quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

mais um feliz Natal!

sábado, 12 de dezembro de 2009

Relatório mostra que mudanças climáticas forçam migração humana

As mudanças climáticas devem levar até 1 bilhão de pessoas a deixarem suas casas nos próximos quarenta anos, apontou um estudo divulgado nesta terça-feira (8/12) pela Organização Internacional para a Migração (OIM).

O relatório, lançado no segundo dia da conferência climática da ONU em Copenhague, estima que 20 milhões de pessoas já ficaram desabrigadas no ano passado por causa de desastres naturais, que devem se agravar em função das mudanças climáticas. O estudo aponta, também, que a maioria destas migrações é interna ou voltada para países vizinhos, opondo-se à tese de que pessoas pobres afetadas pelas mudanças climáticas se refugiem nos países ricos.

Segundo a OIM, os países pobres correm o risco de serem os mais expostos a estas ameaças. Em nações como Etiópia, Mali, Burkina Faso e Senegal, já são registrados movimentos de populações inteiras por causa da seca, afirmou o relatório.

Nesta semana, a Via Campesina participa das atividades do Clima Fórum, uma reunião de movimentos sociais e organizações não-governamentais paralela à COP-15, em Copenhague. Para a entidade, "está cada vez mais claro que não haverá alternativa para o planeta enquanto perdurar o sistema capitalista. Os povos do mundo ainda buscam consensuar o que será essa nova sociedade sustentável, mas em Copenhague muitas são as forças que dizem abertamente que o único caminho é o socialismo".

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

mais Guimarães....

"(...) Então, se um menino menino é, e por isso não se autoriza de negociar... E a gente, isso sei, às vezes é só feito menino. Mal que em minha vida aprontei, foi numa meninice em sonhos que em minha vida aproveitei, foi numa certa meninice em sonhos - tudo corre e chega tão ligeiro -; será que se há lume de responsabilidades? Se sonha; já se fez... Dei rapadura ao jumento! Ahã. Pois. (...)"

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Ética e política

A “ética” neoliberal se reduz às virtudes privadas dos indivíduos. Ignora a visão de institucionalidade ética. Assim, reforça a atitude paralisante do moralismo, que reduz a ética a uma ilusória perfeição individual. Ora, se a sociedade é estruturada, a ética é imprescindível para configurarmos o mundo histórico. Portanto, a ética exige uma teoria política normativa das instituições que regem a sociedade. Como acentua Marilena Chauí, não basta falar em ética na política. A crítica às instituições geradoras de injustiças e negadoras de direitos exige uma ética da política. Criar espaços de criação de novos direitos. As instituições devem garantir a toda a sociedade a justiça distributiva - a partilha dos bens a que todos têm direito -, e a justiça participativa, a presença de todos – democracia – no poder que decide os rumos da sociedade.


O grande desafio ético hoje é como criar instituições capazes de assegurar direitos universais. Isso supõe uma ruptura com a atual visão pós-moderna, neoliberal, de fragmentação do mundo e exacerbação egolátrica, individualista. Ainda que o ser humano tenha defeito de fabricação, o que o Gênesis chama de “pecado original”, há que se criar uma institucionalidade político-social capaz de assegurar direitos e impedir ameaças à liberdade e à natureza. Isso implica suscitar uma nova cultura inibidora dessas ameaças, assim como ocorre em relação ao incesto, outrora praticado no Egito, sem faltar os exemplos bíblicos.

De onde tirar os valores éticos universalmente aceitos? Como levar as pessoas a se perguntarem por critérios e valores? Hans Küng sugere que uma base ética mínima deve ser buscada nas grandes tradições religiosas. Seria o modo de passarmos das éticas regionais a uma ética planetária. Mas como aplicá-la ao terreno político? Mudar primeiro a sociedade ou as pessoas? O ovo ou a galinha?

Inútil dar um passo atrás e fixar-se na utopia do controle do Estado como precondição para transformar a sociedade. É preciso, antes, transformar a sociedade através de conquistas dos movimentos sociais, e de gestos e símbolos que acentuem as raízes antipopulares do modelo neoliberal. Combinar as contradições de práticas cotidianas (empobrecimento progressivo da classe média, desemprego, disseminação das drogas, degradação do meio ambiente, preconceitos e discriminações) com grandes estratégias políticas.

É concessão à lógica burguesa admitir que o Estado seja o único lugar onde reside o poder. Este se alarga pela sociedade civil, os movimentos populares, as ONGs, a esfera da arte e da cultura, que incutem novos modos de pensar, de sentir e de agir, e modificam valores e representações ideológicas, inclusive religiosas.

"Não queremos conquistar o mundo, mas torná-lo novo", proclamam os zapatistas. Hoje, a luta não é de uma classe contra a outra, mas de toda a sociedade contra um modelo perverso que faz da acumulação da riqueza a única razão de viver. A luta é da humanização contra a desumanização, da solidariedade contra a alienação, da vida contra a morte.

A crise da esquerda não resulta apenas da queda do Muro de Berlim. É também teórica e prática. Teórica, de quem enfrenta o desafio de um socialismo sem stalinismo, dogmatismo, sacralização de líderes e de estruturas políticas. E prática, de quem sabe que não há saída sem retomar o trabalho de base, reinventar a estrutura sindical, reativar o movimento estudantil, incluir em sua pauta as questões indígenas, étnicas, sexuais, feministas e ecológicas.

Neste mundo desesperançado, apenas a imaginação e a criatividade da esquerda são capazes de livrar a juventude da inércia, a classe média do desalento, os excluídos do sofrido conformismo. Isso requer uma ideologia que resgate a ética humanista do socialismo e abandone toda interpretação escolástica da realidade. Sobretudo toda atitude que, em nome do combate à burguesia, faz a esquerda agir mimeticamente como burguesa, ao incensar vaidades, apegar-se a funções de poder, sonegar informações sobre recursos financeiros, reforçar a antropofagia de grupos e tendências que se satisfazem em morder uns aos outros.

O pólo de referência das esquerdas, em torno do qual precisam se unir, é somente um: os direitos dos pobres.


Frei Betto é escritor, autor, em parceria com L.F. Veríssimo e outros, de “O desafio ético” (Garamond), entre outros livros.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Primeiras fotos no DF

Tá, meio turístico, paga pau e tal, mas sei lá aí vai um primeiro registro fotográfico daqui do Planalto Central: Como são fotos minhas, só apareço em uma (onde esta Wally?)







Aqui são algumas fotos de uma feira que eu Danuta visitamos em Formosa, só para ter idéia do meu trampo, quer dizer uma parte legal do meu trampo!






De novo ao turismo, do concreta ao mato, uma bela cachoeira, também em Formosa. Ah, e estrelando a Dan, heheh!





Aqui, foi a pensão que fiquei depois da caso do Chico e antes de mudar para a casa da Lu!



E não podia faltar! Boteco! Bom Depósito Piauí! Aí meu fígado!!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

II Mostra Luta



Programação Completa


A 2ª Mostra Luta! retorna este ano para reafirmar um dos direitos mais básicos do ser humano: o direito à comunicação. De 21 a 28 de novembro, em Campinas, muitos sem-voz falarão, através de vídeos, sobre sua realidade, sonhos e lutas: a luta dos sem-terra, dos sem-teto, das mulheres, do movimento negro, pelo acesso à arte e cultura, pela diversidade sexual, a luta antimanicomial, contra as opressões e as desigualdades sociais, a luta anti-capitalista. Serão oito dias de exibição de filmes e debates, sendo que este ano também teremos mesas de discussão com convidados e uma exposição fotográfica com a mesma temática da mostra. Venha participar! Esperamos que a população de Campinas não se deixe levar pelo silêncio enorme que nos engole e venha ver, com seus próprios olhos, e discutir, com sua própria boca e cabeça, a realidade que não passa na TV. Ajude-nos a Divulgar!


21/11
sábado
22/11
domingo
23/11
segunda
24/11
terça
16h às 18h30 Mesa de Abertura: O vídeo popular no Brasil Sessão 1 Sessão 9 Mesa: Panorama Fotografia e Cinema de Luta
19h30 Sessão de Abertura: Linha de Montagem (presença do diretor Renato Tapajós)
Vídeos convidados Sessão 2 Sessão 3


25/11
quarta
26/11
quinta
27/11
sexta
28/11
sábado
16h às 18h30 Sessão 3 Mesa: A criminalizacao dos movimentos sociais pela midia e a construção de mídias populares Mesa: A luta pela comunicacao no Brasil Sessão 7
19h30 Sessão 4 Sessão 5 Sessão 6 Sessão 8


SESSÂO DE ABERTURA

Linha de montagem (90 min) - O movimento sindical de São Bernardo do Campo entre 1978 e 81, quando se produziram as maiores greves, desafiando a repressão do final da ditadura militar. Debate com a presença do diretor do filme, Renato Tapajós.

