terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Fotos Carnaval em Cananéia


Entre a natureza e a folia, foi muito legal para conhecer

um pouco da cultura caiçara de Cananéia!!!

Primeiro pela n
atureza...

Barquinho a vela no Mar Pequeno

Rumo a Ilha do Cardoso, adoro barco!!

É o paraíso, olhe que eu não consegui registrar os golfinhos!
Posso contar outra hora, mas lá fiquei conhecido como
encantador de golfinhos.

Nos bares da vida - Pereirinha, Ilha do Cardoso.

Menino corre na imensidão do Mar Pequeno na Ilha do Cardoso!

Apreendendo a pescar. Ensinando a beleza da vida!

Por do Sol na volta civilização!

No caminho de volta a Campinas, na Balsa: Natureza morta ou viva!

agora pela folia...

A cidade se enfeita a muitas cores para a festa da Carne!

Pirei nas máscaras colocadas na rua!mais uma!Ensaio de Afroxé na praça!

Não é Recife! É Cananéia, sim!

maquelele representado!
A garotada segura o samba, com qualidade.

Baqui tibum, tibum!

Samba é no pé!

Na massa, sim, eu estava lá!!
Já diria o poeta:
"Atrás do Trio Elétrico só não vai quem já morreu"
Bão, em Cananéia tava mais para um caminhão de som,
mas o clima estava mais que bom!

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Reflexões sobre o Fórum Social Mundial 2009 / Belém

Belém acolheu entre os dias 27 e 31 de janeiro de 2009, o mega-evento da esquerda mundial: Fórum Social Mundial 2009.

Eu poderia utilizar estas linhas para falar: da grande oportunidade da esquerda em dialogar e construir projetos comuns de enfrentamento ao neoliberalismo, poderia falar das boas oficinas e palestras e, aqui registro, a belíssima fala de Boaventura de Souza Santos em um dos debates, também poderia falar da organização ou da desorganização do Fórum, do mega-encontro entre os presidentes bolivarianos (Evo, Chaves, Ludo e Cortes) seja com Lula seja com a Via Campesina, das festas, da Marcha de Abertura, das atividades de economia solidária, da itcp unicamp, da atuação do meu partido (PSOL) , dos 50 anos da Revolução Cubana, mas, entre outros temas, preferi começar falando do povo de Belém. Mais abaixo, na próxima matéria, fiz uma seleção de fotos que tirei do FSM 2009.

Àqueles que lêem estas laudas e que foram ao Fórum, espero que estes tenham tido a oportunidade de conversar com o povo de Belém. Por que em geral, o FSM fechou as suas portas ao povo daquela cidade e, portanto, estes não tiveram a liberdade de dialogar com o Fórum. Para manter a "órdem" e a "segurança", muitos jovens vizinhos das universidades, sede do Fórum, só puderam observar de fora dos alambrados acadêmicos! Outros nem puderam observar, já que no mês anterior, a cidade recebeu uma forte higienização e mais de 100 pessoas foram suspeitamente assassinadas.

E penso o quanto estes poderiam contribuir no enriquecimento de tudo aquilo que citei e mais um pouco! Não descarto a importância do Fórum e de suas riquezas, mas me revolta tal situação e, por isto, quiz registrar nestas poucas palavras tal sentimento.

O quanto perdemos. A simpatia, o conhecimento popular, a boa vontade, ou melhor, a disposição em receber são as marcas deste povo cabano. Sofrido, palafita, pai-dégua e lutador! Na música: o carimbó e o brega. Na sua colinária: temperos, sabores, cupuaçus, tacacás, tucupis, maniçobas, pupunhas. Na luta: a Cabanagem!

Jovens idealistas, militantes disciplinados, velhos intelectuais e mesmo turistas são separados do povo de Belem por um alambrado! Argh! São as velhas cercas que nos separam!!!!

fotos Fórum Social Mundial 2009 / Belem

Fórum Social Mundial 2009 Belem

A maior riqueza do FSM 2009 - o povo de Belem!


Acampamento da Juventude


Marcha da Abertura


Bandeira palestina na Marcha de abertura


Economia Solidária presente na Marcha da Abertura


6° ano do Jornal Brasil de Fato


Mesa Boaventura de Souza Santos e Quijano


Música cubana na Tenda dos 50 anos da Revolução


Carimbó na Tenda dos 50 anos da Revolução Cubana


Pupunhas e Cupuaçus do Mercado Ver-o-peso


Artesanato do Mercado Ver-o-peso


Por-do-sol no Rio Guamá

mais fotos: seleção pessoal, do coração!!

Bruna em solidariedade com os bichinhos da Amazônia

Sucesso: café da manhã da ida!

Aline suas cores entre as cores das barracas do acampamento

Saudades, o Ver-o-peso já deixou saudades!

Momento de carinho Willon e Ric

Tarsila e o Tacacá

Mário e Natalie no seus primeiros passos de Carimbó

Glauci: simpatia em pessoa direto do povo cabano

Bruno direto de Sierra Maestra para a Marcha de Abertura

Ioli disfarçada de bolchevique na marcha

Vinícios na Contramão da Marcha e dos indígenas

Theo e o Willon no fundão do Barco

Carol de turista no Barco

Eu no barco!

