quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Solidariedade, luto e luta junto com o MST

Hoje tive a honra de participar do início da Marcha Paulista do MST.

Poderia falar das imagens maravilhosas, da resistência do militante sem terra que encara a luta com total firmeza e amor a sua causa, da participação mesmo que simbólica dos companheiros militantes e apoiadores do movimento, como nós meio tímidos da ITCP/Unicamp.

Mas infelizmente, com muita dor que venho me solidarizar com os familiares de Maria Cícera Neves, 58 anos, militante do Acampamento Rosa Luxemburgo, município de Iaras (280 km da capital).

Nestas horas, palavras não confortam muito, mas quero dizer que o que nos motivar a arriscar as nossas vidas pelas duras caminhadas da luta é entender que precisamos correr estes riscos porque não suportamos viver num mundo tão desigual e opressor. Não marchamos por satisfação ou por prazer, mas por necessidade. Por necessidade de demonstrar para a sociedade que não é mais aceitável a situação de barbárie e miséria que vivemos, onde uma senhora de 58 anos precisa se colocar em movimento, de enfrentar a dura realidade da lona preta e também de se colocar a marchar por longos cinco dias, correndo infelizmente o risco trágico do acidente que levou a sua morte. A reforma agrária não é um discurso, mas uma necessidade concreta de Baixinha, como era conhecida, e também de milhões de brasileiros.

Aos nossos mortos, nem um minuto de silêncio, mas toda uma vida de luta!

Elcio Magalhães

Nota do MST:

Esclarecimento sobre o acidente durante a Marcha de SP

06/08/2009

É com muita tristeza que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra do Estado de São Paulo comunica o falecimento da companheira Maria Cícera Neves, 58 anos. Baixinha, como era conhecida, vivia no Acampamento Rosa Luxemburgo, município de Iaras (280 km da capital).

Ela participava da Marcha Estadual do MST, que saiu hoje de Campinas com destino a São Paulo. Quando a marcha passava pelo quilômetro 79 da Rodovia Anhanguera, um caminhão avançou contra algumas pessoas que caminhavam e acabou atingindo a companheira. Infelizmente, Baixinha não resistiu e faleceu no local.

Não sabemos quais os fatores que causaram o acidente. Mas, o mais importante é saber que a companheira era uma lutadora e permanecerá sempre em nossas mentes e corações. Nada a trará de volta, mas como forma de mantê-la presente em nossa caminhada, a marcha foi batizada como
Marcha Estadual Maria Cícera Neves.

Aos nossos mortos, nem um minuto de silêncio, mas toda uma vida de luta!

Direção Estadual do MST/SP