SESSÃO 1

Brad, uma noite a mais nas barricadas – (53 min)
Sementes da luta – (14 min)
A Ilusão viaja de Baú e a liberdade de bike – (11min)
Lágrimas de Ogum – (10 min)
O Processo – (8 min)

SESSÃO 2

Cacunda di Librina (31 min)
As Ruas da Cómedia (30 min)
A Casa dos Mortos (24 min)
51° CONUNE 2009 (10 min)

SESSÃO 3

Estudo de Cena: o Capital e a Religião - (34 min)
Cerrado de Milhares Maravilhas – (30 min)
Maria do Paraguaçu – (26 min)
Paris a neve e o sal – (7,5min)

SESSÃO 4

Expedito em busca de outros nortes (75 min)
A Luta Continua (12 min)
Maria sem graça (7 min)
Grito dos excluídos 2008 no RJ (3 min)

SESSÃO 5

Cinema de Quebrada (47 min)
Narrativas da Sé (20 min)
Solidariedade campo-cidade (12 min)
O Caminho da Música (12 min)

SESSÃO 6

Porque lutamos! Resistência à ditadura militar (55 min)
Mulheres e o Mundo do Trabalho (26 min)
Manifesto contra as monoculturas e o deserto verde (6 min)
Primeiro de maio no RJ (3 min)
Favela Sinistra (3 min)

SESSÃO 7

Nova Orleans, mardi gras e o furacão Katrina (5,4 min)
Tempo de Pedra (51 min)
Se me deixam sonhar… (curta metragem convidado – 40 min)
O Punk Morreu? (18 min)

SESSÃO 8

25 anos do MST (58min)
Periferia Ação (33 min)

SESSÃO 9

Zé Pureza (97 min)

SESSÃO DE CONVIDADOS

Caso Shell: O lucro acima da vida (~ 28 min)
1 de Maio – Campinas (5 min)
Última Fronteira (30 min)
Vídeo do Coletivo Anti-Racismo do Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região (35 min)
Acampamento Zumbi dos Palmares (MTST) (11 min)
Ato de luta das mulheres feministas (10 min)

MESA DE ABERTURA

“O vídeo popular no Brasil”
Prof. Luiz Fernando Santoro (USP).

DEBATE

“Panorama Fotografia e Cinema de Luta”
Debatedores: Orestes Toledo e João Zinclar.

MESA REDONDA

“Criminalizacao dos Movimentos Sociais pela Mídia e a construção de Mídias populares”
Entidades convidadas: MST, MTST, TVCOT, Flaskô e Identidade.

MESA REDONDA

“A Luta pela Comunicação no Brasil”
Entidades convidadas: Intervozes, Enecos, Rádio MUDA e Abraço.

Mais Informações: http://mostraluta.org/

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Assassinato e levante em Heliópolis


Mais um assassinato na Periferia de São Paulo levantou a ira da população por sede de justiça!! Meus pesames aos familiares de Ana Cristina e toda força para o povo de Heliópoles. A violência é fruto da morte de inocentes e de tanta injustiça social, política e econômica!

Mais informações!

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Solidariedade, luto e luta junto com o MST

Hoje tive a honra de participar do início da Marcha Paulista do MST.

Poderia falar das imagens maravilhosas, da resistência do militante sem terra que encara a luta com total firmeza e amor a sua causa, da participação mesmo que simbólica dos companheiros militantes e apoiadores do movimento, como nós meio tímidos da ITCP/Unicamp.

Mas infelizmente, com muita dor que venho me solidarizar com os familiares de Maria Cícera Neves, 58 anos, militante do Acampamento Rosa Luxemburgo, município de Iaras (280 km da capital).

Nestas horas, palavras não confortam muito, mas quero dizer que o que nos motivar a arriscar as nossas vidas pelas duras caminhadas da luta é entender que precisamos correr estes riscos porque não suportamos viver num mundo tão desigual e opressor. Não marchamos por satisfação ou por prazer, mas por necessidade. Por necessidade de demonstrar para a sociedade que não é mais aceitável a situação de barbárie e miséria que vivemos, onde uma senhora de 58 anos precisa se colocar em movimento, de enfrentar a dura realidade da lona preta e também de se colocar a marchar por longos cinco dias, correndo infelizmente o risco trágico do acidente que levou a sua morte. A reforma agrária não é um discurso, mas uma necessidade concreta de Baixinha, como era conhecida, e também de milhões de brasileiros.

Aos nossos mortos, nem um minuto de silêncio, mas toda uma vida de luta!

Elcio Magalhães

Nota do MST:

Esclarecimento sobre o acidente durante a Marcha de SP

06/08/2009

É com muita tristeza que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra do Estado de São Paulo comunica o falecimento da companheira Maria Cícera Neves, 58 anos. Baixinha, como era conhecida, vivia no Acampamento Rosa Luxemburgo, município de Iaras (280 km da capital).

Ela participava da Marcha Estadual do MST, que saiu hoje de Campinas com destino a São Paulo. Quando a marcha passava pelo quilômetro 79 da Rodovia Anhanguera, um caminhão avançou contra algumas pessoas que caminhavam e acabou atingindo a companheira. Infelizmente, Baixinha não resistiu e faleceu no local.

Não sabemos quais os fatores que causaram o acidente. Mas, o mais importante é saber que a companheira era uma lutadora e permanecerá sempre em nossas mentes e corações. Nada a trará de volta, mas como forma de mantê-la presente em nossa caminhada, a marcha foi batizada como
Marcha Estadual Maria Cícera Neves.

Aos nossos mortos, nem um minuto de silêncio, mas toda uma vida de luta!

Direção Estadual do MST/SP

sexta-feira, 31 de julho de 2009

MST: Agosto é mês de luta!

Aqui em SP o Movimento estará em Marcha, não poderei estar presente a todo momento, mas vou fazer tudo para estar quando passar por Campinas e em SP!

Aí vai um dos hinos das marchas do MST para começar a arripiar!





Estamos nos aproximando de um momento importante de luta da classe trabalhadora, que ocorrerá no mês de agosto, a Mobilização Nacional contra a Crise. Em São Paulo, o MST inicia no dia 5/8 a Marcha Estadual de Campinas a São Paulo, chegando à capital no dia 10/8, onde o Movimento permanecerá mobilizado até o dia 14/8, assim como em outros estados do País.

A seguir, leia o manifesto que anuncia os objetivos e as principais demandas de marcha paulista:


POR QUE MARCHAMOS?

Somos trabalhadores e trabalhadoras rurais organizados no Movimento Sem Terra / Via Campesina, que lutamos pelo direito a um pedaço de terra onde possamos plantar, colher e garantir uma vida digna às nossas famílias.

Oriundos de várias partes do Estado de São Paulo, de diferentes comunidades, assentamentos e acampamentos para dialogar com a sociedade e os poderes constituídos com o objetivo de denunciar a condução das políticas em nosso país, as quais favorecem apenas os ricos que, por meio da apropriação capitalista, aumentam a cada dia mais a exploração e a miséria da classe trabalhadora. É por isso que marchamos:

Marchamos para reafirmar a necessidade da realização da Reforma Agrária como uma política de distribuição de terra, renda e riqueza para milhões de brasileiros que de forma direta ou indireta serão beneficiados. Dizem que São Paulo não tem terra para os SEM TERRA, entretanto, é um dos estados com uma das agroindústrias mais concentradoras a qual convive com os maiores índices de êxodo rural e miséria em suas pequenas e médias cidades do interior, além do terrível cenário atual nas periferias das grandes metrópoles, onde se concentram milhões de pessoas sem alternativa de vida digna. O povo brasileiro precisa recolocar a Reforma Agrária na pauta do país e dizer que somente através dela é que vamos conseguir produzir alimentos de boa qualidade, a baixo custo e empregar milhares de pessoas que foram expulsas do campo pelo Agronegócio.

Marchamos porque somos contra a concentração da propriedade da terra, das florestas, da água e dos minérios, pois, além de causar a destruição da natureza, expulsa os camponeses, os pequenos produtores, os povos indígenas, os ribeirinhos, os quilombolas. Condenamos a política agrícola e ambiental dos sucessivos Governos Tucanos em São Paulo e do Governo Lula, pois só têm beneficiado o agronegócio, seus interesses econômicos e incentivado a destruição ambiental.

Marchamos para reafirmar a necessidade de unificar toda a classe trabalhadora, do campo e da cidade, para juntos consolidar um processo de emancipação pelo qual possamos ter de fato emprego decente, moradia digna, saúde e educação gratuita e de qualidade, alimentos saudáveis para todo povo brasileiro.