Natalie intervindo na Oficina de Ecoturismo

Lais e as Pupunhas no Ver-o-peso

Tati coordenando a reunião da Rede

Obama: O leopardismo imperial


“Nós nunca teremos liberdade real
entre brancos e negros nesse país
sem destruir esse país
sem destruir o atual sistema político,
sem destruir o atual sistema econômico...
Malcom X


por Atilio Borón

Finalmente chegou o grande dia. Toda a imprensa mundial fala exclusivamente da nova era aberta pelo acesso de Barack Obama à Casa Branca. Isto confirma os prognósticos pessimistas acerca do papel retrógrado que os meios de comunicação do establishment cumprem ao aprofundar, com as ilusões e enganos da sua propaganda, a conversão à "sociedade do espectáculo", uma involução social onde o nível intelectual de grandes segmentos da população é rebaixado sistematicamente através da sua cuidadosa deseducação e desinformação. A rebaixante "Obamamania" é um magnífico exemplo disso.

Obama chegou à presidência dizendo que representava a mudança. Mas os indícios que surgem da conformação da sua equipa e das suas diversas declarações revelam que se há algo pelo que a sua administração primará é pela continuidade e não pelas mudanças. Haverá algumas, sem dúvida, mas serão marginais, em alguns casos cosméticas e nunca de fundo. O problema é que a sociedade norte-americana, especialmente no contexto da formidável crise económica com que se debate, precisa mudanças de fundo, e estas requerem algo mais que simpatia e eloquência no discurso. É preciso lutar contra adversários ricos e poderosos, mas nada indica que Obama esteja sequer remotamente disposto a considerar tal eventualidade. Vejamos alguns exemplos:

Mudança? Designando como chefe do seu Conselho de Assessores Económicos Lawrence Summers, antigo secretário do Tesouro de Bill Clinton e artífice da inaudita desregulamentação financeira dos anos noventa, provocadora da actual crise? Mudança? Ratificando como secretário da Defesa Robert Gates, designado por George W. Bush para conduzir a "guerra contra o terrorismo" por agora encenada no Iraque e Afeganistão? Mudança? Com personagens como o próprio Gates, ou Hillary Clinton, que apoiam sem restrições a reactivação da quarta frota destinada a dissuadir os povos latino-americanos e caribenhos de antagonizar os interesses e os desejos do império? Na sua audição perante o Senado, Clinton disse que a nova administração Obama deveria ter uma "agenda positiva" para a região, para neutralizar "o medo espalhado por Chávez e Evo Morales". Seguramente referir-se-ia ao medo de superar o analfabetismo ou terminar com a ausência total de cuidados médicos, ou ao medo que geram as constantes consultas eleitorais de governos como o da Venezuela ou da Bolívia, muito mais democráticos que o dos Estados Unidos, onde ainda existe uma instituição tão opaca como o colégio eleitoral que permitiu, como ocorreu em 2000, que George W. Bush derrotasse nesse âmbito antidemocrático o candidato que havia obtido a maioria do voto popular, Al Gore? Poderá esta secretária do Estado representar alguma mudança?

Mudança? Quando o líder político ficou fechado num estrondoso mutismo perante o brutal genocídio perpetrado em Gaza?

Que autoridade moral tem para mudar algo quem actuou desse modo? Como se pode supor que representa a mudança uma pessoa que diz à cadeia televisiva Univisión que "Chavéz foi uma força que impediu o progresso da região, (…) que a Venezuela está a exportar actividades terroristas e a dar abrigo a entidades como as FARC"? Tal despropósito e semelhantes mentiras não podem alimentar a mais pequena esperança e são confirmadas pela nomeação como um dos principais conselheiros sobre a América Latina do advogado Greg Craig, antigo assessor da inefável Madeleine Albright, ex-secretária de Estado de Bill Clinton, a mesma que dissera que as sanções contra o Iraque após a primeira Guerra do Golfo (que custaram entre meios milhão e um milhão e meio de vidas, predominantemente de crianças) "tinham valido a pena". Craig, como advogado, representa ainda Gonzalo Sánchez de Lozada, cuja extradição para a Bolívia foi solicitada pelo governo de Evo Morales para ser julgado pela repressão selvagem das grandes insurreições populares de 2003 que deixaram um saldo de 65 mortos e centenas de feridos. As suas credenciais são, pelo que vemos, perfeitas para produzir a tão desejada mudança.
Na mesma entrevista, Obama manifestou-se disposto a "suavizar as restrições às viagens e às remessas para Cuba", mas esclareceu que não contempla pôr fim ao embargo decretado contra Cuba em 1962. Disse ainda que poderia dialogar com o presidente Raúl Castro sempre e quando "La Habana se mostrar disposta a desenvolver as liberdades pessoais na ilha". Enfim, a mesma cantilena reaccionária de sempre. Um caso de gatopardismo de estirpe pura: algo tem de mudar, neste caso a cor da pele, para que nada mude no império.


O original encontra-se em http://www.atilioboron.com. Traduzido por João Camargo.