teórica e prática. Teórica, de quem enfrenta o desafio de um socialismo sem stalinismo, dogmatismo, sacralização de líderes e de estruturas políticas. E prática, de quem sabe que não há saída sem retomar o trabalho de base, reinventar a estrutura sindical, reativar o movimento estudantil, incluir em sua pauta as questões indígenas, étnicas, sexuais, feministas e ecológicas.

Neste mundo desesperançado, apenas a imaginação e a criatividade da esquerda são capazes de livrar a juventude da inércia, a classe média do desalento, os excluídos do sofrido conformismo. Isso requer uma ideologia que resgate a ética humanista do socialismo e abandone toda interpretação escolástica da realidade. Sobretudo toda atitude que, em nome do combate à burguesia, faz a esquerda agir mimeticamente como burguesa, ao incensar vaidades, apegar-se a funções de poder, sonegar informações sobre recursos financeiros, reforçar a antropofagia de grupos e tendências que se satisfazem em morder uns aos outros.

O pólo de referência das esquerdas, em torno do qual precisam se unir, é somente um: os direitos dos pobres.


Frei Betto é escritor, autor, em parceria com L.F. Veríssimo e outros, de “O desafio ético” (Garamond), entre outros livros.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Primeiras fotos no DF

Tá, meio turístico, paga pau e tal, mas sei lá aí vai um primeiro registro fotográfico daqui do Planalto Central: Como são fotos minhas, só apareço em uma (onde esta Wally?)







Aqui são algumas fotos de uma feira que eu Danuta visitamos em Formosa, só para ter idéia do meu trampo, quer dizer uma parte legal do meu trampo!






De novo ao turismo, do concreta ao mato, uma bela cachoeira, também em Formosa. Ah, e estrelando a Dan, heheh!





Aqui, foi a pensão que fiquei depois da caso do Chico e antes de mudar para a casa da Lu!



E não podia faltar! Boteco! Bom Depósito Piauí! Aí meu fígado!!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

II Mostra Luta



Programação Completa


A 2ª Mostra Luta! retorna este ano para reafirmar um dos direitos mais básicos do ser humano: o direito à comunicação. De 21 a 28 de novembro, em Campinas, muitos sem-voz falarão, através de vídeos, sobre sua realidade, sonhos e lutas: a luta dos sem-terra, dos sem-teto, das mulheres, do movimento negro, pelo acesso à arte e cultura, pela diversidade sexual, a luta antimanicomial, contra as opressões e as desigualdades sociais, a luta anti-capitalista. Serão oito dias de exibição de filmes e debates, sendo que este ano também teremos mesas de discussão com convidados e uma exposição fotográfica com a mesma temática da mostra. Venha participar! Esperamos que a população de Campinas não se deixe levar pelo silêncio enorme que nos engole e venha ver, com seus próprios olhos, e discutir, com sua própria boca e cabeça, a realidade que não passa na TV. Ajude-nos a Divulgar!


21/11
sábado
22/11
domingo
23/11
segunda
24/11
terça
16h às 18h30 Mesa de Abertura: O vídeo popular no Brasil Sessão 1 Sessão 9 Mesa: Panorama Fotografia e Cinema de Luta
19h30 Sessão de Abertura: Linha de Montagem (presença do diretor Renato Tapajós)
Vídeos convidados Sessão 2 Sessão 3


25/11
quarta
26/11
quinta
27/11
sexta
28/11
sábado
16h às 18h30 Sessão 3 Mesa: A criminalizacao dos movimentos sociais pela midia e a construção de mídias populares Mesa: A luta pela comunicacao no Brasil Sessão 7
19h30 Sessão 4 Sessão 5 Sessão 6 Sessão 8


SESSÂO DE ABERTURA

Linha de montagem (90 min) - O movimento sindical de São Bernardo do Campo entre 1978 e 81, quando se produziram as maiores greves, desafiando a repressão do final da ditadura militar. Debate com a presença do diretor do filme, Renato Tapajós.

SESSÃO 1

Brad, uma noite a mais nas barricadas – (53 min)
Sementes da luta – (14 min)
A Ilusão viaja de Baú e a liberdade de bike – (11min)
Lágrimas de Ogum – (10 min)
O Processo – (8 min)

SESSÃO 2

Cacunda di Librina (31 min)
As Ruas da Cómedia (30 min)
A Casa dos Mortos (24 min)
51° CONUNE 2009 (10 min)

SESSÃO 3

Estudo de Cena: o Capital e a Religião - (34 min)
Cerrado de Milhares Maravilhas – (30 min)
Maria do Paraguaçu – (26 min)
Paris a neve e o sal – (7,5min)

SESSÃO 4

Expedito em busca de outros nortes (75 min)
A Luta Continua (12 min)
Maria sem graça (7 min)
Grito dos excluídos 2008 no RJ (3 min)

SESSÃO 5

Cinema de Quebrada (47 min)
Narrativas da Sé (20 min)
Solidariedade campo-cidade (12 min)
O Caminho da Música (12 min)

SESSÃO 6

Porque lutamos! Resistência à ditadura militar (55 min)
Mulheres e o Mundo do Trabalho (26 min)
Manifesto contra as monoculturas e o deserto verde (6 min)
Primeiro de maio no RJ (3 min)
Favela Sinistra (3 min)

SESSÃO 7

Nova Orleans, mardi gras e o furacão Katrina (5,4 min)
Tempo de Pedra (51 min)
Se me deixam sonhar… (curta metragem convidado – 40 min)
O Punk Morreu? (18 min)

SESSÃO 8

25 anos do MST (58min)
Periferia Ação (33 min)

SESSÃO 9

Zé Pureza (97 min)

SESSÃO DE CONVIDADOS

Caso Shell: O lucro acima da vida (~ 28 min)
1 de Maio – Campinas (5 min)
Última Fronteira (30 min)
Vídeo do Coletivo Anti-Racismo do Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região (35 min)
Acampamento Zumbi dos Palmares (MTST) (11 min)
Ato de luta das mulheres feministas (10 min)

MESA DE ABERTURA

“O vídeo popular no Brasil”
Prof. Luiz Fernando Santoro (USP).

DEBATE

“Panorama Fotografia e Cinema de Luta”
Debatedores: Orestes Toledo e João Zinclar.

MESA REDONDA

“Criminalizacao dos Movimentos Sociais pela Mídia e a construção de Mídias populares”
Entidades convidadas: MST, MTST, TVCOT, Flaskô e Identidade.

MESA REDONDA

“A Luta pela Comunicação no Brasil”
Entidades convidadas: Intervozes, Enecos, Rádio MUDA e Abraço.

Mais Informações: http://mostraluta.org/