Marchamos para denunciar a exploração da classe trabalhadora por seus patrões e fazer com que o nosso apelo seja ouvido e que soluções sejam tomadas: a cada dia aumenta o número de pessoas desempregadas, e agora com a crise dos ricos, sobra para nós, os empobrecidos, pagarmos a conta. Precisamos nos fortalecer enquanto classe trabalhadora para garantir que se cumpram os direitos trabalhistas e previdenciários; a maioria dos empregadores sequer assina a carteira de seus funcionários. É inadmissível e indignante vivermos ainda hoje com a existência de trabalho escravo em nosso país, e assistirmos passivos os aumentos sucessivos de incentivos para aquelas agroindústrias que o promovem.

Marchamos também para repudiar a crescente criminalização da luta social e da pobreza em todo o país. Não é possível admitir que num país dito democrático, cada vez mais seja considerado crime o exercício legítimo de organização política e reivindicação de nossos direitos assegurados formalmente até pela Constituição Federal. Muito menos admitir que pessoas, sobretudo jovens e negros das periferias urbanas, sejam a cada dia mais consideradas “suspeitas” simplesmente por viver na pobreza ou na miséria material, tornando-se vítimas prioritárias das políticas de criminalização, encarceramento e execuções sumárias em massa que se tornaram uma prática comum do Estado brasileiro nos últimos anos.

Marchamos, finalmente, para refletir e debater também sobre a forma com que o meio ambiente está sendo tratado. O nosso país ainda tem o privilégio de possuir riquíssimos biomas: como a Floresta Amazônica, a Mata Atlântica, o Cerrado, o Pantanal etc, porém, infelizmente a cada dia que passa, mais ameaçados estão nossas matas, florestas, rios, animais, clima e seres humanos… devido à busca desenfreada dos capitalistas pelo lucro. É preciso frear a ganância dos poderosos que, para seguir aumentando seus lucros, passam por cima de tudo e de todos. Nos dias de hoje já vivenciamos vários problemas de ordem climática que é resultado desta ganância dos ricos.

O povo não pode pagar a conta. Que os ricos paguem a conta da crise!

CRESCEMOS SOMENTE NA OUSADIA!
(Mário Benedetti)

Agosto é mês de luta!


Não às demissões!
Pela redução da jornada de trabalho sem redução de salários!
Em defesa dos direitos sociais!


O Brasil vai às ruas no dia 14 de agosto. Os trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade unidos contra a crise e as demissões, por emprego e melhores salários, pela manutenção dos direitos e pela sua ampliação, pela redução das taxas de juros, na luta pela redução da jornada de trabalho sem redução de salários, pela reforma agrária e urbana e em defesa dos investimentos em políticas sociais.

A crise da especulação e dos monopólios estourou no centro do sistema capitalista mundial, os Estados Unidos da América, e atinge todas as economias.

Lá fora - e também no Brasil -, trilhões de dólares estão sendo torrados para cobrir o rombo nas multinacionais, em um poço sem fim. Mesmo assim, o desemprego se alastra, podendo atingir mais de 50 milhões de trabalhadores.

No Brasil, a ação nefasta e oportunista das multinacionais do setor automotivo e de empresas como a Vale do Rio Doce, CSN e Embraer, levou à demissão centenas de milhares de trabalhadores e trabalhadoras.

O Governo Federal, que injetou bilhões de reais na economia para salvar os bancos, as montadoras e as empresas de eletrodomésticos (linha branca), tem a obrigação de exigir a garantia de emprego para a classe trabalhadora como contrapartida à ajuda concedida.

O povo não é o culpado pela crise. Ela é resultado de um sistema que entra em crise periodicamente e transforma o planeta em uma imensa ciranda financeira, com regras ditadas pelo mercado. Diante do fracasso desta lógica excludente, querem que a Classe Trabalhadora pague pela crise.

A precarização, o arrocho salarial e o desemprego prejudicam os mais pobres. Nas favelas e periferias. É preciso cortar drasticamente os juros, reduzir a jornada de trabalho sem reduzir salários, acelerar a reforma agrária e urbana, ampliar as políticas em habitação, saneamento, educação e saúde, e medidas concretas dos governos para impedir as demissões, garantir o emprego e a renda dos trabalhadores.

Com este espírito de unidade e luta, vamos realizar, em todo o país, grandes mobilizações.

NÃO ÀS DEMISSÕES! PELA RATIFICAÇÃO DAS CONVENÇÕES 151 E 158 DA OIT!* REDUÇÃO DOS JUROS! FIM DO SUPERÁVIT PRIMÁRIO! REDUÇÃO DA JORNADA SEM REDUÇÃO DE SALÁRIOS E DIREITOS! REFORMA AGRÁRIA E URBANA, JÁ! FIM DO FATOR PREVIDENCIÁRIO! EM DEFESA DA PETROBRÁS E DAS RIQUEZAS DO PRÉ-SAL! POR SAÚDE, EDUCAÇÃO E MORADIA! POR UMA LEGISLAÇÃO QUE PROÍBA AS DEMISSÕES EM MASSA! PELA CONTINUIDADE DA VALORIZAÇÃO DO SALÁRIO-MÍNIMO E PELA SOLIDARIEDADE INTERNACIONAL AOS POVOS!***

Organizadores:

CGTB, CTB, CUT, FORÇA SINDICAL, NCST, UGT, INTERSINDICAL, ASSEMBLÉIA POPULAR, CEBRAPAZ, CMB, CMP, CMS, CONAM, FDIM, MARCHA MUNDIAL DAS MULHERES, MST, MTL, MTST, MTD, OCLAE, UBES, UBM, UNE, UNEGRO/CONEN, VIA CAMPESINA, CNTE, CIRCULO PALMARINO.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Declaração Final do II Encontro Latino-Americano de Fábricas Recuperadas por Trabalhadores

Texto integral da declaração aprovada no histórico encontro celebrado

em Caracas, Venezuela, no fim de Junho de 2009.

A crise do capitalismo mundial revela que o sistema capitalista transformou-se em um obstáculo para o desenvolvimento da humanidade. Nesta crise os mais prejudicados são os trabalhadores e os pobres de todo o mundo. Cortes salariais, corte dos direitos sociais, queda do emprego e fechamento de fábricas, esta é a alternativa que os capitalistas têm a nos oferecer. Ao mesmo tempo destinam bilhões de dólares para salvar o sistema financeiro mundial da bancarrota; milhões de trabalhadores estão sendo demitidos em todo o mundo.

Frente a isso é necessária, mais do que nunca, a organização dos trabalhadores a fim de responder a esses ataques e defender o emprego e o parque industrial de todos os países do continente. Em todo o mundo vemos que existe um movimento de luta por parte da classe trabalhadora, greves, marchas. A crise está sacudindo a consciência de milhões de trabalhadores em todo o mundo. Frente aos fechamentos de fábricas, nós, os trabalhadores, devemos responder com a ocupação das empresas e colocá-las em produção sob nosso controle e em benefício da coletividade. Somente deste modo poderemos defender nossos direitos e garantir um futuro digno para nossas famílias. Como já assinalou o Presidente Chávez em 2005 “fábrica fechada, fábrica tomada por seus trabalhadores”.

Na América Latina já estamos preparados para enfrentar esta crise. Temos toda a experiência acumulada desde o I Encontro, em outubro de 2005, que nos permitiu continuar a luta. Agora o mais importante é que a experiência da luta se generalize e se estenda a novos setores da classe trabalhadora em toda a América Latina que se virão obrigados a ocupar suas empresas para defender seus postos de trabalho.

A revolução venezuelana é um exemplo para os trabalhadores e oprimidos de todo o continente. Deve também servir como farol e guia no tocante à defesa do emprego frente aos fechamentos patronais e às garantias dos direitos dos trabalhadores frente aos abusos patronais. Desde 2005, empresas importantes como Sidor, outras empresas de Ciudad Guayana e o banco da Venezuela foram nacionalizadas. Isso representa um passo adiante na luta pela melhoria das condições de vida dos trabalhadores. Outras, onde os trabalhadores exigiram a estatização, continuam com problemas ou estão paralisadas pela sabotagem burocrática. É necessária uma solução imediata aos trabalhadores destas empresas pelo governo venezuelano. Somente a classe trabalhadora venezuelana pode verdadeiramente impulsionar a economia do país, nem os capitalistas nem a burocracia herdada da IV República poderão fazê-lo. O controle operário da produção é a base para a construção do socialismo na Venezuela e em todo o continente latino-americano.

Os trabalhadores da América Latina não têm que dobrar-se ante a recessão, sob o argumento da crise. Os capitalistas e os governos nos quais este sistema se sustenta são os culpados pela crise. Eles nos empurram a lutar para defendermo-nos e a ocupar as empresas. A tomada e a ocupação de empresas é apenas o início do processo pelo qual a classe trabalhadora tomará sob seu controle os bancos, a terra e as grandes indústrias, pondo-as a produzir sob seu controle democrático em aliança com os camponeses e os pobres de todo o continente.

