domingo, 26 de outubro de 2008

depois da tempestade...


Depois da tempestade, muitos feridos, muita dor...
Mas os ferimentos devem ser tratados,
a dor vai virar experiência
e, com certeza, o sol voltará a brilhar,
trazendo novas esperanças e
força para a nossa luta.


terça-feira, 14 de outubro de 2008

mais um ensaio sobre a cegueira

Não sei se ao sair do Cinema eu enxerguei,
ou apenas percebi a minha cegueira...


Quantos palmos consigo enxergar a minha frente?
Consigo ver a olho nú que existem crianças trabalhando no semáforo?
Percebo que há muito não enxergo, meus olhos se esforçam,
mas nada, nada além do meu umbigo.
Para mim não é nitido se ali estão por vadiagem ou necessidade?
As cores não são claras, os símbolos se perdem
O azul não é azul, o vermelho não é vermelho
Se apagam como problemas que não me pertencem
De quem são estas crianças? Alguém vela por elas?
Tento lembrar de sentidos, de razões de formas e conteúdos.
Mas qual o sentido de elas estarem ali ?
Se há fome zero, se há política de habitação,
Se todas crianças deveriam estar na escola?
Não enxergo, não vejo, fico tonto e não consigo enxergar...
Será que alguem vê o que acontece com estes menino, meninas...
Ouço zoadas, falam que alguns outros comem do bom e do melhor,
viajam, tem milhões no banco. Bom, eu não vejo nada...
Mas porque dizem isto, o que querem enxergar?
Não posso perder o meu foco tenho que continuar olhando o meu.
A quem interessa a cegueira do dia-a-dia, quem cega e se esbalda
da falta de visão dos homens?
No entanto, alguns começam a enxergar
e com certeza vão querer que outros
também vejam o mesmo que eles!

(sobre o filme)

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Abóbora, carne seca e carinho

Eita! Hoje foi um dia de matar saudade comendo um ranguinho bão!
Foi em casa! A carne de sol se juntou à abóbora temperada com carinho e muita conversa boa e da panela foi rapidinho para o bucho!

Valeu Roberto e todos que ajudaram na cozinha e também no quintal, porque não?!!!!

Agora, temos que cobrar o rango japonês e o turco (quer dizer árabe!)

O preço da coerência

Após o resultado negativo nas urnas para o PSOL, creio que cabem aqui algumas reflexões. Durante esses quatro anos exercemos um mandato que jamais se afastou das propostas pelas quais fomos eleitos pelo PT em 2004. Saímos do PT para continuarmos a cumprir aquilo pelo qual fomos eleitos, que foi o compromisso de lutarmos junto com o povo de Campinas por um município e um país justo para todas e todos. O tempo demonstrou que estávamos certos em nossa decisão, pois, mais tarde, o PT formalizou seu apoio ao Governo Hélio ao qual temos grandes discordâncias. Fomos construir o Partido Socialismo e Liberdade sabendo das dificuldades que enfrentaríamos e os desafios que nos estavam colocados. O PSOL ainda é um projeto em construção. É um novo partido contra a velha política e não um balcão de negócios e, devido a isso, enfrenta e enfrentará dificuldades eleitorais. Nessas eleições, pagamos o preço da coerência, pois com o número de votos que tivemos, teríamos sido eleitos na maioria dos partidos que terão representação na Câmara.

No entanto, temos o sentimento de dever cumprido. Fiscalizamos a atuação do Executivo e o trato com o dinheiro público com todo o rigor que o tema merece. Estivemos ao lado do povo de nossa Campinas em todos os momentos necessários: lutando por médicos, remédios, moradia, transporte público, contra qualquer discriminação, contra a destruição do meio ambiente.

Também enfrentamos nesse processo eleitoral um devastador poder econômico que, certamente, cobrará a fatura na próxima legislatura. Além do assistencialismo e do clientelismo tão praticados pela maioria dos políticos que mantêm nosso povo dependente. Não aceitamos dinheiro de empreiteiras e banqueiros, não prestamos favores em troca de votos e contamos com a militância e a solidariedade das pessoas em nossa campanha. Diferente de muitos partidos, fizemos uma campanha de cabeça erguida sem dever nada a ninguém. Tive 3.188 votos, porém, infelizmente, a Frente de Esquerda de Campinas não alcançou o coeficiente eleitoral para eleger uma representante na Câmara de Vereadores.

O prefeito Hélio teve uma vitória contundente nas urnas, mas, mesmo assim, reafirmamos nossa discordância com o atual projeto instalado na cidade. Neste processo de denúncia, nosso companheiro e candidato a prefeito, Paulo Bufalo, nos honrou muito com coerência e coragem ao apontar os verdadeiros problemas da cidade, sem marqueteiros e sem uma campanha milionária. E também apresentou a Frente de Esquerda como alternativa ao projeto predominante não só em Campinas, mas no Brasil.

Mesmo sem uma cadeira no Legislativo, estaremos nas ruas, de onde nunca nos afastamos e nunca nos afastaremos, denunciando todo e qualquer tipo de injustiça e abuso de poder, porque nossa luta não começou em 2004 e não terminará em 2008. Não vemos a política como carreira e onde houver luta e indignação, lá estaremos contribuindo para a construção de uma sociedade justa e solidária. Sempre que houver um ataque ao povo de Campinas, lá estaremos lutando contra, assim com fizemos nesse mandato.

Assim, agradeço a cada voto depositado na Frente de Esquerda e aproveito para reafirmar: não basta votar, é preciso lutar. Não estaremos na tribuna da Câmara, mas as ruas continuarão a ser ocupadas pela nossa militância levantando as bandeiras dos trabalhadores e construindo uma cidade justa. Se um dia fizermos por merecer e, voltarmos a ocupar a tribuna da Câmara Municipal de Campinas será sem nos afastar um milímetro sequer de nossos ideais e convicções. E isso não quer dizer que não aprenderemos com nossos erros que, certamente, houveram. Para aqueles que se indignam diante de toda e qualquer injustiça convido a se juntarem a nós.


Marcela Moreira

vereadora de Campinas

pelo Partido Socialismo e Liberdade

Credo

Composição: Milton Nascimento e Fernando Brant

Caminhando pela noite de nossa cidade
Acendendo a esperança e apagando a escuridão
Vamos, caminhando pelas ruas de nossa cidade
Viver derramando a juventude pelos corações
Tenha fé no nosso povo que ele resiste
Tenha fé no nosso povo que ele insiste
E acordar novo, forte, alegre, cheio de paixão

Vamos, caminhando de mãos dadas com a alma nova
Viver semeando a liberdade em cada coração
Tenha fé no nosso povo que ele acorda
Tenha fé no nosso povo que ele assusta

Caminhando e vivendo com a alma aberta
Aquecidos pelo sol que vem depois do temporal
Vamos, companheiros pelas ruas de nossa cidade
Cantar semeando um sonho que vai ter de ser real
Caminhemos pela noite com a esperança
Caminhemos pela noite com a juventude

(na voz de Elis Regina)