terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Cidade Prevista

“Irmãos, cantai esse mundo
que não verei, mas virá
um dia, dentro de mil anos,
talvez mais ... não tenho pressa.
Um mundo enfim ordenado,
uma pátria sem fronteiras,
sem leis e regulamentos,
uma terra sem bandeiras,
sem igrejas nem quartéis,
sem dor, sem febre, sem ouro,
um jeito só de viver,
mas nesse jeito a variedade,
a multiplicidade toda
que há dentro de cada um.
Uma cidade sem portas,
de casas sem armadilha,
um país de riso e glória
como nunca houve nenhum.
Esse país não é meu
nem vosso ainda, poetas.
Mas será um dia
o país de todo homem”.

“Cidade Prevista” de Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Caroline em Liberdade!

Pichadora da Bienal deixa presídio na zona norte de São Paulo

Última modificação 19/12/2008 11:28

(Folha Online, 19 de dezembro de 2008)

Matéria publicada originalmente na Folha Online


Após mais de 50 dias presa, a pichadora gaúcha Caroline Pivetta da Mota, 24, deixou a Penitenciária Feminina de Santana nesta manhã. Ela teve reconsiderado ontem seu pedido de habeas corpus no TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo).

O advogado da jovem, Augusto de Arruda Botelho, informou que ela passa bem, mas não falará com a imprensa no momento. A mãe da pichadora, Rosemari Pivetta da Mota, estava ansiosa alguns minutos antes da soltura. "Quero tomar café da manhã com ela, conversar muito. Mas ainda não sei o que vou falar para ela", disse.

Caroline fazia parte de um grupo que, no dia 26 de outubro, durante a 28ª Bienal de São Paulo, pichou as paredes do chamado "andar vazio" do prédio projetado por Oscar Niemeyer, no parque Ibirapuera. Os pichadores também quebraram uma vidraça.

Sua audiência pública está marcada para 17 de fevereiro de 2009. Serão ouvidas testemunhas de acusação e de defesa, Ministério Público e também o taxista Rafael Vieira Camargo Martins, 27, que faz parte do grupo Susto's, um dos que promoveram a ação. Martins, que alega ter apenas seguido o ato como espectador, responde a processo em liberdade.

Na denúncia do Ministério Público do Estado de São Paulo, Caroline é acusada de se associar a "milicianos" com fins de "destruir as dependências do prédio". Dependendo do julgamento, ela pode ficar atrás das grades até 2010.

Há duas semanas, Caroline falou com a reportagem da Folha Online, de dentro da penitenciária. "A gente não queria estragar as obras deles [da Bienal], mesmo porque não tinha obra [o segundo andar estava vazio]. A obra, ali, nós que íamos fazer", disse.

Repercussão

Seu caso provocou reações em todo país. Os ministros Paulo Vannuchi (Direitos Humanos) e Juca Ferreira (Cultura) apelaram pela liberdade da jovem, o que repercutiu no governo de São Paulo.

Diversos artistas cobraram a Fundação Bienal para ajudar a liberá-la, e um abaixo-assinado circulou na internet com o mesmo pedido. Os curadores da exposição deste ano negaram ter responsabilidade no caso em artigo publicado anteontem na Folha.

Ontem, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) recebeu pedido de habeas corpus para soltar Caroline. A pichadora já trocou de defesa três vezes e teve dois pedidos de habeas corpus negados. O caso já passou pela Defensoria Pública do Estado de São Paulo e agora está com Augusto de Arruda Botelho, diretor do Instituto de Defesa do Direito de Defesa, que tenta levar o processo para o STJ.

Pixação da 28a Bienal de São Paulo

Nesta sexta-feira, 19 de dezembro, às 17h, acontecerá uma manifestação pela libertação de Caroline Pivetta da Mota, 23, presa há quase dois meses por ter participado da pixação do andar vazio da 28a Bienal de São Paulo. A ação ocorreu no dia 26 de outubro, envolveu aproximadamente 40 pixadores e pode ser considerada uma resposta às proposições da curadoria desta Bienal, intitulada "Em vivo contato". No texto de abertura do guia da exposição os curadores afirmaram:

"A transformação do andar térreo do Pavilhão Cicillo Matarazzo numa praça pública, como no desenho original de Oscar Niemeyer para o parque em 1953, sugere uma nova relação da Bienal com seu entorno - o parque, a cidade -, que se abre como a ágora na tradição da polis grega, um espaço para encontros, confrontos, fricções. (...) Ao contrário das bienais anteriores, que transformaram o interior do pavilhão modernista em salas de exposição, desta vez o segundo andar está completamente aberto. É nesse território do suposto vazio que a intuição e a razão encontram solo propício para fazer emergir as potências da imaginação e da invenção. Esse é o espaço em que tudo está em um devir pleno e ativo, criando demanda e condições para a busca de outros sentidos, de novos conteúdos".

No entanto, tão logo a cidade, os confrontos, as fricções e os novos conteúdos ocuparam aquele espaço a própria curadora adjunta da exposição saiu correndo gritando pelos seguranças. O curador Ivo Mesquita classificou a ação como "arrastão" e "tática terrorista". Procurado pela imprensa, Rafael Augustaitz, a quem é atribuída a organização desta e de duas pixações coletivas anteriores (uma na Faculdade Belas Artes e outra na Galeria Choque Cultural), respondeu com uma frase do filósofo Friedrich Nietzsche: Como falta tempo pra pensar e ter sossego no pensar, não se estuda mais as opiniões divergentes. Contenta-se em odiá-las. Mas se o alargamento da noção de "arte" implicado na ação ainda não está sendo estudado e discutido, o mesmo não se pode dizer da solidariedade com Caroline. Uma série de pessoas já se manifestaram publicamente em sua defesa, desde amigos próximos até o novo ministro da Cultura, Juca Ferreira.

Local da manifestação:
Mube - Museu Brasileiro de Escultura (Av. Europa, 218 - continuação da Rua Augusta, sentido Jardins, ao lado do MIS - Museu da Imagem e do Som)

Acesse o abaixo-assinado em defesa de Caroline

Leia mais sobre a recepção crítica da 28a Bienal de São Paulo no site do Fórum Permanente


segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Movimento pela Liberdade de Arte, Expressão e Carolines!!!

Só para começar o barulho, quero puxar este debate, porque acho muita hipocrisia tanto esta moça ficar presa como a defesa da sua prisão.
Ela e muitos outros expressaram coletivamente sua rebeldia contra a moribunda arte nacional. E a partir de então, passou a ser mais uma das nossas presas política. Na semana de aniversário de 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, uma moça de 24 anos vai a cadeia por se manifestar! Quem deveria estar no tribunal é este Estado que realiza esta estupidez! Veja artigo.
Vou mais longe é hora de liberarmos as nossas paredes para expressarmos nossa rebeldia, contra o vazio da inércia, da hipocrisia, da negação aos direitos humanos, a miséria, a pobreza e tal!!!

Liberdade a Arte!!! Liberdade a Expressão!!! Liberdade a Caroline Pivetta da Mota!

Elcio