Este II Encontro Latino-Americano de Fábricas Recuperadas também reforça que as fábricas recuperadas não podem existir isoladas em meio a uma economia capitalista. Ou a luta pela tomada e ocupação de fábricas se estende para todo o país e para o continente e ao restante da classe trabalhadora, ou estará condenada a sucumbir fruto da pressão da concorrência ou da sabotagem estatal e capitalista. Por isso a palavra de ordem “fábrica fechada, fábrica ocupada” deve disseminar-se e ser levada à prática para que possamos sobreviver com o propósito final de que todo o aparato produtivo esteja sob controle da classe trabalhadora aliada com os pobres do país.

Este II Encontro Latino-Americano de Fábricas Recuperadas por Trabalhadores faz um apelo a todos os movimentos progressistas do mundo a apoiar nossa luta por um futuro decente para as famílias trabalhadoras e para a juventude de nosso continente. Somente os trabalhadores estão interessados em desenvolver a indústria nacional frente ao parasitismo dos empresários e à política das multinacionais.

Este II Encontro Latino Americano de Fábricas Recuperadas faz um chamado a todos os trabalhadores do continente e do mundo a seguir nosso caminho e unir-se a esta luta. A crise capitalista em um contexto de desemprego e falta de trabalho colocará às claras os limites da greve como método de luta. A própria experiência dos trabalhadores lhes fará ver que devem pressionar ainda mais os patrões. A situação que eles criam nos obriga a ir à greve, mas estas lutas só podem ser vitoriosas se lhes arrebatamos o controle da empresa. Esta crise conduzirá a esta conclusão primeiro milhares e logo depois milhões.

Companheiros, o futuro pertence à classe trabalhadora. Estamos no início de nosso movimento, agora somos milhares, amanhã seremos milhões. Adiante na luta, viva os trabalhadores das fábricas recuperadas!

Caracas, 28 de Junho de 2009.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

As noites mais frias do ano...

Enquanto a mídia evoca neste momento um desespero contra a tal Gripe Suína, que óbvio deve ser evitada, vale uma reflexão porque outros motivos de mortes mais frequentes que não são tratadas com tanta veemência, como por exemplo: a tuberculose, a esquecida Aids, a malária, a fome, o frio...

Me lembro que no ano passado, quando ainda militava no Mandato da Vereadora Marcela Moreira daqui de Campinas, soube que numa daquelas badaladas noites mais frias do ano, somente no Jardim Lisa 2, que eu acompanhava pelo mandato, duas mulheres morreram por conta do frio: uma pela idade e outra uma jovem por pneumonia. O preseidente do bairro levantava fundos para o enterro da menina, porque a família não tinha condições de bancar sozinha. Isto apenas em um bairro, agora quantas favelas têm Campinas, quantas têm São Paulo, quantas têm no Brasil? Sem falar dos moradores de rua, que nestas horas sonhariam em morar em uma favela.

Na real, estas mortes como também todas aquelas mortes de jovens filhos da periferia são ignoradas. Invisíveis para a grande mídia e para os governantes. Invisíveis porque não são factuais, não são epidêmicas e, na verdade, elas são mero resultado da miséria provocada pela desigualdade social de nosso país. Assim, as campanhas dos agasalhos não são suficientes para aquecer de fato estas pessoas!

Mudanças estruturais são a órdem do dia, saúde e moradia de qualidade deveriam ser direitos básicos para qualquer cidadão, qualquer ser humano. Aceitar isto, é aceitar a miséria dos nossos Campos de Concentração. Não dá para aceitar. Grite! Se movimente...

Honduras: Uribe tem simpatia pelo demônio!


Rádio Mundo Real

(Ouça Aqui!) Em entrevista realizada pela rádio colombiana La FM, o chanceler da ditadura hondurenha, Carlos López, confirmou uma reunião que teve com o presidente Álvaro Uribe.

A reunião aconteceu dia 20 de julho, depois do fim de semana onde as negociações que vem realizando o presidente de Costa Rica, Óscar Arias, fracassassem diante da negação da ditadura sobre a possibilidade de um retorno do presidente constitucional Manuel Zelaya. López garantiu que o presidente Uribe expressou “simpatia pelo governo do presidente Roberto Micheletti”.

O chanceler afirmou que decidiu acudir à Colômbia porque ambas nações são “vítimas de agressores externos comuns, como (o presidente da Venezuela) Hugo Chávez”. Sobre isso, disse que Chávez "representa uma ameaça para as nações, para a independência de cada uma delas”.

Apesar da reunião entre Uribe e o chanceler da ditadura hondurenha, o Executivo colombiano reagiu para esclarecer que continua dando todo seu apoio à "gestão mediadora que realiza o presidente Arias para reestabelecer o processo democrático em Honduras".

No entanto, esta situação é altamente preocupante para a estabilidade da região. Dia 5 de julho, a OEA decidiu expulsar Honduras da organização e pediu a seus estados membros que rompessem relações de todo tipo com Tegucigalpa "até que o legítimo presidente, Manuel Zelaya seja restituído".

Mas com esta reunião às costas da comunidade internacional, o governo colombiano também descumpre um mandato expresso da Assembléia Geral da ONU de "não reconhecer nenhum outro Governo hondurenho que não seja o de Manuel Zelaya".

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Atrelados a empreiteiras, governos seguem ignorando direito à moradia


Correio da Cidadania

Na semana passada, integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) iniciaram uma jornada de protestos diante da casa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no centro de São Bernardo do Campo. Na ocasião, integrantes do movimento se acorrentaram diante da residência, recebendo a companhia de outro companheiro a cada dia passado sem negociações. Começando com três acorrentados, o número se elevou a oito até a visita de um assessor da presidência (em 13/07).

O movimento exige a desapropriação de diversos terrenos, a regularização de cerca de 2000 famílias do acampamento Anita Garibaldi, maior celeridade na resolução da situação do Acampamento Carlos Lamarca, entre outras questões. Em entrevista ao Correio da Cidadania, o dirigente Guilherme Boulos afirmou não ter restado alternativa diferente ao movimento, ignorado em suas reivindicações e sofrendo despejos freqüentemente violentos, em franco conluio do poder público com a especulação imobiliária.

Destacando o fato de muitas famílias estarem há quase 10 anos esperando pelo acesso à moradia, Boulos lamenta o fato de o movimento ser duramente reprimido quando busca somente a aplicação da função social da terra e do direito constitucional a todos garantido da casa própria. Talvez o fato, para ficar em um exemplo, de o prefeito paulistano Gilberto Kassab ter recebido das empreiteiras 12 milhões dos 27 milhões de reais gastos em sua campanha seja explicativo.

Com a força do capital especulador e financiador de campanhas, ele não hesita em dizer que o programa Minha Casa, Minha Vida lançado pelo governo "não tem a menor condição de solucionar o déficit habitacional no país", uma vez que, além da desequilibrada destinação de subsídios, não enfrenta a questão das desapropriações e os interesses das empreiteiras e especuladores da terra.

Correio da Cidadania: O que levou os integrantes do movimento a chegarem a tal ponto em seus protestos, acorrentando-se diante da residência do presidente?

Guilherme Boulos: O que levou aos acorrentamentos foi o esgotamento das outras possibilidades de mediação. O governo federal estabeleceu uma série de compromissos com o MTST, como a construção de casas e viabilização de empreendimentos que atendam à demanda do movimento. E desde alguns anos, pelo menos 2005, quando esses compromissos começaram a ser estabelecidos, não vêm sendo cumpridos.

O que na verdade tem acontecido, ao contrário de empreendimentos de construção habitacional, são despejos. Estamos com problemas concretos de despejo na região de Sumaré, previsto para daqui a duas semanas, sendo que a localidade abriga 4000 pessoas; existem ainda casos de famílias que esperam há anos por acordos em situação precária; e o programa ‘Minha Casa, Minha Vida’ lançado pelo governo tampouco sinalizou que irá incluir essas famílias mais necessitadas e que esperam há muito tempo.

Por todo esse conjunto de fatores que fomos protestar diante da casa do presidente.

CC: E são aproximadamente quantas famílias envolvidas em todo o estado de São Paulo à espera de uma moradia?

GB: Somente no estado de São Paulo calculamos quase 20.000 famílias vinculadas ao movimento. Aqueles que estão na casa do Lula o fazem em nome de todo esse contingente.

CC: Há quanto tempo, em médias, essas famílias estão esperando pela concessão de suas moradias?

GB: Isso depende de caso a caso. Há famílias que esperam há oito, nove, dez anos. E há também aquelas que não se organizam nos movimentos sociais e só se cadastram nos programas do governo. Esses casos podem chegar a até 20 anos.

No movimento muitas famílias esperam há cerca de 8 anos, como disse, e ainda não foram contempladas.

CC: Qual a rotina dos acampamentos, em que condições passam os dias e meses as pessoas alojados com o movimento?

GB: As condições dos acampamentos são extremamente precárias no sentido da infra-estrutura urbana. Na medida em que há uma ausência do poder público para suprir as necessidades básicas das famílias, as condições são muito precárias em termos de saneamento, alimentação, enfim, todas as dificuldades que existem não só nas ocupações do movimento, mas também no conjunto de todas as grandes periferias urbanas.

No entanto, quando o movimento social está presente, de alguma forma essa situação é contrabalanceada pelo trabalho coletivo, solidariedade e ajuda mútua que existe entre as pessoas que fazem parte desse processo de luta.

As condições permanecem sendo precárias, mas há uma solidariedade maior que torna a sobrevivência possível.

CC: Quais têm sido as posturas do governo na condução do processo e trato dos militantes?

GB: Até hoje (segunda, 13/07) não havia sido aberta negociação. Exatamente hoje tivemos uma reunião com um assessor da presidência, que veio a São Paulo dialogar com o movimento, sem ainda uma sinalização clara de proposta governamental para atender às demandas e reivindicações apresentadas por nós. De toda forma, abriu-se um andamento da negociação, a fim de solucionar nosso problema.

CC: O que, em sua opinião, impede o governo de regularizar as moradias e posses de terrenos em áreas há muito tempo ocupadas e que muitas vezes não estão cumprindo nenhuma função social e/ou econômica?

GB: Na nossa avaliação a força do capital imobiliário, a importância da indústria da construção civil, a importância dos especuladores imobiliários e também seu peso político, inclusive com bancadas parlamentares e financiamentos de campanha, são todos fatores decisivos para que tais setores mantenham seus privilégios, muitas vezes de forma ilegal.

A Constituição assegura a função social da propriedade. Mas a gente vê grandes latifúndios urbanos abandonados há anos, servindo apenas à especulação, sem serem desapropriados e sem que haja posturas do governo, em todas as suas instâncias, no sentido de fazer valer alguma função social da terra.

E quando o movimento busca a aplicação dessa função social da terra em muitas vezes é tratado com repressão.

CC: E essa repressão por você mencionada tem sido exagerada?

GB: Considerando só o MTST, temos sofrido nos últimos anos – além das formas mais tradicionais de repressão, como violência policial direta, protestos judiciais e criminais contra dirigentes do movimento, despejos arbitrários – ações civis de interdito proibitório, que impedem o movimento de se manifestar em prefeituras, o que também ocorre com o movimento sindical no Brasil, com interditos que impedem greves e piquetes em determinadas fábricas e empresas.

Portanto, além da repressão de sempre, estamos tendo nosso direito de manifestação tolhido.

CC: Você teria em mente situações que tenham deixado claro algum tipo de conluio entre iniciativa privada e poder público em lutas do movimento, como concessão de terrenos, despejos?

GB: Ah, sim, são casos muito freqüentes. Podemos dar vários exemplos. Houve um despejo em São Paulo no qual as famílias receberam indenizações pagas por uma incorporadora que tinha interesse no terreno vizinho, pois desenvolvia um empreendimento ao lado da ocupação. O poder público se aliou à empreiteira, interessado em valorizar o terreno em construção, e deu uma migalha para as famílias saírem.

Em outra oportunidade, ocupamos o terreno de uma grande multinacional, financiadora de campanha, e na época tanto parlamentares como o governador Geraldo Alckmin se posicionaram de maneira truculenta em favor do despejo, defendendo os interesses da empresa.

Enfim, eu poderia aqui recorrer a uma série de exemplos. É muito frequente essa promiscuidade entre o capital privado do setor imobiliário e o poder público no ataque aos direitos das famílias sem teto.

CC: Acredita que o pacote habitacional lançado por Lula, tão elogiado por teoricamente se voltar aos brasileiros de menor renda, surtirá algum efeito real nessa camada de pessoas que ainda não conseguem acessar sua moradia própria? Acredita que ajudará a reduzir o déficit habitacional ao menos em algumas metrópoles?

GB: Esse pacote é muito limitado. Primeiro porque apenas 40% das unidades habitacionais previstas no programa são voltadas às famílias que ganham menos de três salários mínimos, que correspondem a praticamente 90% do déficit habitacional.

Em termos de subsídio, a proporção é ainda menor: apenas 20% dos recursos do programa serão voltados a essa camada. O programa está voltado para atender a apenas 14% do déficit habitacional do país. Esse problema é muito mais grave no Brasil.

Claro que a existência de mais subsídio para as classes populares tem um significado, mas a maneira de condução do programa, dando centralidade às empreiteiras como agentes fundamentais, e a taxa de renda que acabará pegando pela destinação de recursos fazem com que esse programa não tenha a menor condição de solucionar o déficit habitacional no país, principalmente nas grandes metrópoles, onde o valor da terra, muito mais alto por conta da especulação imobiliária, exigiria uma política de desapropriações.

E o ‘Minha Casa Minha Vida’ não prevê desapropriação, apenas negociações e compras de terra. Sem o instrumento das desapropriações, da troca de terra por dívida, que possuem centralidade no tema da função social da propriedade, não se resolve o déficit habitacional do Brasil.

CC: E como você analisa as perspectivas futuras do movimento no atual contexto de lutas dos movimentos sociais no país?

GB: Diante da crise econômica internacional, da carência cada vez maior de condições mínimas de vida digna à maioria da população brasileira, latino-americana, estamos diante de um grande desafio aos movimentos populares, e nisso o MTST tem sua responsabilidade, que é desenvolver cada vez mais o trabalho de base e organizar o povo que está desamparado e sem perspectiva nas periferias urbanas, fazendo grandes lutas e mobilizações para mudar essa realidade social.

A visão do MTST é a de que a sociedade capitalista é predatória e que nossos problemas não poderão ser resolvidos nos marcos desta sociedade. A luta nossa e dos movimentos populares, conseqüente com uma perspectiva de libertação, se confunde com as batalhadas do conjunto da classe trabalhadora por uma nova sociedade.

Esse é o desafio que nos colocamos em todas as nossas atividades de organização popular, mobilização, luta e pressão contra os governos.

Gabriel Brito é jornalista.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Trabalhadores ameaçam explodir fábrica na França

Mais de 360 assalariados de uma empresa em França reclamam uma indemnização, ameaçando fazer explodir a fábrica da New Fabris caso não seja satisfeita a reivindicação até 30 de Julho, revela a imprensa francesa.

Os empregados ocuparam as instalações da fábrica e reclamam 30 mil euros de compensação à New Fabris, uma empresa que está em processo de liquidação e que tinha o grupo PSA e a Renault como principais clientes.

Os trabalhadores em protesto já armadilharam várias botijas de gás para fazer cumprir a ameaça contra as instalações e material existente (peças e máquinas) nos armazéns da empresa de componentes localizada em Chatellerault.

OS PORTADORES DE SONHOS

Gioconda Belli
Em todas as profecias está prevista a destruição do mundo.
Todas as profecias dizem que o homem criará sua própria destruição.
Porém os séculos e a vida que sempre se renovam criariam também uma
geração de amantes e sonhadores; homens e mulheres que não sonharam
com a
destruição do mundo, e sim com a construção do mundo das
mariposas e dos
rouxinóis.
Desde pequeninos vinham marcados pelo amor.

Por trás de sua aparência cotidiana guardavam a ternura e o sol da
meia-noite.
Suas mães os encontraram chorando por um pássaro morto e mais tarde
muitos
foram encontrados mortos como pássaros.
Estes seres coabitaram com mulheres translúcidas e elas ficaram
prenhes de
mel e de filhos reverdecidos por um inverno de carícias.

Foi assim que proliferaram no mundo os portadores de sonhos, atacados
ferozmente pelos portadores de profecias que falavam de catástrofes.
Foram chamados iludidos, românticos, pensadores de utopias, disseram
que
suas palavras eram velhas -e de fato eram porque a memória do
paraíso é
antiga no coração do homem - os acumuladores de riquezas os
temiam e
lançavam seus exércitos contra eles, mas os portadores de
sonhos faziam
amor todas as noites e do seu ventre brotava a semente
que não somente
portava sonhos mas que os multiplicavam e os fazia
correr e falar.

E assim o mundo criou de novo a sua vida da mesma forma que havia
criado
os que inventaram a maneira de apagar o sol.
Os portadores de sonhos sobreviveram aos climas gélidos e nos climas
quentes pareciam brotar por geração espontânea.

Quem sabe as palmeiras, os céus azuis, as chuvas torrenciais tiveram a
ver
com isso, a verdade é que, como formiguinhas operárias estes
espécimes não
deixavam de sonhar e construir mundos formosos, mundo
de irmãos, de homens
e mulheres que se chamavam companheiros, que
se ensinavam a ler uns aos
outros, consolavam-se diante da morte, se
curavam e se cuidavam entre si,
se ajudavam na arte de querer
e na defesa da felicidade.

Eram felizes em seu mundo de açúcar e de vento e de todas as partes
vinha
gente impregnar-se de alento e de suas claras percepções e de lá
partiam
os que os haviam conhecido portando sonhos, sonhando com
novas profecias que falavam de tempos de
mariposas e rouxinóis, onde
o mundo não haveria de findar na hecatombe mas onde os cientistas
desenhariam fontes, jardins, brinquedos surpreendentes para fazer
mais
gostosa a felicidade do homem.

São perigosos - imprimiam as grandes rotativas
São perigosos - diziam os presidentes em seus discursos
São perigosos - murmuravam os artífices da guerra

Devem ser destruídos - imprimiam as grandes rotativas
Devem ser destruídos - diziam os presidentes em seus discursos
Devem ser destruídos - murmuravam os artífices da guerra.

Os portadores de sonhos conheciam seu poder e por isso nada achavam
de
estranho.
E sabiam também que a vida os havia criado para proteger-se da morte
que
as profecias anunciam,
E por isso defendiam sua vida até a morte

E por isso cultivavam os jardins de sonhos e os exportavam com grandes
laços coloridos e os profetas obscuros passavam noites e dias inteiros,
vigiando as passagens e os caminhos procurando essas cargas perigosas
que
nunca conseguiram encontrar porque quem não tem olhos para sonhar.
Não enxerga os sonhos nem de dia, nem de noite.


E no mundo sucedeu um grande tráfico de sonhos, que os traficantes da
morte não podiam estancar;
em todas as partes há pacotes com laços de fita que só esta nova raça
de
homens pode ver e a semente destes sonhos não se pode detectar,
porque está envolta em
corações vermelhos ou em amplos vestidos de
maternidade, onde pezinhos sonhadores sapateiam
nos ventres que os
carregam.


Dizem que a terra depois de os haver parido desencadeou um céu de
arco-íris e soprou de fecundidade as raízes das árvores.
Nós sabemos que os vimos.
S
abemos que a vida os criou para proteger-se da morte que as
profecias
anunciam.

sábado, 11 de julho de 2009

Belas fotos em PB

Neste site há belas fotos PB, fica aí apenas duas para dar uma vontadizinha:

http://www.smashingmagazine.com/2008/06/09/beautiful-black-and-white-photography/




terça-feira, 23 de junho de 2009

INDÍGENAS TUPINAMBÁ SÃO TORTURADOS PELA POLICIA

Prezad@s Companheir@s,

Estamos encaminhando para o conhecimento dos companheir@s caso de tortura contra membros do Povo Indígena Tupinambá na Bahia.

No dia 2 de junho, quatro homens e uma mulher dos Tupinambá (Ailza Silva Barbosa 49 anos, Osmario de Oliveira Barbosa 46 anos, Alzenar Oliveira da Silva 23 anos, Carmerindo Batista da Silva 50 anos e José Otavio de Freitas Filho 30 anos ) foram vítimas de tortura por agentes da Polícia Federal (PF) de Ilhéus, sul da Bahia. Esses policiais aplicaram choque elétrico nas costas e nos órgãos genitais de indígenas e usaram spray de pimenta. Os Tupinambá estavam sendo forçados a confessar o assassinato de um homem, cujo corpo foi encontrado numa represa da Fazenda Santa Rosa, em Buerarema, município próximo de Ilhéus. Os índios torturados só foram soltos à noite.

No dia 25 de maio, os Tupinambá fizeram a retomada de parte de suas terras tradicionais invadida pela fazenda Santa Rosa. Na ocasião, os indígenas encontraram um corpo em estado decomposição e informaram a Fundação Nacional do Índio (Funai) e a PF. Horas depois da denúncia, agentes da PF entraram na área e levaram 15 indígenas presos. Após depoimentos, todos foram liberados, exceto Jurandir de Jesus, irmão do cacique Rosivaldo (Babau), pelo fato de que estava transportando alimentos para os índios, na área retomada, num veículo de uma empresa que prestava serviços a Fundação Nacional de Saúde (Funasa).

Jurandir está sendo acusado de peculato, por utilizar o carro da empresa que aparentemente prestava serviços para a Funasa. O Ministério Público Federal (MPF) e a Funai impetraram Habeas Corpus (HC) no Tribunal Regional Federal da 1ª Região contra o decreto de prisão preventiva, pois o simples fato de Jurandir levar alimentos aos seus companheiros não ofende a ordem pública, nem se caracteriza como fomento a um possível crime de esbulho.

O objetivo da tortura dos agentes da PF contra os cinco Tupinambá era fazer com que eles confessassem a participação no crime de homicídio. Mas não obtiveram êxito, e à noite soltaram os indígenas torturados. Em seguida, os índios procuraram a Funai e o MPF, prestaram depoimentos e fizeram exames de corpo de delito, comprovando-se a tortura levada a cabo pelos policiais.

Contexto das torturas

Em outubro de 2008, a comunidade da Serra do Padeiro foi violentamente atacada pela Policia Federal de Ilhéus, que causou uma serie de indignação na sociedade nacional, inclusive motivou uma campanha da Anistia Internacional.

No dia 20 de abril a Funai publicou no Diário Oficial da União (DOU) o Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação da Terra Indígena Tupinambá de Olivença com o total de 47.376 hectares dentro dos municípios de Buerarema, Una e Ilhéus. A partir dessa publicação intensificaram-se as ações discriminatórias na região de Ilhéus, no sul da Bahia. O povo Tupinambá vem sofrendo, inclusive, ameaça de vereadores num intenso processo discriminatório por parte da imprensa da região. O empresário e pecuarista Marcelo Mendonça, Presidente do Grupo da Ação Comunitária, em sessão especial na Câmara de Vereadores de Ilhéus declarou que seus pares se armariam para impedir a demarcação.

Há uma campanha mentirosa por parte dessas pessoas, segundo a qual a demarcação da terra Tupinambá atingirá as sedes dos municípios onde ela se localiza. Nas ações, a Polícia Federal é acompanhada pelos fazendeiros das áreas retomadas.

Na ação da PF em 2008, ninguém foi responsabilizado pelo excesso e pelas ilegalidades dos atos, criando um clima de impunidade em relação aos abusos de autoridade de agentes e delegados da Polícia Federal.

Estamos encaminhando os depoimentos e os laudos do exame de corpo de delito para conhecimento de vocês.

E gostaríamos de contar com o apoio da Anistia Internacional na divulgação e denúncia desse crime tortura. Entendemos que se não for feita uma pressão externa (nacional e internacional) esse caso de tortura será arquivado. Pedimos o apoio e atenção da Anistia.

No caso de necessitar de maiores informações pode entrar em contato conosco ou com a equipe do Cimi em Itabuna - cimiita@veloxmail.com.br
Um abraço

Cláudio Luiz Beirão
advogado e assessor jurídico do Cimi
contato: 61 21061650 - 96964841

RESUMO DAS TORTURAS

Ailza Silva Barbosa, mulher, 49 anos (nasc. 22/10/1959) - Foi jogada no chão, bateram na suas costelas com cabo de arma, ameaçaram de cortar seus cabelos, jogaram spray de pimenta em seus olhos e bateram em sua cabeça várias vezes na parede.

Osmario de Oliveira Barbosa, homem, 46 anos ( nasc. 16/04/1963) - Foi jogado no chão, deram chute, usaram spray de pimenta em seus olhos, sofreu choque elétrico em suas costas, costelas e órgão genitais.

Alzenar Oliveira da Silva, homem, 23 anos ( nasc. 20/01/1986) - Foi jogado no chão, usaram spray de pimenta em seus olhos, deram chute e recebeu choque elétrico em seu pescoço e costelas.

Carmerindo Batista da Silva, homem, 50 anos ( nasc. 12/07/1958) - Foi jogado no chão, deram chute, usaram spray de pimenta em seus olhos. Pisaram de bota em seu pé que ficou a marca, ficou algemado das onze (11:00) da manhã até as vinte e uma horas de trinta minutos (21:30) foi jogado na parede que machucou sua testa.

José Otavio de Freitas Filho 30 anos ( 03/12/1978) - Foi jogado no chão, deram chute, bateram em sua cabeça, usaram spray de pimenta em seus olhos, sofreu choque elétrico no pescoço, órgão genitais. Recebeu várias ameaças de morte.

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Checked by AVG.
Version: 7.5.560 / Virus Database: 270.12.26/2116 - Release Date: 15/5/2009 06:16

a violência do estado se coloca presente dentro da USP!

Com alguns dias de atrasos, também quero repudiar a ação violenta promovida pela polícia no campus da USP em nome de sua reitora que não se propõe ao diálogo, em nome de um modelo de universidade elitizante, da perseguição armada a luta dos movimentos sociais, de um falso sentimento que está tudo bem promovido pelos meios de comunicação, em fim, em nome de muita hipocresia que não pode passar ipune.

Abaixo, registro de imagens lamentáveis que servirão para lembrar a pré-história do homem e as suas atitudes bárbaras contra o pensamento e a ação crítica da luta dos jovens e trabalhadores por direitos e melhores condições sociais.

domingo, 31 de maio de 2009

Mario Benedetti - homenagem póstuma


"Que os justos avancem
solidários como abelhas
aguerridos como feras
e empunhem rodos seus nãos
para instalar a grande afirmação"
Mario Benedetti


Uma Conversa com Mário Benedetti

"Em períodos de perseguição e mordaça, a cultura também passa à clandestinidade. Se uns caminhos se fecham, o artista busca outros, e no caso de que não existam, opta por abri-los... Sempre haverá muros, esquinas, pátios, anúncios, plataformas, sótãos, varandas e até paróquias onde escrever e dizer o que faça falta. Depois de tudo, quando se chega a uma situação na qual a cultura não pode ser difundida por meios mecânicos, sempre fica a traição sanguinária, não te parece?"

Sentados os dois no vestíbulo já deserto da Casa das Américas, Mario Benedetti me estava repetindo quase palavra por palavra o que havia dito horas antes ao deixar inaugurado o Prêmio Casa das Américas número 20, quer dizer, faz já trinta anos, e a gente se belisca para saber que não está divagando. Que sós ficamos os sobreviventes. A morte, "asquerosamente pontual", se nos levou a Mario e não só Montevideo fica órfã dele. Também Havana, que o acolheu em duros tempos de exílio, por convite expresso de Haydeé Santamaría, e que conheceu seu incansável trabalho no Centro de Investigações Literárias da Casa, do qual foi fundador.

Foi lá onde o conheci, e que a relação profissional tornara-se cálida e solidária camaradagem no teve nada de excepcional. Era impossível não gostar dele, para lá da admiração entusiasta que despertara sua obra, que tantos reconhecimentos mereceria.

E falamos, sempre falamos muito, e hoje tiro o pó, num privado ritual de dolo, uma página amarelenta e quebradiça do Resumo Semanal do Granma (fevereiro de 79), na qual Mario, generoso de seu tempo, nos confiara a suas crenças, suas certezas e esperanças mais rotundas.

- A Revolução Cubana?

- Dir-te-ei: O marxismo em espanhol. Parece-te pouco? Com anterioridade a 1959, nos havia invadido - ainda que não fôssemos totalmente conscientes disso - um pessimismo não confessado em relação a uma possível atitude de independência frente aos Estados Unidos.

A Revolução Cubana nos demonstrou que esse pessimismo não era totalmente justificado, que era possível lutar e triunfar ainda que num país menor que o Uruguai, o que já é dizer bastante, e localizado quase nas faces dos Estados Unidos.

Por outra parte, a Revolução Cubana nos aproximou do marxismo: Era a primeira vez que o marxismo falava espanhol, a partir do poder, na América Latina. Isto teve uma enorme importância para os escritores latino-americanos, e fundamentalmente para os que não militávamos em nenhum partido, que não éramos marxistas.

Náo quer dizer que prontamente demos as costas para a Europa, mas sim que a ordem das prioridades mudou em nossa terra de América, ainda que essa transformação não se refletisse imediatamente na literatura, porque o primeiro, o fundamental, foi a mudança de atitude que a Revolução Cubana gerou nos escritores.

Todos começamos a participar de maneiras muito diversas, com matizes diversas e com intensidade diversa na luta de nossos povos. Vale dizer, já não nos fechamos no mundo interior de uma personagem, senão que este começou a ser localizado num contexto social, a ter inquietudes sociais e políticas.

Algo disso ocorreu também com a paisagem, que até então fora quase o principal protagonista da narrativa latino-americana - pensa em La vorágine, Doña Bárbara, Don Segundo Sombra -, e isso sofreu uma mudança: O homem começou a ter mais importância que a paisagem, recuperou seu papel de protagonista. A paisagem, até então sinônimo de domínio, de exploração, de coisa alheia, se converteu num tema a conquistar, numa terra a conquistar. Ciro Alegría intitulou seu romance El mundo es ancho y ajeno [O mundo é largo e alheio], mas poderia havê-lo chamado El paisaje es ancho y ajeno [A paisagem é larga e alheia].

- A Casa das Américas?

- Aí, o fim do isolamento! Olha, em toda esta transformação que se vai dando na literatura e na arte, transformação que se produz paulatinamente no próprio artista como pessoa, não só a Revolução Cubana em si teve muita importância, senão que a Casa das Américas, criada com o propósito explícito de dar a conhecer em Cuba as realidades culturais dos países irmãos da América Latina e também com o de terminar com a incomunicabilidade cultural que um país tinha com respeito a todos os demais.

Eu sei que sempre se diz isso quando se fala da Casa, mas é muito mais transcendental do que pudera parecer a simples vista. A verdade é que não nos conhecíamos, e que muitos pudemos fazê-lo pessoalmente e intercambiar nossas obras vindo a Cuba, convidados pela Casa, esta Casa de todos e para todos, generosa até o inaudito.

- Literatura comprometida?

- Mais de uma vez disse que o panfleto é um gênero tão legítimo como qualquer outro. Existem obras mestras do panfleto: Marx. Engels, Lenin, o Che, Fanon, Fidel têm verdadeiras obras mestras, mas a literatura panfletária é outra coisa, e não me entusiasma para nada... Falta saber o que passa com os artistas do exílio, como trabalha em cada um a nostalgia, o ódio, a apartação, como se afirma ou se debilita sua identidade nacional. Isto nos traz de novo a falar do papel do escritor.

Creio que não se deve exigir a priori que um artista assuma tal ou qual atitude: Primeiro deverá transformar-se como ser humano e depois essa transformação se refletirá em sua obra a posteriori. Quando um autor escreve sobre temas políticos sem que isso esteja respaldado por uma atitude consequente, sua obra soará oca. É como escrever poemas de amor sem estar enamorado, sem sentir o amor, e a política é também uma forma de amor.

Gostaria de crer que depois desta conversa, aqui muito abreviada, uma vez mais vou acompanhar Mario e sua entranhável Luz ao apartamentinho que ambos ocupam no bairro de Alamar, onde vivem, muito orgulhosos, como dois cubanos à pé. Mas não.

Já é tempo de guardar meus preciosos recortes e dizer-lhe Obrigado, Mario, Obrigado pelo fogo e todos os fogos que iluminaram o céu de gerações e gerações de jovens que sempre te tiveram e te terão à mão para cantar ao amor e ao desamor, aos novos exílios e desexílios desde qualquer esquina de uma primavera rota ou arrebentando de flores e esperanças tão contundentes como o teu otimismo, esse que um dia te fez escrever: Pero me consta y sé/ nunca lo olvido/ que mi destino fértil voluntario/es convertirme en ojos bocas manos/ para otras manos, bocas y miradas. [Mas me consta e sei / nunca o esqueço / que meu destino fértil voluntário / é converter-me em olhos bocas mãos / para outras mãos, bocas e miradas]


Ana María Radaelli é jornalista e escritora argentina radicada em Cuba. Trabalhou durante vários anos em Prensa Latina e na revista Cuba.

em: Fundação Lauro Campos

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Pizza Solidária

Neste sábado, dia 16 de maio, o Instituto Voz Ativa realizará uma pizzada para a arrecadação de fundos, em especial para o pagamento do aluguel.

Precisamos do apoio de todas as pessoas que acreditam que é possível construir uma sociedade diferente, pautada por outros valores, para que possamos continuar com nossos projetos.

Atualmente temos realizado orientação jurídica gratuita, cinema comunitário, biblioteca e videoteca comunitária, além de estarmos na luta por asfalto na região. No segundo semestre iniciaremos também um cursinho pré-vestibular.

A pizza custa R$ 15,00 (mussarela ou calabresa).

Contamos com seu apoio. Juntos podemos fazer muito.

Endereço:

Av. Dr. Armando Mário Tozzi, 274 - Jardim Lisa, Campinas-SP

Telefone: 19 9276-8709

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Carta a Augusto Boal


Augusto Boal, Presente!

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)
divulgoua seguinte carta escrita em homenagem a Augusto
Boal, falecido neste sábado, 2 de
maio:

"Companheiro Boal,

A ti sempre estimaremos por nos ter ensinado que só
aprende quem ensina. Tua luta, tua consciência política,
tua solidariedade com a classe trabalhadora é mais que
exemplo para nós, companheiro, é uma obra didática,
como tantas que escreveu. Aprendemos contigo que os
bons combatentes se forjam na luta.

Quando ingressou no coletivo do Teatro de Arena, soube
dar expressão combativa ao anseio daqueles que queriam
dar a ver o Brasil popular, o povo brasileiro. Sem temor,
nacionalizou obras universais, formou dramaturgos e
atores, e escreveu algumas das peças mais críticas de
nosso teatro, como Revolução na América do Sul (1961).
Colaborou com a criação e expansão pelo Brasil dos
Centros Populares de Cultura (CPC), e as ações do
Movimento de Cultura Popular (MCP), em Pernambuco.

Mostrou para a classe trabalhadora que o teatro pode
ser uma arma revolucionária a serviço da emancipação
humana.

Aprendeu, no contato direto com os combatentes das Ligas
Camponesas, que só o teatro não faz revolução. Quantas
vezes contou nos teus livros e em nossos encontros de
teu aprendizado com Virgílio, o líder camponês que te
fez observar que na luta de classes todos tem que correr
o mesmo risco.

Generoso, expôs sempre por meio dos relatos de suas
histórias, seu método de aprendizado: aprender com os
obstáculos, criar na dificuldade, semjamais parar a luta.

Na ditadura, foi preso, torturado e exilado. No contra-
ataque, desenvolveu o Teatro do Oprimido, com diversas
táticas de combate e educação por meio do teatro, que
hoje fazemos uso em nossas escolas do campo, em nossos
acampamentos e assentamentos, e no trabalho de formação
política que desenvolvemos com as comunidades de periferia
urbana.

Poucas pessoas no Brasil atravessaram décadas a fio sem
mudar de posição política, sem abrandar o discurso, sem
fazer concessões, sem jogar na lata de lixo da história
a experiência revolucionária que se forjou no teatro
brasileiro até seu esmagamento pela burguesia nacional e
os militares, com o golpe militar de 1964.

Aprendemos contigo que podemos nos divertir e aprender ao
mesmo tempo, que podemos fazer política enquanto fazemos
teatro, e fazer teatro enquanto fazemos política.

Poucos artistas souberam evitar o poder sedutor dos
monopólios da mídia, mesmo quando passaram por dificuldades
financeiras. Você, companheiro, não se vergou, não se
vendeu, não se calou.

Aprendemos contigo que um revolucionário deve lutar contra
todas, absolutamente todas as formas de opressão.
Contemporâneo de Che Guevara, soube como ninguém multiplicar
o legado de que é preciso se indignar contra todo tipo de
injustiça.

Poucos atacaram com tanta radicalidade as criminosas leis
de incentivo fiscal para o financiamento da cultura
brasileira. Você, companheiro, não se deixou seduzir pelos
privilégios dos artistas renomados. Nos ensinou a mirar nos
alvos certeiros.

Incansável, meio século depois de teus primeiros combates,
propôs ao MST a formação de multiplicadores teatrais em
nosso meio. Em 2001 criamos contigo, e com os demais
companheiros e companheiras do Centro do Teatro do Oprimido,
a Brigada Nacional de Teatro do MST Patativa do Assaré.
Você que na década de 1960 aprendeu com Virgílio que não
basta o teatro dizer ao povo o que fazer, soube transferir
os meios de produção da linguagem teatral para que nós,
camponeses, façamos nosso próprio teatro, e por meio dele
discutir nossos problemas e formular estratégias coletivas
para a transformação social.

Nós, trabalhadoras e trabalhadores rurais sem terra de todo
o Brasil, como parte dos seres humanos oprimidos pelo
sistema que você e nós tanto combatemos, lhes rendemos
homenagem, e reforçamos o compromisso de seguir combatendo
em todas as trincheiras. No que depender de nós, tua vida e
tua luta não será esquecida e transformada em mercadoria.

O teatro mundial perde um mestre, o Brasil perde um lutador,
e o MST um companheiro. Nos solidarizamos com a família
nesse momento difícil, e com todos e todas praticantes de
Teatro do Oprimido no mundo.

Dos companheiros e companheiras do
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra


02 de maio de 2009"

terça-feira, 21 de abril de 2009

Violência do Estado: muros no Rio de Janeiro


As favelas brasileiras a muito tempo já são territórios mais do que marcados pela desigualdade social e pela violência do Estado. Homens e mulheres marginalizados pelas condições de pobreza e injustiças sociais próprias da desigualdade que marca historicamente a economia de nosso país. Humilhados diariamente seja pelo crime organizado do narcotráfico ou pela violência da própria polícia. A novidade que vem do Rio de Janeiro é que o seu "controle" agora será ampliado por muros!

Homens e mulheres não serão sitiados somentes pela desigualdade territorialmente tão marcada pela miséria , mas serão cercados e controlados por muros - novas prisões. O Estado não consegue acabar com o crime organizado, então, criminaliza uma multidão de trabalhadores e trabalhadoras. Experiências e histórias são colocadas no lixo: Muro de Berlim, Muro da Divisa EUA e México, Campos de Concentração, Apartheid... Bom, pensando melhor, acho que não se trata de ignorância ou lapso de memória, mas sim a opção por uma política de estado fascista já questionada e derrotada por muitas vezes na história da humanidade.

Tenho que gritar a minha indignação:ahhhhhhhh!!!!!


mais informações:
Os Muros das Favelas
Pobres no Rio vivem dias de terror

domingo, 5 de abril de 2009

O Operário Em Construção

Vinicius de Moraes

E o Diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o Diabo:
- Dar-te-ei todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue e dou-o a quem quero; portanto, se tu me adorares, tudo será teu.

E Jesus, respondendo, disse-lhe:

-Vai-te, Satanás; porque está escrito: adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás.
Lucas, cap. V, vs. 5-8.

Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.

De fato, como podia
Um operário em construção
Compreender por que um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia...
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse, eventualmente
Um operário em construção.

Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
– Garrafa, prato, facão –
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem o fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.

Ah, homens de pensamento
Não sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento!
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua própria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.

Foi dentro da compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário.
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele não cresceu em vão
Pois além do que sabia
– Exercer a profissão –
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.

E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava.

E foi assim que o operário
Do edifício em construção
Que sempre dizia sim
Começou a dizer não.
E aprendeu a notar coisas
A que não dava atenção:

Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uísque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.

E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução.

Como era de se esperar
As bocas da delação
Começaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão.
Mas o patrão não queria
Nenhuma preocupação
– "Convençam-no" do contrário –
Disse ele sobre o operário
E ao dizer isso sorria.

Dia seguinte, o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu, por destinado
Sua primeira agressão.
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!

Em vão sofrera o operário
Sua primeira agressão
Muitas outras se seguiram
Muitas outras seguirão.
Porém, por imprescindível
Ao edifício em construção
Seu trabalho prosseguia
E todo o seu sofrimento
Misturava-se ao cimento
Da construção que crescia.

Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo vário.
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
– Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem bem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher.
Portanto, tudo o que vês
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.

Disse, e fitou o operário
Que olhava e que refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria.
O operário via as casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não!

– Loucura! – gritou o patrão
Não vês o que te dou eu?
– Mentira! – disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.

E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martírios
Um silêncio de prisão.
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Com o medo em solidão.

Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem no chão.
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão.
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construído
O operário em construção.

Vinicius de Moraes

Veja em teatro!

domingo, 29 de março de 2009

Domingão ao vivo na Rádio Rua!

Programa Vitrola Encantada
Todos os domingos das 9h00 às 12h00
msn: elcio.magalhaes@hotmail.com


Rádio Rua: A rádio que faz a diferença

Cinema na Rua - Inst. Voz Ativa


O Projeto Cinema na Rua é uma iniciativa do Instituto Voz Ativa em parceria com a Rádio Rua. Tem como objetivo a popularização da arte do cinema a partir da exibição de filmes na periferia de nossa cidade e a socialização através do encontro dos moradores. Além da exibição, tem a perspectica de realizar conversas e debates depois dos filmes, estimulando a reflexão e a visão crítica sobre o cinema.

O Cinema na Rua seguirá uma programação, que tem como objetivo ser atrativa para todas as faixas etárias:

14h00 - filme infanto-juvenil
16h00 - curtas e documentários
17h00 - filmes longas

Programação do Cinema na Rua para o próximo fim de semana 04/04/2009:

14h00 - Viagem de Chihiro
16h00 - Conversas de Criança
17h00 - O Labirinto do Fauno